O grou-comum pode chegar a de vida e é uma das grandes aves da Europa. Trata-se de uma ave da família Gruidae, a dos grous, e da ordem Gruiformes. Com cerca de 500.000 indivíduos estimados em 2025, a espécie é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.
A espécie se reproduz na Europa e em toda a região paleártica, até a Sibéria, com as maiores populações na Rússia, na Finlândia e na Suécia. Entre os grous, é a única espécie comum no continente. O grou-donzela e o grou-da-Sibéria aparecem regularmente apenas no extremo leste europeu.
Apesar do grande número de indivíduos, o grou-comum desapareceu localmente de parte de sua área de ocorrência, e algumas dessas áreas vêm sendo recolonizadas. Ele é uma das quatro espécies de grous que não estão ameaçadas de extinção nem dependem de conservação no nível da espécie, junto com o grou-canadense, o grou-donzela e a brolga.
Identificação e Aparência
A forma mais útil para reconhecer o grou-comum é a coroa vermelha nua, combinada com a faixa branca que vai da região atrás dos olhos até a parte superior das costas. O corpo é cinza-ardósia, mais escuro no dorso e na garupa e mais claro no peito e nas asas. As penas primárias, as pontas das secundárias, a álula e a ponta da cauda são pretas.
O grou-comum é uma ave de porte médio entre os grous, com 100 a 130 cm de comprimento e envergadura de 180 a 240 cm. Seu peso varia de 3 a 6,1 kg, com o peso médio de cerca de para a subespécie nominal. A subespécie oriental, G. g. lilfordi, costuma pesar em média cerca de 4,6 kg.
Os machos são um pouco maiores e mais pesados que as fêmeas, e o peso é a medida com maior diferença entre os sexos. Os adultos têm as penas plumosas da região caudal que se erguem como plumas na asa, que caem em forma de arco sobre o corpo. Os jovens têm pontas castanho-amareladas nas penas do corpo, não têm as plumas caídas nem o padrão vivo do pescoço dos adultos, e apresentam a coroa totalmente emplumada.
Antes da migração, cada adulto passa por uma muda completa a cada dois anos e fica sem voar por cerca de seis semanas, até que as penas novas cresçam. Na Ásia, o grou-comum se distingue do grou-de-nuca-branca e do grou-de-pescoço-preto pela combinação dessas cores.
Distribuição e Habitat
Na Europa, o grou-comum se reproduz principalmente em florestas boreais, taigas e florestas mistas, desde o nível do mar até 2.200 m de altitude. Em regiões mais frias, nidifica em charnecas sem árvores, em turfeiras e em vegetação baixa, quase sempre onde há pequenos lagos ou poças. Na Suécia, os casais costumam ocupar clareiras pantanosas entre pinheirais, enquanto na Alemanha usa zonas úmidas alagadas.
Na Rússia, os habitats são semelhantes, mas a espécie também nidifica em estepes e até em semidesertos, desde que haja água por perto. Em geral, ocupa pântanos florestais, turfeiras e áreas úmidas tranquilas, com pouca interferência humana. Mesmo onde é comum, a densidade reprodutiva é baixa, de 1 a 5 casais por 100 km².
No inverno, a espécie se desloca para áreas alagadas, baías rasas e protegidas e campos úmidos. Durante a muda, precisa de águas rasas ou de muita vegetação de juncos para se esconder. Depois do período migratório, passa a ocupar regularmente campos abertos, muitas vezes cultivados, e às vezes áreas semelhantes a savanas, como na Península Ibérica.
Na migração, os bandos se concentram em áreas de parada que vão da Suécia, dos Países Baixos e da Alemanha até a China, com uma grande área ao redor do mar Cáspio. Muitos quilômetros de voo são feitos em formação em V. Os invernos principais ficam em Portugal, na Espanha e no norte da África. Os que se reproduzem no leste europeu passam o inverno em vales de rios no Sudão, na Etiópia, na Tunísia e na Eritreia, e os que nidificam na Rússia central seguem para o norte do subcontinente indiano. Os mais orientais passam o inverno no leste da China.
O grou-comum é um visitante raro do Japão e da Coreia e aparece ocasionalmente no oeste da América do Norte, quase sempre junto a bandos de grou-canadense.

