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Flamingo-comum

Phoenicopterus roseus

Pouco preocupante

O flamingo-comum é a maior e mais amplamente distribuída espécie da família dos flamingos, podendo ser encontrado desde as costas do norte da África até o subcontinente indiano e o sul da Europa.

Pertencente à família Phoenicopteridae, é uma ave aquática classificada pela IUCN como Pouco Preocupante. Sua presença em paisagens áridas e alcalinas, formando bandos imensos de coloração rosada, faz dela uma das aves mais reconhecíveis do mundo.

Identificação e Aparência

O traço mais marcante do flamingo-comum é sua plumagem rosada-esbranquiçada combinada com pernas e bico igualmente cor-de-rosa, o que o torna inconfundível mesmo à distância. É a maior espécie viva de flamingo, com cerca de 110 a 150 cm de altura e peso entre 2 e 4 kg, em média por volta de 2,5 kg.

As coberteiras das asas são vermelhas, enquanto as penas de voo primárias e secundárias são pretas, visíveis principalmente em voo. O bico é rosado com a ponta preta restrita, e as pernas são inteiramente rosadas. O canto lembra o grasnado de um ganso.

Os filhotes nascem cobertos por uma penugem cinzenta e fofa, e os indivíduos subadultos apresentam plumagem mais pálida e pernas escuras. Mesmo adultos que alimentam filhotes podem ficar mais pálidos, embora mantenham as pernas rosa-vivo.

A coloração rosada vem de pigmentos carotenoides obtidos na dieta e também de secreções da glândula uropigiana, ricas em carotenoides. Durante a época de reprodução, os flamingos aumentam a frequência com que espalham essas secreções sobre as penas, intensificando a cor — um comportamento descrito como uma espécie de "maquiagem" natural.

Distribuição e Habitat

O flamingo-comum ocupa uma amplitude altitudinal enorme, do nível do mar a 4.500 metros, habitando águas rasas de lagoas, lagos, estuários e praias lamacentas com alta salinidade ou alcalinidade, por vezes com pH de até 11. Também é visto perto de estações de tratamento de esgoto, represas, arrozais, ilhas baixas, baías marinhas e pântanos salgados, e, na África, próximo a fontes termais.

Geograficamente, distribui-se pelo norte da África (Argélia, Egito ao longo do Nilo, Líbia, Marrocos e Tunísia), por partes da África Subsaariana (Quênia, Madagascar, Ruanda, Tanzânia, Uganda), pelo sul da Ásia (Bangladesh, Índia, Paquistão e Sri Lanka costeiros), pela Ásia Ocidental (incluindo Barein, Chipre, Iraque, Irã, Omã, Israel, Palestina, Kuwait, Líbano, Catar e Emirados Árabes Unidos) e pelo sul da Europa (Albânia, Bulgária, Croácia, França — na Camargue e na Córsega —, Grécia, Itália, Eslovênia, Malta, Mônaco, Montenegro, Macedônia do Norte, Portugal, Espanha e Ilhas Baleares, e Turquia).

As populações reprodutoras mais setentrionais encontram-se na Reserva Natural de Korgalzhyn, junto ao lago Tengiz, no centro do Cazaquistão, onde várias milhares de casais nidificam. No Golfo de Gujarat, na Índia, os flamingos podem ser observados durante todo o inverno em santuários como Nal Sarovar e Thol. Há ainda uma pequena população feral na Alemanha ocidental, em Zwillbrocker Venn, originada de aves escapadas de zoológicos.

Registros de observação ao longo do ano mostram presença relativamente constante da espécie, sem indicar abundância populacional, apenas a ocorrência contínua em suas áreas de distribuição.

Mapa dos registros de ocorrência de Phoenicopterus roseus
Onde foi registrado · GBIF
58.910
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

O flamingo-comum é extremamente social, viajando em grupos que podem chegar a milhares de indivíduos e comunicando-se por sinais sonoros e visuais. Os bandos deslocam-se constantemente em busca de locais com recursos adequados, sobretudo durante a época de reprodução.

