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Peixe-dourado

Carassius auratus

Pouco preocupante

O peixe-dourado pode viver até , e é um dos peixes ornamentais mais populares do mundo. Pertence à família Cyprinidae, da ordem Cypriniformes, e vive em águas doces. Em cativeiro é mantido sobretudo em aquários internos. Fora dele, animais soltos na natureza se tornaram uma praga invasora em partes da América do Norte e da Austrália.

No ambiente natural, a espécie se distribui por águas doces de regiões temperadas, onde é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN. Essa classificação esconde um contraste: a mesma capacidade de sobreviver em condições adversas é o que a torna tão bem-sucedida fora do seu lugar de origem.

Identificação e Aparência

Os peixes-dourados selvagens têm coloração marrom metálica, semelhante à dos ancestrais de carpa. A cor laranja e os tons variados surgem com o amadurecimento, e só depois de cerca de um ano de vida a coloração adulta fica definida.

As variedades domesticadas diferem muito entre si em forma e cor. Commons e comets têm corpo mais alongado e nadam mais rápido, enquanto as variedades de cauda em leque, como as fantails, têm corpo mais arredondado e nadam com menos velocidade.

Distribuição e Habitat

O peixe-dourado ocupa principalmente águas doces interiores e zonas úmidas de regiões temperadas. Prefere corpos d'água de correnteza lenta ou sem movimento, como rios, lagos, lagoas, riachos, pântanos e brejos.

A espécie tolera uma faixa ampla de temperatura, de águas próximas de 0 °C até temperaturas que chegam a 30 °C ou 40 °C. Prefere águas com pH entre 5,5 e 7,0, mas suporta valores de até 10,5.

Ele vive em profundidades de cerca de 1 a 20 metros, com profundidade média em torno de 10 metros. Nas áreas úmidas, costuma ocupar regiões com vegetação aquática densa e fundos de lama em águas rasas.

Registros de ocorrência mostram mais observações entre abril e junho, período que coincide com o pico de presença da espécie nas águas onde é observada.

Mapa dos registros de ocorrência de Carassius auratus
Onde foi registrado · GBIF
26.605
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

O peixe-dourado é uma espécie social que forma cardumes. Dentro do grupo, os indivíduos se comunicam e se beneficiam da proteção contra predadores. Não formam hierarquias sociais e raramente um peixe fere outro.

A espécie é ativa principalmente ao amanhecer e ao entardecer, quando nada com frequência em busca de alimento. Nas regiões mais frias, hiberna no inverno, quando a água fica abaixo de 10 °C e há oxigênio suficiente.

O peixe-dourado tolera condições adversas, como baixo oxigênio por alguns meses em temperaturas próximas de 2 °C, turbidez elevada e poluição moderada. Também suporta amônia, substância tóxica para muitas outras espécies, o que explica seu sucesso em ambientes alterados.

Em rios, os indivíduos se deslocam para águas paradas fora do canal principal para desovar na temporada reprodutiva. Não defendem território. Em um estudo australiano no rio Murray, a média de deslocamento foi de cerca de 0,3 km por dia, com um peixe que percorreu 231,3 km em um ano.

Comunicação

O peixe-dourado percebe o ambiente sobretudo pela linha lateral, um conjunto de órgãos sensoriais ao longo do corpo. Ela detecta movimento e vibrações na água, inclusive as ondulações produzidas pelos outros peixes do cardume.

A visão é bem desenvolvida e inclui a faixa do ultravioleta, que atravessa a água com mais facilidade que a luz visível. Essa capacidade ajuda na localização de presas e predadores e também na orientação, pois os peixes memorizam marcos visuais no ambiente.

A comunicação química é igualmente importante. Quando a pele é danificada, o peixe libera uma substância que alerta o cardume. As fêmeas liberam feromônios que estimulam os machos a produzir mais sêmen, e os machos liberam o sêmen com mais frequência perto de fêmeas que emitem esses sinais.

Dieta e Nutrição

O peixe-dourado é onívoro e oportunista. Ele come insetos, ovos, vegetais, crustáceos e pequenos invertebrados, e procura alimento em toda a vegetação aquática e em fundos arenosos.

Em uma lagoa do Quebec, no Canadá, a vegetação aquática, como plantas do gênero Potamogeton, correspondeu a cerca de 45% da dieta. Larvas e adultos de mosquitos e de insetos da família Chironomidae somaram cerca de 21%, e pequenos crustáceos e zooplâncton formaram cerca de 4%.

Juvenis e adultos têm dietas semelhantes, mas os alevinos comem porções menores. Machos e fêmeas não diferem na alimentação. Em cativeiro, a base da alimentação são rações comerciais em flocos e pequenos vegetais, como ervilhas.

