A carpa-comum pode viver até . Trata-se de um peixe de água doce da família Cyprinidae, que dá nome à família. Ocorre em lagos e grandes rios com águas eutrofizadas na Europa e na Ásia.
A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante (LC), o que indica que ela é comum em grande parte do planeta. Essa avaliação convive com o fato de que seu impacto ambiental fora da área nativa é grande, o que torna a carpa-comum um dos peixes mais estudados da ictiofauna de água doce.
Identificação e Aparência
A carpa-comum é um peixe de grande porte para água doce. Um adulto pode pesar até , e os exemplares vivem por muitos anos. A longevidade máxima conhecida da espécie chega a , geralmente em cativeiro.
O porte e o hábito de vida, com alimentação no fundo, ajudam a diferenciá-la de outros peixes que vivem na coluna d'água.
Distribuição e Habitat
A carpa-comum ocupa reservatórios grandes e pequenos, lagos, lagoas e trechos de rios de corrente lenta. A espécie prefere corpos de água grandes e calmos, com sedimentos macios e cobertos por vegetação.
É uma espécie tolerante. Vive em águas doces ou levemente salobras, com pH entre 6,5 e 9,0 e salinidade de até cerca de 0,5%. A temperatura ideal fica entre 23 e 30 °C, e a desova começa a partir de 17 a 18 °C.
A espécie ocorre naturalmente em climas temperados, mas foi introduzida em cerca de 59 países e em quase todos os continentes. Na Austrália, chegou há mais de 150 anos e se espalhou pela Bacia Murray–Darling, onde está presente em todos os estados e territórios, exceto o Território do Norte.
Nos Estados Unidos, a carpa foi trazida em 1831 e distribuída pelo governo no fim do século XIX como peixe de consumo.

Comportamento e Modo de Vida
A carpa-comum costuma formar pequenos cardumes. Exemplares maiores costumam levar uma vida solitária.
Na época de desova, os peixes se reúnem em grupos nas áreas rasas com densa cobertura de macrófitas, onde a fêmea espalha os ovos sobre as plantas.
Comunicação
A espécie percebe o ambiente por meio de canais táteis e químicos, que orientam seus movimentos e o contato com outros indivíduos e com o fundo onde se alimenta.
Dieta e Nutrição
A carpa-comum é um onívoro bentônico, que se alimenta principalmente de invertebrados que vivem nos sedimentos do fundo. Ao sugar lama do fundo, ela expele o material e retém seletivamente os itens que aproveita enquanto estão suspensos na água. Em águas rasas, suas marcas de alimentação aparecem como depressões na areia e na lama.
Os juvenis se alimentam inicialmente de zooplâncton, como rotíferos e copépodes, e de algas. Quando atingem o primeiro ano de vida, passam a consumir macroinvertebrados como quironomídeos, larvas de tricópteros, moluscos, ostrácodes e crustáceos.
Os adultos têm uma dieta ampla. Consomem insetos, crustáceos, anelídeos, moluscos, ovos e restos de peixes, carcaças, além de raízes, tubérculos e sementes de plantas.
Reprodução e Ciclo de Vida
A carpa-comum é uma espécie ovípara, com fecundação externa. Os machos fecundam os ovos que as fêmeas espalham sobre as macrófitas, onde eles aderem ao substrato. Uma fêmea típica, de cerca de 45 cm, pode produzir cerca de 300.000 ovos, e algumas estimativas chegam a um milhão ao longo da temporada de reprodução.
A desova ocorre na primavera e no início do verão, e nos trópicos pode acontecer o ano inteiro. Em um mesmo período, a espécie pode desovar mais de uma vez. A incubação dura cerca de três dias entre 25 e 32 °C.
As larvas medem entre 5 e 5,5 mm. Quando chegam a 8 mm, o saco vitelínico já desapareceu e elas começam a se alimentar sozinhas. Os machos atingem a maturidade sexual entre 3 e 5 anos, e as fêmeas entre 4 e 5 anos. Não há cuidado parental após a desova.
População e Papel Ecológico
A carpa-comum altera fortemente os ambientes em que vive. Ao revolver o fundo, ela arranca macrófitas, consome tubérculos e brotos jovens e aumenta a turbidez da água, o que reduz a luz disponível para as plantas.
Além disso, a espécie ressuspende sedimentos e excreta nutrientes que ficam disponíveis para outros organismos, funcionando como uma espécie de bomba de nutrientes. Esses efeitos, somados à alta fecundidade, fazem com que ela seja vista como praga em muitos ambientes.
Domesticação e História Humana
Os romanos criavam carpas, e a criação em tanques se manteve nos mosteiros da Europa até hoje. Na China, na Coreia e no Japão, a criação de carpas já acontecia no período Yayoi (c. 300 a.C. – 300 d.C.).
Hoje, a China é o maior produtor comercial, responsável por cerca de 70% da produção de carpas. Em 2002, a espécie representou 14% de todos os peixes de água doce criados em cativeiro, com cerca de três milhões de toneladas por ano.
Na Europa e na Ásia, a carpa é um peixe de consumo importante. Na Austrália e na América do Norte, porém, ela é considerada imprópria para o consumo.
A variedade colorida, chamada koi, é criada em cativeiro e vendida como peixe ornamental para tanques, comércio de animais de estimação.
Conservação e Ameaças
A IUCN classifica a carpa-comum como Pouco Preocupante (LC). Nos Estados Unidos, a espécie não tem status especial, e o mesmo ocorre na lista do estado de Michigan e na CITES.
A principal ameaça à biodiversidade nativa vem do próprio peixe como espécie invasora. Na Austrália, há propostas de controle com o vírus da herpes do koi, que tem alta mortalidade, mas a segurança ambiental desse método é questionada. O Csiro também investigou a modificação genética de carpas para que produzam apenas descendentes machos.
Em Utah, o plano de redução da população do Lago Utah prevê capturar milhões de carpas com redes, com destino ao consumo humano ou à produção de fertilizante.
Significado Cultural
Na Ásia Oriental, a carpa tem uma longa presença na arte e na literatura, e a mitologia da região lhe atribui um lugar de destaque. Essa tradição é a base das representações da espécie na cultura da região.
A variedade koi, conhecida por suas colorações ousadas, tem origem no Leste Asiático e é criada há mais de dois mil anos. Hoje ela é um peixe ornamental de grande valor, admirado em tanques e jardins.
Curiosidades
- A carpa-comum dá nome à família Cyprinidae, uma das maiores famílias de peixes de água doce.
- A espécie tolera águas com níveis muito baixos de oxigênio, pois consegue engolir ar na superfície.
- Ela sobrevive ao inverno em lagoas congeladas, desde que reste água livre sob o gelo.
Fotos
Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Emily Nyenyedzi Davies via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Peter Crowcroft via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Codrin Bucur via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Carson Dudley via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Juan Rodríguez via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Iván Cumpián via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Xthnob via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by evgeniq_benihanov via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Evan via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Eddie via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Cricket Raspet via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.
Ecologia e classificação
Classificação
- Filo
- Chordata
- Ordem
- Cypriniformes
- Família
- Cyprinidae
- Gênero
- Cyprinus
- Espécie
- Cyprinus carpio
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
- AnAge Longevity



