O nome comum deste cogumelo vem do Dia de São Jorge, no Reino Unido, época em que costuma surgir nos campos ingleses. No sul da Inglaterra, na região de South Downs, a espécie forma enormes anéis de fadas que parecem ter várias centenas de anos.
É um fungo da família Lyophyllaceae, anteriormente classificado dentro do género Tricholoma. Ocorre em pradarias e campos herbáceos da Europa e está classificado pela IUCN como Pouco Preocupante, não enfrentando ameaças significativas.
Além do seu valor culinário histórico, a espécie destaca-se pela ligação a tradições agrícolas e a calendários sazonais em várias regiões europeias, funcionando como um marcador natural da chegada da primavera.
Corpo de Frutificação e Identificação
A identificação mais fiável de Calocybe gambosa passa pelo chapéu, que mede entre 5 e 15 centímetros de diâmetro, com superfície lisa mas marcada por sulcos irregulares. A cor varia do branco ao creme, um tom que se repete tanto no pé como na carne.
As guelras são sinuosas, brancas e muito apertadas entre si. O pé é curto e robusto, mais largo na base, o que dá ao cogumelo um aspeto compacto e maciço. A carne é densa e macia, com um odor característico a farinha ou a pepino, e a esporada é branca.
Distribuição e Habitat
Calocybe gambosa ocorre em pradarias e campos herbáceos de toda a Europa, com preferência por solos ricos em calcário. É especialmente comum nas ilhas suecas de Öland e Gotland, no mar Báltico.
A época de frutificação varia com o clima: na Itália surge já em março, dando origem ao nome regional marzolino ou prugnolo; no Reino Unido aparece entre abril e junho, mais tarde nas regiões mais frias.
Os registos de observação disponíveis mostram uma concentração muito marcada entre abril e junho, com um pico em maio — o que reflete presença sazonal e não deve ser interpretado como medida de abundância ou do alcance completo da espécie.

Usos e História Cultural
Embora seja semelhante a algumas espécies venenosas, Calocybe gambosa é consumido cozinhado, em conserva e, segundo relatos, até mesmo cru. A procura é tal que o cogumelo é importado comercialmente da Roménia, da Hungria e da Turquia para abastecer mercados europeus.
Já na Idade Média era motivo de grande prestígio: em 1569, o naturalista Costanzo Felici descreveu-o como o cogumelo mais caro e mais apreciado nas regiões italianas da Úmbria e das Marches. Em 1777, Giovanni Targioni Tozzetti registou o mesmo prestígio nos Apeninos — na Ligúria, na Toscana e em Emília-Romanha —, onde ainda hoje é consumido localmente.
No País Basco, no norte de Espanha, Calocybe gambosa atinge preços muito elevados. Em Álava, é tradicionalmente comido no dia de Santo Prudêncio, a 28 de abril, junto com caracóis, e em Bilbau é ingrediente central da gastronomia local, servido normalmente em omelete. A procura basca é tão alta que o cogumelo tem de ser importado da Europa Oriental.
Curiosidades
- O nome do género, Calocybe, deriva do grego antigo kalos ('belo') e kybos ('cabeça'), uma referência ao aspeto atraente do chapéu.
- O epíteto gambosa vem do latim gambosus, que significa 'de perna grossa', aludindo ao pé robusto e por vezes irregular do cogumelo.
- Na Alemanha é conhecido popularmente como Maipilz ('cogumelo de maio'), reforçando a sua ligação ao início da primavera.
- Para além do seu valor gastronómico, o cogumelo mantém um significado cultural como marcador da mudança de estação, associado a práticas tradicionais de recoleção e de cuidado da terra.
Status de conservação
- LC
- NT
- VU
- EN
- CR
Pouco preocupante
Ecologia
Habitat
- Pradaria



