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Cardinalis cardinalis

Cardinalis cardinalis

Sem nome popular registrado

LCPouco preocupante
Ave de porte médio empoleirada em um ramo, com plumagem vermelha viva, máscara facial negra ao redor dos olhos, crista pontiaguda erguida e bico curto em forma de cone, na cor coral.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Medidas

Peso
0,041–0,041 kg
Expectativa de vida
≤ 28,5 anos
Classificação
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Cardinalidae
Gênero
Cardinalis
Espécie
Cardinalis cardinalis

Para além da plumagem vermelha que a tornou um símbolo popular, Cardinalis cardinalis é a ave-estado oficial de sete estados dos EUA — Illinois, Indiana, Kentucky, Carolina do Norte, Ohio, Virgínia e Virgínia Ocidental —, mais do que qualquer outra espécie no país.

Trata-se de um passeriforme da família Cardinalidae, residente no sudeste do Canadá, no leste dos Estados Unidos, no México, em Belize e na Guatemala, com populações introduzidas nas Bermudas desde 1700 e no Havaí desde 1929. Ocupa bordas de mata, jardins, áreas arbustivas e zonas húmidas, e é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Vale a pena conhecer também os hábitos territoriais da espécie — incluindo machos que atacam o próprio reflexo — e o repertório vocal elaborado que ambos os sexos compartilham, algo pouco comum entre as aves norte-americanas.

Identificação e Aparência

O traço mais útil para identificar o macho adulto é a combinação de plumagem vermelha intensa, máscara facial negra que se estende até o peito e uma crista alta e pontiaguda, acompanhada por um bico grosso, cônico e de cor coral brilhante.

É uma ave de porte médio, com 21 a 23,5 cm de comprimento e envergadura de 25 a 31 cm. O peso varia entre 33,6 e 65 g, com média de 44,8 g; os machos tendem a ser ligeiramente maiores do que as fêmeas.

A fêmea adulta é castanho-acinzentada, com um leve tom avermelhado nas asas, na crista e na cauda, e uma máscara facial cinza a negra, menos definida do que a do macho. Os juvenis, de ambos os sexos, assemelham-se à fêmea adulta até o outono, quando trocam as penas: são castanhos por cima e castanho-avermelhados por baixo, com crista, testa, asas e cauda em tom de tijolo, patas cor de rosa-acastanhado escuro e íris castanha.

A coloração vermelha do macho resulta de pigmentos carotenoides obtidos na dieta, que a ave metaboliza transformando pigmentos amarelos em vermelhos. Machos alimentados apenas com pigmentos amarelos tornam-se de um vermelho pálido, e os raros indivíduos do morfo amarelo, que não possuem essa enzima conversora, exibem bico e penas amarelas, mantendo apenas a máscara facial negra.

Distribuição e Habitat

A distribuição nativa de Cardinalis cardinalis estende-se pelo sudeste do Canadá — sul de Ontário, Quebeque, Nova Brunswick e Nova Escócia, até a Ilha do Cabo Bretão — e por todo o leste dos Estados Unidos, do Maine e Minnesota até a fronteira entre o Texas e o México, incluindo o Novo México, o sul do Arizona e o sul da Califórnia. Para o sul, a espécie ocorre no México até o Istmo de Tehuantepec, no norte da Guatemala e no norte de Belize, com uma população isolada na vertente do Pacífico mexicano, entre Jalisco e Oaxaca.

Foi introduzida nas Bermudas em 1700 e, mais tarde, em todas as principais ilhas do Havaí, a partir de 1929.

A espécie prefere bordas de mata, sebes vivas e a vegetação ao redor de casas, além de jardins, áreas arbustivas, zonas húmidas e ambientes suburbanos e agrícolas, evitando áreas de floresta densa e contínua. Historicamente, era considerada rara na Nova Inglaterra em 1929; por volta de 1955 já era descrita como avançando para o norte, e dados de observadores mostram crescimento rápido da população em Massachusetts desde 1960, sobretudo em zonas onde vegetação densa se alterna com áreas abertas.

Os registos mensais de observação mostram um pico entre abril e maio, seguido de queda gradual até o final do ano. Como se trata de dados de presença e não de abundância, esse padrão deve ser interpretado com cautela: é provável que reflita maior atividade de canto e visibilidade durante a época reprodutiva, e não uma migração, já que a espécie é residente durante todo o ano.

Mapa dos registros de ocorrência de Cardinalis cardinalis
Onde foi registrado · GBIF
4.229.969
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Cardinalis cardinalis não é migratória: mantém-se residente durante todo o ano em seu território, sendo mais ativa ao amanhecer e ao entardecer.