Comportamento e Modo de Vida
Fora da época de reprodução, o grou-comum é uma ave bastante social. Durante a migração, bandos de até 400 aves voam juntos, e em áreas de parada, onde se alimentam e descansam no meio do trajeto, podem se reunir milhares de indivíduos. Esses grupos não são unidades sociais estáveis. Eles oferecem segurança em número e ajudam as aves a encontrar coletivamente bons locais para se alimentar e dormir.
Os jovens e as aves não reprodutoras costumam ser os primeiros a migrar no outono e podem se agrupar nessa época. Durante os voos migratórios, a espécie já foi observada a até 10.000 m de altitude, uma das maiores altitudes registradas para aves, atrás apenas do abutre-de-Rüppell.
Quando a taxa de alimentação cai abaixo do necessário para sobreviver, o grou-comum pode roubar comida de outras aves, uma estratégia chamada cleptoparasitismo. Essa prática é mais frequente quando a densidade de aves é muito alta, pois as interrupções durante a busca por alimento reduzem a taxa de alimentação de todo o bando. A maior parte do consumo diário ocorre logo após o amanhecer e logo antes do anoitecer.
No inverno, as dominantes escolhem novas áreas de forrageio onde há mais aves e mais alimento, enquanto as subordinadas buscam áreas com menos indivíduos. As dominantes ficam mais fiéis à sua zona preferida, e as subordinadas trocam de zona com mais frequência. Algumas famílias não mudam de área no inverno e estabelecem um território de alimentação, que defendem de outras famílias durante o dia, reunindo-se à noite em dormitórios coletivos.
Gravações
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Dieta e Nutrição
O grou-comum é onívoro, como todos os grous. Sua alimentação é composta principalmente por vegetais, como raízes, rizomas, tubérculos, caules, folhas, frutos e sementes. Quando disponíveis, também consome plantas aquáticas, frutos silvestres, ervilhas, batatas, azeitonas, bolotas e sementes de pinhão.
No verão, durante a reprodução, a alimentação de origem animal ganha importância e pode se tornar a principal fonte de alimento. Os animais consumidos incluem insetos, sobretudo libélulas e grilos, além de caracóis, minhocas, caranguejos, aranhas, miriápodes, tatuíras, peixes, anfíbios, roedores e pequenas aves. Os filhotes são alimentados com esse material regurgitado pelos adultos.
A espécie se alimenta em terra ou em águas rasas, sondando o solo e a lama com o bico em busca de qualquer organismo comestível. Embora possa causar danos pontuais às lavouras, no inverno consome sobretudo grãos perdidos em campos já colhidos, o que ajuda a limpar o terreno para o plantio seguinte. Toda a alimentação, assim como a ingestão de água e o descanso noturno, acontece em pequenos grupos, formados por casais, famílias ou bandos de inverno.
Nidificação e Reprodução
A época de postura do grou-comum costuma ser em maio, embora raramente aconteça antes ou depois. O pareamento é monogâmico por tempo indeterminado. Se um dos parceiros morre, a ave pode procurar um novo companheiro no ano seguinte. Mesmo casais que permanecem juntos por muitos anos repetem o ritual de cortejo a cada primavera.
O cortejo começa com o macho seguindo a fêmea em uma caminhada lenta, em marcha. Em seguida vem o canto em uníssono: a fêmea mantém a cabeça erguida e vai abaixando-a enquanto emite um som agudo, e o macho responde com um grito mais longo na mesma postura. A cópula também é precedida por uma exibição dramática. Fora do período reprodutivo, a dança pode ocorrer em quase qualquer época do ano.
O território de nidificação varia conforme o habitat local, podendo ter de 2 a 500 hectares. Como o grou-canadense e apenas ele entre os grous, o grou-comum pinta o corpo com lama ou vegetação em decomposição, provavelmente para se camuflar no ambiente do ninho. O ninho fica dentro ou muito perto de água rasa, geralmente com vegetação densa na margem, e pode ser reutilizado por vários anos. Na Suécia, um ninho médio tem cerca de 90 cm de diâmetro.
A postura costuma ter dois ovos, raramente um e, mais raramente ainda, três ou quatro. Se a postura é perdida no início da incubação, o casal pode pôr outra em cerca de duas semanas. A incubação dura cerca de 30 dias e é feita principalmente pela fêmea, às vezes pelos dois sexos. Quando uma pessoa se aproxima do ninho, os adultos fazem uma exibição de distração, mas predadores terrestres conhecidos, como cães domésticos, são atacados quase de imediato.
Os filhotes nascem bem indefesos, mas conseguem se afastar de perigos em poucas horas, nadam logo após a eclosão e acompanham os pais a pé já com 24 horas de vida. Diante do perigo, ficam imóveis e contam com a plumagem castanha e camuflada. Aos 9 semanas já conseguem voar pequenas distâncias. Enquanto cuidam dos filhotes, os adultos fazem a muda pós-reprodutiva e ficam sem voar por cerca de 5 a 6 semanas, período que coincide com a fase em que os jovens também ainda não voam.
Nos invernos da Espanha, cerca de 48% dos casais têm filhotes vivos e cerca de 18% levam dois filhotes. No ano seguinte, os jovens da temporada anterior costumam formar bandos. A maturidade sexual em aves selvagens ocorre entre 3 e 6 anos de idade.
População e Papel Ecológico
Estima-se que a população global seja de cerca de 500.000 indivíduos em 2025. Na Europa, a maior parte dos casais nidifica na Rússia, na Finlândia, com 30.000 a 40.000 casais em 2009, e na Suécia, com cerca de 30.000 casais em 2012. Na Polônia, a população foi estimada em 20.000 a 22.000 casais em 2010–2012.
Nas bordas de sua área, a espécie costuma ter se tornado rara ou desaparecido, mas em vários países europeus essa tendência foi revertida. A população europeia como um todo está aumentando. Na Alemanha, o número de casais passou de 700 em 1978 para mais de 10.000 em 2017, e na Dinamarca chegou a pelo menos 750 casais em 2022.
No ecossistema, o grou-comum tem poucos predadores naturais na fase adulta. Águias como a águia-rabalva, a águia-de-Bonelli e a águia-imperial-oriental podem atacar aves de todas as idades, mas o grou contra-ataca com o bico e as patas. Mamíferos carnívoros e javalis atacam ninhos, e corvos e corvídeos podem roubar ovos e, às vezes, filhotes pequenos. O adulto que defende o ninho costuma afastar predadores, mas perdas são inevitáveis. A espécie também se agrupa de forma solta com outros grous e com gansos durante a migração e o inverno.
Conservação e Ameaças
O grou-comum está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN. A principal ameaça é a perda e a degradação de habitats, causada pela construção de barragens, pela urbanização, pela expansão agrícola e pela drenagem de zonas úmidas. Ele se adaptou em muitas áreas à presença humana, mas a perturbação dos ninhos, as mudanças contínuas no uso da terra e a colisão com linhas de transmissão ainda são problemas. Outras ameaças incluem a perseguição por danos às lavouras, o envenenamento por pesticidas, a coleta de ovos e a caça.
A tendência populacional é de aumento na Europa. Em partes da Europa Ocidental, a espécie voltou a nidificar após décadas ou séculos de ausência. Na Espanha, a Irlanda, a França e a Holanda, a volta do grou-comum foi registrada em anos recentes, como em 2021 na Irlanda, quando um casal se reproduziu na ilha pela primeira vez em 300 anos.
No Reino Unido, um programa de reintrodução começou em 2010 nos Somerset Levels, com 93 aves soltas entre 2010 e 2014. Hoje há 180 aves residentes no país. O grou-comum também é uma das espécies abrangidas pelo Acordo sobre a Conservação das Aves Aquáticas Migratórias Afro-Eurasiáticas (AEWA).
Fotos
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Ecologia e classificação
Classificação
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Gruiformes
- Família
- Gruidae
- Gênero
- Grus
- Espécie
- Grus grus
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Xeno-canto Audio recordings
- AnAge Longevity
- AVONET Bird mass, habitat, migration, diet and range size
- GloBI What it eats, what eats it, parasites and pollinators
- trophiCH
- Wardeh et al. 2015 (EID2)
- TETRA-EU