Como se alimenta no fundo da água, a espécie depende de níveis baixos de água e muda de localização conforme as condições de alimentação variam. Não possui território fixo: é uma ave nômade que percorre uma área vasta ao longo do ano, sem demonstrar uma estrutura social hierárquica definida além da sincronia reprodutiva do bando.

Os jovens são mantidos juntos em crèches. Curiosamente, adultos que supervisionam essas crèches tendem a ser hostis com filhotes que não pertencem ao seu grupo, mas não demonstram agressividade com outros filhotes quando já cuidam de crias próprias.

Ocasionalmente, o flamingo-comum forma bandos mistos com o flamingo-anão (Phoeniconaias minor) na África Subsaariana.

Comunicação

O flamingo-comum é uma espécie ruidosa, produzindo um cacarejo alto e constante, além de um murmúrio baixo quando se alimenta. Pesquisas indicam que os indivíduos conseguem diferenciar chamados distintos com base em padrões temporais e de frequência sonora.

Próximo à época reprodutiva, os bandos realizam demonstrações coletivas elaboradas que estimulam hormonalmente todo o grupo, sincronizando o acasalamento. Entre os comportamentos de corte estão o "head flagging", o "wing saluting", o "twist preening" e o alongamento de asas e pernas.

Além dos sinais visuais e acústicos, a comunicação também envolve sinais químicos, complementando o repertório social da espécie.

Alimentação por Filtração

O flamingo-comum alimenta-se por meio de um sistema de filtração extremamente sofisticado entre as aves, possibilitado por um bico raso e recurvado com um mecanismo interno de filtragem e bombeamento. Para se alimentar, a ave curva o pescoço de modo que a cabeça fique de cabeça para baixo na água, usando o bico para escavar a lama do fundo.

Desse processo resulta uma dieta baseada em organismos típicos do sedimento: algas, diatomáceas, crustáceos, larvas de insetos e moluscos, além de camarões de salmoura (Artemia salina) e larvas de quironomídeos, também chamadas de "moscas do lago". Em certas regiões, o arroz (Oryza sativa) também compõe a dieta.

As algas consumidas ajudam a manter os tons rosados da plumagem, já que fornecem os carotenoides responsáveis pela coloração. Em cativeiro, a falta desses pigmentos na alimentação pode impedir que as aves mantenham a cor característica, além de contribuir para lesões nos pés.

Na natureza, a escassez de alimento durante a fase de filhote pode estar associada a variações no gene do receptor de dopamina D4, ligadas a uma condição corporal inicial mais fraca. A poluição da água também afeta a disponibilidade de alimento, pois contaminantes se acumulam no sedimento onde a espécie forrageia.

Nidificação e Reprodução

A reprodução do flamingo-comum começa com elaboradas demonstrações coletivas de corte, que estimulam hormonalmente todo o bando e sincronizam o início do período reprodutivo. As demonstrações incluem versões exageradas de alongamentos e preening, além de marchas e giros conjuntos entre os indivíduos.

A espécie é poligâmica e promíscua, podendo trocar de parceiro entre uma temporada e outra, com preferência por parceiros mais velhos e experientes — o que leva a pares geralmente formados por indivíduos de idade semelhante. A complexidade da demonstração de corte de um indivíduo aumenta até cerca dos 20 anos de idade, quando começa a diminuir, servindo como indicativo de idade e vigor.

O casal constrói um ninho de lama e outros materiais, geralmente em uma ilha ou na margem de um lago; o montículo endurece ao sol e tem um centro côncavo para um único ovo. A incubação dura de 27 a 31 dias, com macho e fêmea revezando-se na tarefa — observações em cativeiro sugerem que os machos participam mais ativamente da incubação e da proteção do ninho. Se os recursos no local forem insuficientes, os pais podem abandonar o ovo e recomeçar a nidificação em outro lugar.

Após a eclosão, o filhote é alimentado com o chamado "leite de papo" por ambos os pais e, pouco depois, é colocado em uma crèche vigiada por adultos não reprodutores. O período de emplumamento dura de 65 a 90 dias, ao fim do qual o bico do jovem assume a forma curva característica dos adultos, permitindo-lhe alimentar-se sozinho no fundo da água. A maturidade sexual só é atingida entre 5 e 6 anos de idade, e a espécie não se reproduz mais de uma vez por ano.