Durante a época reprodutiva, os machos tornam-se fortemente territoriais, cantando de posições elevadas em árvores para afastar outros machos e, por vezes, atacando repetidamente o próprio reflexo em superfícies espelhadas, confundindo-o com um invasor. O canto é aprendido e varia regionalmente, havendo maior semelhança de sílabas entre vizinhos próximos do que entre indivíduos distantes. Os pares reprodutores costumam permanecer juntos e deslocar-se em conjunto, e no inverno a espécie forma bandos e dorme em grupo; um estudo no norte do Kentucky estimou territórios de inverno com cerca de 0,212 km².

Para enfrentar o frio, a ave eriça as penugens para reter o ar quente junto ao corpo, treme e contrai os músculos peitorais para gerar calor, podendo ainda reduzir a própria temperatura corporal entre 1,7 e 3,3 °C quando necessário para sobreviver a temperaturas baixas.

Comunicação

O canto é o principal meio de comunicação: tanto machos como fêmeas emitem frases assobiadas, altas e claras, repetidas várias vezes e depois variadas, descritas como "whoit whoit whoit", "whacheer whacheer", "cheeeer-a-dote, cheeer-a-dote-dote-dote" ou "purdy, purdy, purdy... whoit, whoit, whoit". Servem tanto para defender o território como para atrair e cortejar parceiros.

Além do canto, a espécie usa um chamado de alarme curto e metálico, o "chip", geralmente emitido quando predadores se aproximam do ninho, alertando a fêmea e os ninhegos. Sinais visuais complementam a comunicação vocal, como o abrir e fechar rápido da cauda e o erguer e baixar da crista em situações de alerta.

Curiosamente, embora o ouvido humano não consiga distingui-los, os cantos de machos e fêmeas são sexualmente dimórficos, provavelmente devido a diferenças hormonais entre os sexos. Os ninhegos, por sua vez, vocalizam para atrair os pais logo após nascer, mas com o tempo passam a responder apenas à presença ou ao canto dos progenitores.

Dieta e Nutrição

Cerca de 90% da dieta de Cardinalis cardinalis é composta por sementes de plantas daninhas, grãos, frutos e sementes de girassol, além de insetos; a espécie prefere sementes fáceis de descascar, mas é observada com menos seletividade durante o inverno, quando o alimento escasseia.

Seu comportamento alimentar pode ser oportunista: há um registo de um indivíduo alimentando-se da carcaça de um chapim-de-capuz-preto morto, num dia frio e nevado.

Os filhotes, no entanto, recebem uma dieta quase exclusivamente à base de insetos, bem diferente da dieta majoritariamente granívora e frugívora dos adultos, refletindo a maior necessidade de proteína durante o crescimento.

Nidificação e Reprodução

O acasalamento em Cardinalis cardinalis começa no início da primavera, com uma série de exibições físicas do macho, incluindo a alimentação de corte, em que ele oferece comida à fêmea bico a bico. Os pares são serialmente monogâmicos e podem permanecer juntos por várias temporadas, embora cópulas extraconjugais sejam frequentes — estudos genéticos encontraram entre 9% e 35% dos ninhegos gerados fora do par principal, e a poliginia ocorre ocasionalmente.

A fêmea constrói o ninho em forma de taça, escondido em arbustos densos, pequenas árvores ou emaranhados de trepadeiras, entre 1 e 3 m do solo, num processo que leva de três a nove dias. O ninho tem quatro camadas: galhos grossos na base, uma camada de folhas, casca de videira quando disponível e, por fim, gramíneas, caules e agulhas de pinheiro.

Cada ninhada tem entre 1 e 5 ovos, geralmente 3, brancos com tons esverdeados, azulados ou acastanhados e manchas de cor lavanda, cinza ou castanho, medindo cerca de 26 por 19 mm. A incubação, feita exclusivamente pela fêmea enquanto o macho lhe traz alimento, dura entre 11 e 13 dias, e a fêmea choca os filhotes durante os primeiros dois dias após a eclosão.

Os filhotes nascem nus, cegos e imóveis, ganhando cerca de 2 a 3 g por dia e as primeiras penas apenas entre o quarto e o quinto dia. Ambos os pais alimentam-nos com insetos e removem os sacos fecais do ninho. Deixam o ninho entre 7 e 13 dias após a eclosão (em média 9,5 dias), mas continuam a ser alimentados pelos pais por mais 25 a 56 dias. A espécie cria normalmente duas ninhadas por ano, entre março e setembro, sendo a segunda frequentemente parasitada por vaqueiros-de-cabeça-castanha; os jovens juntam-se depois a bandos de outros juvenis e podem começar a reproduzir-se já na primavera seguinte.

