As larvas de Melolontha melolontha podem permanecer enterradas no solo durante três a quatro anos antes de emergirem como adultos, num dos ciclos de vida mais longos entre os insetos europeus comuns. Este escaravelho pertence à família Scarabaeidae e é nativo da Europa, onde é também conhecido por nomes populares que remetem ao seu voo nas noites de maio.
Sem estatuto especial de conservação atribuído, a espécie é sobretudo conhecida pelo seu zumbido característico ao anoitecer e pelo impacto que as suas larvas podem causar em terrenos agrícolas, tornando-a um caso de estudo sobre o equilíbrio entre inseto comum e praga ocasional.
Identificação e Aparência
O traço mais distintivo de Melolontha melolontha é a combinação de uma cabeça e um protórax (pronoto) totalmente negros, cobertos por pelos curtos, com élitros castanho-avermelhados nas costas — uma coloração que o distingue da espécie próxima Melolontha hippocastani, cujo pronoto é castanho. Os adultos medem entre 25 e 30 milímetros de comprimento, com um abdómen negro parcialmente branco nas laterais.
As antenas, em forma de leque, permitem distinguir os sexos: os machos possuem sete lamelas achatadas, enquanto as fêmeas têm apenas seis. Esta diferença também se reflete no comportamento, já que os machos usam essas estruturas sensoriais mais desenvolvidas para localizar as fêmeas através de compostos químicos libertados pelas folhas.
As larvas passam por três estádios de desenvolvimento ao longo de três a quatro anos (por vezes um quarto estádio em partes do Leste europeu). No primeiro estádio medem entre 10 e 20 milímetros, crescendo para 30 a 35 milímetros no segundo ano e atingindo 40 a 46 milímetros no estádio final. Têm corpo esbranquiçado, curvado em forma de C, extremidade abdominal escurecida, cabeça castanha robusta com mandíbulas fortes e antenas grandes em forma de leque, maiores nos machos do que nas fêmeas.
Distribuição e Habitat
Melolontha melolontha ocorre predominantemente em regiões temperadas da Europa, onde encontra solos macios e sombreados adequados ao desenvolvimento das larvas. É frequente em terrenos agrícolas, zonas suburbanas, savanas, pastagens e florestas, sempre associado a condições de solo favoráveis.
Fora da Europa, a espécie também foi registada em partes da Ásia, incluindo a Turquia e a região do Cáucaso. Barreiras geográficas, condições climáticas e fatores ecológicos limitam a sua dispersão — por exemplo, não ocorre nas regiões montanhosas do Tirol, pois não sobrevive às altitudes elevadas e às baixas temperaturas dos Alpes durante o inverno.
Os adultos têm capacidade de voo limitada, não se afastando mais de dois a três quilómetros do local onde emergiram, permanecendo geralmente próximos dos campos ou pastagens onde nasceram. Os padrões de observações ao longo do ano sugerem uma presença muito mais marcada na primavera, coincidindo com o período de emergência e voo dos adultos, embora esses registos reflitam apenas presença e não a abundância real da população.

Comportamento e Modo de Vida
Ao anoitecer, nas noites de primavera, os machos de Melolontha melolontha reúnem-se em enxames ruidosos junto às copas das árvores, zumbindo e por vezes atraídos pelas luzes das casas, enquanto as fêmeas permanecem em ramos e troncos a alimentar-se. Este comportamento noturno e crepuscular é interrompido pelo inverno, período em que tanto larvas como adultos recorrem à hibernação no solo.
A localização de parceiros depende de um sistema químico duplo e raro entre os insetos: as fêmeas libertam toluquinona, uma feromona sexual, cuja atração é reforçada por compostos verdes voláteis libertados pelas folhas onde elas se alimentam. Apenas os machos são sensíveis a esses compostos foliares, especialmente a concentrações baixas, o que reflete diferenças anatómicas nas suas antenas — tornando esta espécie o primeiro inseto conhecido a necessitar simultaneamente de feromona sexual e de voláteis vegetais para o acasalamento.
As larvas, por seu turno, passam a maior parte da vida sob o solo, roendo raízes de gramíneas, cereais e outras culturas, interrompendo a alimentação apenas para hibernar em profundidade. Usam estruturas antenares chamadas lamelas para detetar dióxido de carbono e voláteis das plantas, e também parecem provar o solo através de sensilas semelhantes a cerdas. O seu intestino abriga enzimas e microrganismos capazes de neutralizar certas toxinas vegetais e bacterianas, permitindo-lhes explorar diferentes fontes de alimento subterrâneo. Acima de 1000 larvas por metro quadrado, os danos causados ao solo tornam-se evidentes, sendo o segundo estádio larvar o que mais prejudica culturas como o morango.
Dieta e Nutrição
Os adultos de Melolontha melolontha alimentam-se das folhas de árvores decíduas e de árvores de fruto, com preferência por carvalhos, bordos, castanheiros, faias, ameixeiras e nogueiras, voando individualmente em busca de alimento durante abril e maio. Em grandes populações, podem causar danos notáveis à folhagem, mas é sobretudo nas fases larvares que o impacto se torna mais sério.
As larvas são herbívoras e folívoras de raízes, alimentando-se de forma indiscriminada: roem raízes de cereais, gramíneas, árvores e beterraba, podendo deslocar-se até 30 centímetros por dia enquanto consomem grandes secções de radículas das culturas. Preferem raízes frescas e recém-formadas, evitando geralmente matéria orgânica em decomposição.