População e Papel Ecológico

O flamingo-comum hospeda diversas espécies de piolhos mastigadores, como Colpocephalum heterosoma, Triniton femoratum, Anaticola phoenicopteri e Anatoecus pygaspis, entre outros parasitas de penas específicos da subespécie eurasiática.

Como põe um único ovo calcário sobre um montículo de lama, a espécie tem poucos predadores naturais na fase adulta, mas ovos e filhotes são vulneráveis a aves de rapina, corvos, gaivotas e ao marabu (Leptoptilos crumenifer). Na região do Mediterrâneo, estima-se que a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) seja responsável por cerca de metade da predação sobre ovos e filhotes.

Conservação e Ameaças

O flamingo-comum é classificado pela IUCN como Pouco Preocupante, uma categoria que reflete sua ampla distribuição e a ausência de declínio populacional crítico. Ainda assim, a espécie sofre pressões ligadas à poluição das águas onde se alimenta.

Uma das ameaças documentadas é o acúmulo de cinzas de soda, provenientes da mineração, em torno das pernas das aves, o que pode imobilizá-las e levar à morte por fome ou à predação. O envenenamento por chumbo, resultante da ingestão de fragmentos de munição, também é uma causa de mortalidade registrada, assim como a exposição a outros metais pesados e poluentes.

Bactérias, toxinas e poluição nas águas, geralmente provenientes de efluentes industriais, somam-se ao avanço humano sobre seus habitats como principais ameaças à espécie. Em contrapartida, programas de reprodução em cativeiro têm obtido sucesso: o Zoo Basel registrou a primeira eclosão em zoológico em 1959 e, desde 2000, tem produzido entre 20 e 27 filhotes por ano, totalizando mais de 400 aves nascidas no programa.

Pouco preocupante

Significado Cultural

O flamingo-comum está associado a um dos mitos mais duradouros do mundo antigo: a fênix. Na mitologia egípcia, o pássaro Bennu, ligado ao culto solar do deus Rá, era descrito em textos hieroglíficos do Templo de Rá em Heliópolis como renascendo da árvore sagrada de pérsea a cada 1.461 anos.

Os grandes bandos rosados e avermelhados desses flamingos, vistos em voo migratório sobre paisagens desérticas, teriam inspirado visualmente a imagem da fênix em culturas do Mediterrâneo e do Oriente Médio, sendo comparados pelos antigos observadores a nuvens de fogo vivo.

Além de seu papel simbólico, o flamingo-comum também tem uso prático em algumas regiões: no Oriente Médio e no norte da África, é por vezes caçado e vendido em mercados, e seus ovos são coletados com fins comerciais.

Curiosidades

  1. A cor rosada do flamingo-comum vem diretamente dos pigmentos carotenoides presentes em sua dieta e também de secreções da glândula uropigiana que ele espalha sobre as penas.
  2. A espécie pode viver, em registros de cativeiro, até 58,8 anos — uma longevidade excepcional entre as aves.
  3. Estudos genéticos associam variações no gene do receptor de dopamina D4 à condição corporal inicial dos filhotes em grandes populações da espécie.
  4. O flamingo-comum hospeda ao menos sete espécies distintas de piolhos de penas e piolhos mastigadores, incluindo várias exclusivas da subespécie eurasiática.

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Vsevolod Rudyi via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by jk6000 via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Emily Nyenyedzi Davies via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Léo Souillard via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Fabian Schwarz via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Cricket Raspet via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Alexander Bach via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by S. Menéndez via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Mourad Harzallah via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Comportamento

  • Social
  • Diurno
  • Semiaquático

Dieta

  • Filtradora

Classificação

Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Phoenicopteriformes
Família
Phoenicopteridae
Gênero
Phoenicopterus
Espécie
Phoenicopterus roseus

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract
  5. Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
  6. AnAge Longevity