Poucos líquens pendem dos galhos como Alectoria sarmentosa, que forma cortinas de fios verde-claros sobre árvores antigas. Trata-se de um líquen fruticoso, de corpo arbustivo e muito ramificado, que vive por muitos anos como organismo perene. Ele pertence à família Parmeliaceae e à ordem Lecanorales.
Ela cresce sobre troncos e galhos de coníferas e de arbustos decíduos em florestas temperadas chuvosas do Hemisfério Norte. Prefere florestas maduras e antigas, úmidas e com ar limpo. Costuma ocorrer nas transições entre vales e florestas de montanha, evitando a costa imediata.
Corpo de Frutificação e Identificação
A característica mais confiável é o hábito pendente. O talo é fruticoso, fibroso e muito ramificado, e cada ramo costuma se dividir em duas a quatro partes. Os ramos mais grossos têm mais de 2,5 mm de diâmetro. Como é epífita, não possui raízes e obtém umidade e nutrientes do ar e da chuva.
A cor varia de cinza-esverdeada a amarelo-esverdeada, e as pontas podem escurecer. A superfície apresenta pequenas cristas brancas em relevo. Os talos formam mantas de 10 a 30 cm de comprimento que pendem dos galhos e, em alguns pontos, se juntam em cortinas densas.
O vento fragmenta facilmente os talos, e os pedaços podem cair e acabar sobre o solo.
Distribuição e Habitat
A espécie ocorre nas florestas temperadas chuvosas do Hemisfério Norte. Na costa do Pacífico, vai do Alasca à Colúmbia Britânica, Oregon, Washington e norte da Califórnia, a oeste de Alberta e Montana. Também ocorre nos Montes Apalaches, no leste dos Estados Unidos, nas florestas boreais de Nova Brunswick e Nova Escócia, no Canadá, e nas florestas costeiras de coníferas da Escandinávia.
As precipitações anuais nessas florestas variam de 846 mm a 5.600 mm.
Ela é comum em florestas boreais ou de taiga e em florestas pré-úmidas, sobretudo em altitudes baixas a médias, nas transições entre vales e montanhas.
Esse líquen está quase sempre associado a florestas antigas. Sua presença depende da estrutura do dossel, da altura e cobertura das árvores, das bordas da mata e do clima. Ele domina as bordas de clareiras, onde a luz alcança os níveis médios e inferiores do dossel.

Ecologia e Relações
A espécie tem coloração amarelo-esverdeada devido ao ácido úsnico, o que a distingue dos líquens de cabelo de pigmentação escura. Ela prefere locais mais abrigados, como encostas voltadas para o norte e posições mais baixas do dossel, onde a luz é moderada. Sua estrutura cortical deixa a luz chegar aos fotobiontes, o que favorece sítios sombreados e úmidos.
Ela tolera pouco a exposição intensa ao sol, sobretudo em regiões mais secas, pois o córtex fica relativamente transparente quando seco. Pode se estabelecer em florestas de cerca de 60 anos, mas é considerada uma associada de florestas antigas.
Como não tem raízes, vive apenas sobre o substrato, fixada em cascas, madeira e galhos, e depende da umidade do ar e da chuva.
Usos e História Cultural
Em regiões frias, o líquen é uma fonte de alimento de inverno para animais. Veados-de-cauda-preta-de-Sitka e caribus o consomem dos galhos baixos ou quando ele cai sobre a neve durante tempestades de inverno. Esquilos-voadores também o aproveitam na dieta e como material para ninhos.
Povos indígenas da costa noroeste do Pacífico e o povo nuxalk, do Canadá, usavam as fibras desses líquens. As fibras serviam como fraldas, curativos e ataduras, além de cabelos falsos decorativos em máscaras de dança. Em áreas do interior do Alasca e do Canadá, algumas pessoas teciam ponchos e calçados com essas fibras, considerados inferiores aos feitos de couro.
Por ser sensível à poluição, a espécie é usada para monitorar a qualidade do ar. Como não tem partes caducas nem raízes, acumula poluentes presentes no ar, refletindo as mudanças atmosféricas. Por isso, é frequentemente coletada para análise dos elementos presentes em seus tecidos.
Curiosidades
- Os nitinaht, do Canadá, usavam este líquen e espécies de Usnea para cobrir feridas, segundo Turner e colaboradores (1983).
Fotos
Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Alexis Tinker-Tsavalas via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Kalvin Chan via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Barrett Coller Jr. via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Jason Alexander via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.
Ecologia e classificação
Classificação
- Filo
- Ascomycota
- Classe
- Lecanoromycetes
- Ordem
- Lecanorales
- Família
- Parmeliaceae
- Gênero
- Alectoria
- Espécie
- Alectoria sarmentosa
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract



