O Cantharellus cibarius, conhecido como girolle, é a espécie-tipo de todo o género Cantharellus, servindo de referência para a identificação de todos os outros rebuçados-alaranjados do mundo.
Trata-se de um fungo do reino Fungi, pertencente à classe Agaricomycetes, à ordem Cantharellales e à família Hydnaceae. Distribui-se por florestas de folha caduca e coníferas, sobretudo na Europa.
O seu aroma a damasco e o chapéu dourado em forma de funil tornaram-no num dos cogumelos silvestres mais procurados e valorizados da Europa, com uma longa tradição de recolha que atravessa gerações.
Corpo de Frutificação e Identificação
A característica mais fiável para reconhecer o Cantharellus cibarius é o seu chapéu em forma de funil ou cálice, de cor amarela a amarelo-escuro, com 3 a 15 centímetros de largura. O corpo de frutificação atinge entre 5 e 10 centímetros de altura, e a margem do chapéu apresenta-se frequentemente ondulada e irregular.
Quando a superfície é danificada ou pressionada, surgem manchas avermelhadas na carne, um sinal útil de identificação no campo. O aroma e o sabor são discretamente frutados, evocando damasco, uma característica sensorial distintiva desta espécie. A esporada é de tom amarelado.
Com a idade, o chapéu tende a aplanar-se e a aprofundar a sua forma de funil, tornando a superfície inferior, onde se encontram as pregas em vez de lamelas verdadeiras, mais visível e descendente ao longo do pé.
Distribuição e Habitat
O Cantharellus cibarius ocorre na Europa, desde a Escandinávia até à bacia do Mediterrâneo, associado principalmente a florestas de folha caduca e de coníferas. Em algumas regiões, a espécie foi registada exclusivamente em bosques de sobreiros e outros carvalhos, sugerindo uma ligação estreita a certas árvores hospedeiras.
A frutificação ocorre tipicamente entre junho e dezembro, com um padrão sazonal bem marcado. Os registos de observação mostram uma concentração muito acentuada nos meses de julho, agosto e setembro, período em que o número de avistamentos é várias vezes superior ao do resto do ano.
Esses dados de observação, contudo, refletem apenas a presença registada da espécie e não devem ser interpretados como uma medida de abundância, de tamanho populacional ou do seu território nativo completo.

Usos e História Cultural
Na Europa, o Cantharellus cibarius é colhido tradicionalmente do final do verão ao final do outono, período que corresponde ao pico da sua frutificação. É um dos cogumelos silvestres mais apreciados na cozinha, usado numa grande variedade de pratos culinários.
Os exemplares mais aquosos deterioram-se com maior facilidade, por isso a conservação costuma ser feita por secagem ou congelamento. A secagem em forno não é recomendada, pois tende a tornar o cogumelo amargo, um cuidado prático transmitido entre quem o recolhe regularmente.
Curiosidades
- O nome Cantharellus deriva do latim cantharellus, diminutivo de cantharus (do grego antigo kantharos, uma taça de beber), numa alusão à forma de funil ou cálice do chapéu.
- O epíteto cibarius vem do latim cibus, que significa alimento, destacando o reconhecimento histórico da espécie como comestível.
- Foi o micologista sueco Elias Magnus Fries quem estabeleceu este nome em 1821, na obra Systema Mycologicum, descrevendo a espécie a partir de exemplares europeus e designando-a como espécie-tipo do género Cantharellus.
- O fungo mantém uma relação micorrízica forte tanto com árvores de folha larga como com coníferas, associando-se às raízes destas árvores no solo florestal.
- Em países com forte tradição de recolha silvestre, como a Polónia, a Letónia e a Finlândia, o conhecimento para identificar este cogumelo é transmitido entre gerações dentro das famílias, integrando receitas tradicionais mantidas há muito tempo.
Ecologia
Habitat
- Floresta
- Bosque