População e Papel Ecológico

Estima-se que existam cerca de 100 milhões de indivíduos de Cardinalis cardinalis em todo o mundo, com a população a ter crescido tanto em número como em área de distribuição ao longo dos últimos 200 anos, provavelmente devido à expansão de habitats favoráveis criados pela atividade humana, como jardins e áreas suburbanas.

Do ponto de vista ecológico, a espécie atua como dispersora de sementes e frutos, podendo influenciar a composição das comunidades vegetais onde ocorre. Serve também de presa a uma ampla variedade de predadores nativos, incluindo falcões, gaviões do género Accipiter, águias-de-cabeça-branca, águias-reais, algumas corujas e picanços; ovos e ninhegos são ainda alvo de cobras, gaios-azuis, corvos, esquilos, esquilos-listrados e gatos domésticos.

Ao criar involuntariamente filhotes de vaqueiros-de-cabeça-castanha que parasitam os seus ninhos, a espécie acaba por beneficiar as populações locais desse parasita de ninhada, e é ainda hospedeira de diversos parasitas internos e externos.

Conservação e Ameaças

A IUCN classifica Cardinalis cardinalis como Pouco Preocupante, um estatuto que reflete uma população numerosa e estável ou em crescimento, distribuída por uma área muito ampla, sem indícios de risco de extinção.

Não são identificadas ameaças de peso: a predação por espécies nativas e o parasitismo de ninhada por vaqueiros-de-cabeça-castanha são interações ecológicas normais, e não fatores de declínio.

Nos Estados Unidos, a espécie está protegida pela Lei do Tratado das Aves Migratórias de 1918, que torna ilegal capturar, matar ou possuir indivíduos; no Canadá, é abrangida pela Convenção para a Proteção das Aves Migratórias. Não consta em nenhum apêndice da CITES nem tem estatuto especial a nível federal nos EUA.

Status de conservação

  1. LC
  2. NT
  3. VU
  4. EN
  5. CR

Pouco preocupante

Significado Cultural

Na mitologia cherokee, o canto de Cardinalis cardinalis junto de uma casa anuncia a chegada próxima de visitas, mas se a ave entrar na própria casa, isso pode ser interpretado como sinal de morte, já que se acredita que ela transporta as almas dos falecidos. Outras lendas cherokee descrevem-na como filha do sol, capaz de prever o tempo, e associam-lhe ainda o significado de boa sorte.

O próprio nome "cardinal" deriva do latim cardinalis, termo usado para designar os cardeais da Igreja Católica, que vestem robes vermelhos vivos; no hinduísmo, a ave é associada ao chakra-raiz.

A imagem da espécie é hoje amplamente usada como mascote esportivo nos Estados Unidos, incluindo as equipas St. Louis Cardinals, da Major League Baseball, e Arizona Cardinals, da NFL, além de numerosas equipas universitárias. É a ave-estado de sete estados norte-americanos — mais do que qualquer outra espécie — e dá nome ao trem de passageiros Amtrak "Cardinal", que liga Chicago a Washington DC.

Curiosidades

  1. O indivíduo selvagem mais longevo já anilhado viveu pelo menos 15 anos e 9 meses, enquanto um exemplar em cativeiro chegou aos 28,5 anos de idade.
  2. Estima-se que a área de distribuição global da espécie cubra cerca de 5.800.000 km², impulsionada em parte pelo hábito humano de alimentar aves em comedouros de jardim.
  3. Um estudo realizado em Atlanta, na Geórgia, em 2016, descobriu que, ao contrário de muitas outras espécies de aves, Cardinalis cardinalis consegue suprimir biologicamente a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental.
  4. A taxa de sobrevivência anual estimada para adultos situa-se entre 60% e 65%.
  5. Nos Estados Unidos, matar, capturar ou possuir um indivíduo desta espécie é crime federal, com multas que podem chegar a 15.000 dólares e pena de até seis meses de prisão.
  6. No início do século XX, a espécie era considerada rara na Nova Inglaterra; observadores registaram o seu avanço constante para norte a partir da década de 1950, um dos exemplos documentados de expansão de área de distribuição ligada à urbanização.

Ecologia

Habitat

  • Zona Úmida
  • Bosque
  • Matagal
  • Pradaria

Comportamento

  • Territorial
  • Social
  • Diurno
  • Arborícola

Dieta

  • Onívora

Fotos

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Ave de porte médio empoleirada em um ramo, com plumagem vermelha viva, máscara facial negra ao redor dos olhos, crista pontiaguda erguida e bico curto em forma de cone, na cor coral.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of LifeAnimal Diversity WebAnAge