Reprodução e Ciclo de Vida

A reprodução ocorre durante a primavera, principalmente de fevereiro a junho, com desova mensal nesse período. A temperatura controla o início da reprodução, que só começa quando a água atinge pelo menos 10 °C. Em rios, os peixes migram para águas paradas laterais para desovar.

Os machos perseguem as fêmeas carregadas de ovos e as estimulam a liberar os ovos com batidas e leves empurrões. Os dois sexos se perseguem durante o cortejo, e vários machos podem fecundar os ovos de uma mesma fêmea. A fecundação é externa.

As fêmeas costumam liberar entre 2.000 e 4.000 ovos de cada vez, mas já foi registrado o recorde de 380.000 ovos em uma única desova. Os ovos são adesivos e grudam em plantas aquáticas densas, como Cabomba e Elodea. Eles eclodem entre 2 e 9 dias depois. Os machos e as fêmeas atingem a maturidade sexual entre 3 e 4 anos de idade.

Não há cuidado parental. Os alevinos são independentes logo após a eclosão e crescem rápido, o que reduz o risco de serem devorados por peixes adultos e insetos. Em cativeiro, adultos também comem os próprios filhotes.

População e Papel Ecológico

O peixe-dourado tem papel relevante no funcionamento dos ecossistemas aquáticos onde vive. Ao forragear e revolver o fundo, ele promove a bioturbação do sedimento, o que espalha nutrientes pela água e aumenta a oferta de alimento para outros organismos.

O peixe é também hospedeiro de muitos parasitas. Entre os endoparasitas estão trematódeos do gênero Metagonimus, nematódeos do gênero Contracaecum e protozoários do gênero Plasmodium. Entre os ectoparasitas, destacam-se piolhos-de-peixe do gênero Argulus, vermes-âncora do gênero Lernaea e sanguessugas do gênero Trachellobdella.

Domesticação e História Humana

O peixe-dourado descende de carpas selvagens e é uma das primeiras espécies ornamentais a ser criada pelo ser humano. Segundo a tradição registrada na literatura, foi criado na China e depois levado ao Japão e à Europa.

Ao longo de séculos de seleção, as criações produziram variedades com formas de corpo, de cauda e de nadadeiras muito diferentes. Algumas são tão modificadas que já não se reproduzem naturalmente, e, nesses casos, a reprodução pode ser ajudada por um método manual de extração de ovos e sêmen, que pode ferir os peixes se for feito de forma incorreta.

Hoje, a criação e a venda de peixes-dourados geram renda. São vendidos como animais de estimação e como isca para peixes predadores maiores. Os preços vão de 15 centavos de dólar, para os peixes destinados a alimentar outros animais, a 120 dólares, para variedades raras. A espécie também é usada em pesquisas de toxicidade, incluindo testes de tolerância à amônia.

Nos aquários, o peixe-dourado é sensível a mudanças bruscas de temperatura e produz muitos resíduos, que se acumulam rapidamente e podem matá-lo. A temperatura ideal, segundo as fontes de criação, fica entre 20 e 22 °C.

Conservação e Ameaças

O peixe-dourado é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. Não tem status especial nas listas federais dos Estados Unidos nem na CITES, e não há programas de conservação voltados a ele.

Sua principal ameaça no ambiente natural não é a perda de habitat, e sim a hibridização com outras espécies de carpas. A espécie também não parece sensível às mudanças climáticas nem à poluição moderada da água, por tolerar condições adversas.

Algumas áreas fora da sua distribuição natural tentam remover os peixes-dourados soltos na natureza, para conter os danos causados às comunidades locais.

Pouco preocupante

Significado Cultural

Na China, o peixe-dourado é um símbolo de sorte e abundância na arte tradicional. No Japão, ele também é associado à boa sorte e à riqueza.

A espécie já foi incluída em livros sobre a história da cultura. A obra 'Goldfish' retrata o peixe, aparentemente comum, como um tema ao mesmo tempo familiar e exótico, herói da pesquisa científica e vilão ambiental.

Curiosidades

  1. O peixe-dourado é alvo de livros de história cultural que o descrevem como herói da pesquisa científica e, ao mesmo tempo, como vilão ambiental quando solto na natureza.

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Clive Freedman via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by 祐 via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Wang J.P. via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Jane G. via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Jose Gutierrez Higa via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Chris Sulots via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Daniel K via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Scott via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by The Great Walter via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Coralie via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Maddie Michaud (Tregenza) via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Paul Dufour via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Roland Gromes via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Comportamento

  • Hibernante
  • Aquático
  • Social
  • Crepuscular

Dieta

  • Onívora

Classificação

Filo
Chordata
Ordem
Cypriniformes
Família
Cyprinidae
Gênero
Carassius
Espécie
Carassius auratus

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract
  5. Encyclopedia of Life Habitat, diet and behavior traits
  6. Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
  7. AnAge Longevity