Essa dieta subterrânea prolongada, ao longo de vários anos de desenvolvimento, é a principal razão pela qual as larvas — e não os adultos — são consideradas a praga agrícola mais relevante associada à espécie.
Reprodução e Ciclo de Vida
O ciclo reprodutivo de Melolontha melolontha é longo e regulado por uma combinação de hormonas e fatores ambientais, como a hora do dia e a estação do ano. Os machos saem do solo quando a temperatura se torna favorável, em abril ou maio, e começam a formar enxames ao anoitecer junto às árvores, enquanto as fêmeas permanecem no local a alimentar-se até atingirem a maturidade sexual.
As fêmeas libertam feromonas potentes que os machos detetam através das suas grandes antenas. O acasalamento ocorre tipicamente no final de maio e início de junho, podendo durar várias horas, e os machos procuram parceiras durante cerca de dez a vinte dias.
Após a cópula, as fêmeas regressam aos campos e depositam os ovos entre 15 e 25 centímetros de profundidade no solo, em lotes de dez a 38 ovos, permanecendo dois a quatro dias junto ao local para os proteger. Apenas cerca de um terço das fêmeas sobrevive a esta viagem, mas as sobreviventes podem realizar um segundo, e por vezes um terceiro, voo de postura. O tempo de maturação dos ovos varia com a temperatura: entre cinco e oito dias a 27°C, mas entre 23 e 32 dias a 32°C.
Os machos atingem a maturidade sexual reprodutiva por volta dos três anos de idade. As larvas eclodem de quatro a seis semanas após a postura e iniciam de imediato a sua longa fase subterrânea de desenvolvimento, que se prolonga por três a quatro anos até à emergência como adultos.
População e Papel Ecológico
A ocorrência e o comportamento de Melolontha melolontha em ambientes florestais são fortemente influenciados por fatores ambientais como a temperatura do solo, a humidade e o tipo de vegetação: temperaturas mais quentes e maior humidade favorecem a presença dos adultos, mas condições excessivamente secas prejudicam as larvas, provocando a sua dessecação. Árvores e arbustos decíduos oferecem habitats particularmente adequados à sobrevivência e reprodução da espécie.
A toupeira-europeia é um predador natural importante, localizando as larvas através do olfato apurado e de um comportamento de escavação especializado, ajudando a regular as populações em áreas onde está presente. Os adultos são predados por besouros carabídeos e formigas, enquanto as larvas sofrem predação subterrânea por elaterídeos e, após a lavra dos campos, por estorninhos, corvos e gaivotas.
A mosca parasitoide Dexia rustica representa outra pressão importante sobre a população: os seus ovos eclodem no solo e as larvas procuram hospedeiros em hibernação, matando-os na primavera seguinte. A cerca de 30 a 35 centímetros de profundidade, mais de dez por cento das larvas podem estar parasitadas por uma a seis larvas desta mosca.
Conservação e Ameaças
Melolontha melolontha não possui estatuto especial de conservação, segundo a Lista Vermelha da IUCN, a lista federal dos Estados Unidos ou a CITES, o que reflete uma situação de ausência de preocupação conservacionista significativa para a espécie em escala ampla.
Ainda assim, a espécie enfrenta pressões naturais relevantes, incluindo predação por toupeiras, aves, besouros carabídeos e elaterídeos, além do parasitismo por moscas do género Dexia, fatores que ajudam a regular naturalmente as suas populações em diferentes regiões.
Significado Cultural
Nenhum benefício positivo direto para os humanos foi atribuído ao besouro-de-maio comum, mas a espécie tem uma presença cultural antiga e variada. Desde a Antiguidade, crianças brincam com estes besouros: na Grécia antiga, rapazes prendiam um fio de linho às patas do inseto para o verem voar em espiral, e em tempos vitorianos os meninos ingleses faziam algo semelhante com um alfinete através da asa. Nikola Tesla relatou ter construído, em criança, um "motor" feito com quatro destes besouros atrelados.
O inseto aparece em contos de fadas como "Thumbelina", de Hans Christian Andersen, e "Princesa Rosette", de Madame d'Aulnoy, bem como numa canção infantil alemã, Maikäfer flieg!, cuja letra remonta à Guerra dos Trinta Anos e que voltou a ser popular durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Quatro navios da Marinha Real britânica receberam o nome HMS Cockchafer, e entre 1750 e 1780 um enfeite decorativo de vestidos femininos, inspirado nas antenas em leque do besouro, era conhecido como "sobrancelhas de besouro-de-maio".
Existe ainda uma sopa europeia tradicional preparada com este besouro, conhecida simplesmente como sopa de besouro-de-maio.
Curiosidades
- Melolontha melolontha é geneticamente mais próxima de uma população ancestral comum com Melolontha hippocastani do que esta última é entre as suas próprias populações, segundo um estudo genético de 2024.
- O nome do género Melolontha foi inicialmente atribuído por Étienne Louis Geoffroy em 1762, mas essa obra foi rejeitada pela Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, sendo a autoria oficial atribuída à publicação posterior de Johan Christian Fabricius, em 1775.
- Historicamente, o uso de insetos como alimento em diferentes culturas já era discutido por autores como Aldrovandi, no século XVII, e Erasmus Darwin, por volta de 1800.
Fotos
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Ecologia e classificação
Comportamento
- Noturno
- Hibernante
- Crepuscular
Dieta
- Herbívoro
Classificação
- Filo
- Arthropoda
- Classe
- Insecta
- Ordem
- Coleoptera
- Família
- Scarabaeidae
- Gênero
- Melolontha
- Espécie
- Melolontha melolontha
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet



