Ir para o conteúdo
Ir para o artigo

Coccinella septempunctata

Coccinella septempunctata

Sem nome popular registrado

Besouro oval de cor vermelho-alaranjada com sete pontos negros nas élitros, pernas e parte inferior pretas, pousado sobre uma folha verde.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
Zona ÚmidaPredadorFlorestaHibernantePradariaÁrea urbana
Classificação
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Coleoptera
Família
Coccinellidae
Gênero
Coccinella
Espécie
Coccinella septempunctata

Poucos insetos conseguem se adaptar a tantos ambientes quanto Coccinella septempunctata: da savana ao jardim suburbano, da floresta ao campo agrícola, ela aparece onde houver pulgões para caçar. Por isso, foi levada deliberadamente para a América do Norte como agente de controle biológico contra pragas agrícolas — um papel que desempenha com tanto sucesso que é apontada como um dos insetos afidófagos mais eficazes do planeta.

Pertencente à família Coccinellidae, dentro da ordem Coleoptera, este besouro carnívoro é nativo da Europa, da maior parte da Ásia e do norte da África, ocupando praticamente todas as regiões de clima temperado. Não consta em nenhuma lista de conservação — nem da IUCN, nem de órgãos nacionais —, o que reflete tanto sua ampla distribuição natural quanto o fato de ter se tornado invasora em algumas áreas onde foi introduzida.

Abreviada às vezes como C-7, em referência aos sete pontos negros que decoram seus élitros vermelhos, essa é uma das cerca de 5.000 espécies de joaninhas conhecidas no mundo — e uma das que melhor ilustra como um predador pequeno pode ter um papel agrícola e ecológico desproporcional ao seu tamanho.

Identificação e Aparência

O traço mais confiável para reconhecer Coccinella septempunctata é a combinação de élitros vermelho-alaranjados com exatamente sete pontos negros: um deles fica junto ao escutelo, onde as duas élitros se encontram, ladeado por duas manchas brancas; os outros seis se distribuem em três de cada lado, embora sua posição e tamanho exatos variem de indivíduo para indivíduo.

O corpo é oval e convexo, medindo entre 6,5 e 7,8 mm de comprimento por cerca de 4 mm de largura. O pronoto exibe duas manchas brancas próximas à borda interna dos olhos, enquanto a parte inferior do abdômen, o próprio pronoto e as pernas são pretos. Fusões entre pontos e formas melânicas existem, mas são raras.

A diferença entre machos e fêmeas é sutil e só perceptível em detalhe: o formato do sétimo esternito abdominal difere entre os sexos, os machos possuem quatro tipos de cerdas nas patas anteriores (usadas para se firmar durante a cópula) contra três nas fêmeas, e os machos têm em média 18 sensilas quimiorreceptoras nos palpos labiais, contra 16 nas fêmeas. As fêmeas, além disso, são um pouco maiores e mais pesadas que os machos.

Os ovos, de 1 mm, são fusiformes e alaranjados ou amarelados. As larvas recém-nascidas medem 1 a 2 mm e crescem até cerca de 8 mm ao longo de quatro ínstares, geralmente de cor preta opaca com uma linha marrom-clara no dorso do abdômen, escurecendo progressivamente até o quarto ínstar, que apresenta tubérculos negros com pelos finos. A pupa, de cerca de 6 mm, varia do cinza ao preto ou a um laranja-pálido com marcas triangulares escuras, e sua pigmentação depende da temperatura durante o desenvolvimento.

Distribuição e Habitat

Coccinella septempunctata é um generalista de habitat: aparece em praticamente qualquer ambiente onde haja pulgões ou outros insetos de escama em número suficiente. Isso inclui plantas herbáceas, arbustos e árvores em campos abertos, pastagens, brejos, áreas agrícolas, jardins e parques suburbanos, além de florestas, vegetação arbustiva e até savanas ou bordas de dunas — do nível do mar a 1.500 m de altitude.

Para hibernar, a espécie prefere locais abertos e voltados para o sul, que maximizam a exposição ao sol: pedras que ofereçam abrigo, pequenas tufas de vegetação ou sebes de gramíneas densamente compactadas.

Registros de observação mostram um padrão sazonal nítido: contagens mensais sobem de pouco mais de 10 mil em janeiro para um pico acima de 123 mil em junho, mantendo-se altas entre abril e julho antes de caírem para menos de 10 mil entre novembro e dezembro. Esses números refletem apenas a frequência de observações — não o tamanho real da população —, mas indicam concentração de atividade na primavera e no início do verão, quando o besouro está ativo e mais visível.

Mapa dos registros de ocorrência de Coccinella septempunctata
Onde foi registrado · GBIF
123.428
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Coccinella septempunctata é um inseto diurno e voador, ativo durante o dia e inativo à noite. Fora da estação de reprodução, seu comportamento mais marcante é a formação de agregados para hibernar.

Esses agrupamentos de hibernação reúnem tipicamente 10 a 15 indivíduos, embora aglomerados de mais de 200 besouros já tenham sido documentados, escondidos na vegetação rasteira densa ou entre pedras. Antes de entrar em diapausa, os besouros liberam o feromônio 2-isopropil-3-metoxipirazina para atrair outros indivíduos ao mesmo abrigo — uma estratégia que garante calor e proteção coletivos e assegura que, ao saírem da hibernação, já tenham parceiros em potencial por perto para acasalar.

Na busca por alimento, o besouro usa sinais químicos para localizar colônias de pulgões: tanto o feromônio de alarme que os pulgões liberam ao detectar predadores quanto compostos voláteis emitidos por plantas infestadas funcionam como atrativos para Coccinella septempunctata.

Comunicação

A comunicação de Coccinella septempunctata depende sobretudo de sinais químicos. O mais estudado é o feromônio 2-isopropil-3-metoxipirazina, liberado antes da hibernação para atrair outros besouros ao mesmo abrigo — o que garante não só proteção térmica coletiva, mas também a presença de parceiros reprodutivos quando o grupo emerge da diapausa.

Para encontrar alimento, o besouro interpreta sinais químicos emitidos por terceiros: o feromônio de alarme liberado pelos pulgões ao perceberem um predador e os compostos voláteis que certas plantas produzem quando infestadas funcionam como pistas que o guiam até colônias de presas.

Sinais olfativos também orientam a reprodução e a sobrevivência da prole: fêmeas evitam depositar ovos perto de ovos já existentes da mesma espécie ou de outras joaninhas, reduzindo o risco de canibalismo e de predação entre gerações — uma pressão intensa dentro da família Coccinellidae, cujas larvas têm alcance de deslocamento limitado para encontrar comida.

Caça e Dieta

Coccinella septempunctata localiza suas presas por meio de pistas químicas antes mesmo de avistá-las: o feromônio de alarme liberado pelos pulgões sob ameaça e os compostos voláteis emitidos por plantas infestadas guiam tanto adultos quanto larvas até colônias densas de presas, que são então devoradas diretamente no local.

A base da dieta é formada por pulgões e outros insetos de corpo mole da mesma categoria de pragas agrícolas. Trata-se de uma espécie polífaga: quando essas presas escasseiam, os adultos recorrem ao pólen como alimento alternativo.

Em situações extremas, alguns adultos chegam a comer ovos ou larvas da própria espécie. As larvas seguem o mesmo padrão de caça a pulgões, mas, na ausência deles, passam a predar larvas de outras espécies de Coccinellidae.

Essa flexibilidade tem um custo: a predação intraguilda e o canibalismo são pressões constantes dentro da família, moldando o comportamento alimentar da espécie desde os primeiros ínstares larvais.

Reprodução e Ciclo de Vida

O sistema de acasalamento de Coccinella septempunctata é poligâmico em ambos os sexos: cada indivíduo copula com múltiplos parceiros ao longo da estação. O macho conduz uma sequência de corte em cinco etapas — aproximação, observação, exame das antenas e da boca da fêmea, subida sobre os élitros e tentativa de cópula —, mas fêmeas imaturas, recém-fecundadas ou prontas para ovipositar costumam recusar o avanço. Em um único dia, um indivíduo pode copular de 4 a 6 vezes, e a cópula com múltiplos parceiros aumenta a fecundidade, a viabilidade dos ovos e a taxa de eclosão.

A maturidade sexual chega entre 10 e 14 dias após a emergência como adulto — em média 11,4 dias nas fêmeas e 8,8 dias nos machos —, e a reprodução se estende do fim da primavera até o início do verão, com parte da população ainda se reproduzindo no outono. Alguns machos fecundam fêmeas pouco antes da diapausa, o que leva algumas fêmeas a hibernar já com esperma armazenado na espermateca.

Fecundadas, as fêmeas depositam os ovos em grupos de 10 a 30 sobre folhas e caules, evitando locais onde já existam ovos da mesma espécie — um comportamento guiado por sinais olfativos que reduz a competição entre as larvas. Ao longo da vida, uma fêmea põe entre 250 e 500 ovos, às vezes até 1.000, número que costuma superar a capacidade de sustento do ambiente; essa aparente ineficiência compensa quando há picos de pulgões disponíveis. O ciclo completo — do ovo, passando por quatro ínstares larvais e pela pupa, até o adulto — leva cerca de seis semanas, e a espécie pode gerar até cinco gerações por ano.

Não há cuidado parental além do investimento nutricional depositado no próprio ovo: os machos apenas fecundam, e as fêmeas apenas escolhem substratos seguros e ricos em alimento para a prole. Os adultos vivem em média de um a dois anos, dependendo de sobreviverem ou não ao inverno.

População e Papel Ecológico

Como predadora voraz de pulgões e outros insetos de escama, Coccinella septempunctata ajuda a conter populações de pragas que danificam plantas — um serviço ecológico que beneficia indiretamente toda a comunidade vegetal e os organismos que dela dependem.

A espécie, por sua vez, serve de alimento a aves, pequenos mamíferos, aranhas e outras joaninhas; o quarto ínstar larval é a fase mais vulnerável à predação. Os adultos, porém, têm poucos inimigos naturais: a coloração vermelha e preta de alto contraste funciona como aviso, e, quando ameaçados, os besouros praticam sangramento reflexo, secretando pelas articulações das pernas um líquido de gosto desagradável rico em alcaloides tóxicos — a coccinelina N-óxido e sua base livre, a precoccinelina. A intensidade da cor e o tamanho dos pontos nos élitros indicam o grau de toxicidade ao predador, independentemente da dieta ou do sexo do indivíduo.

Coccinella septempunctata também hospeda diversos parasitas e parasitoides: vespas das famílias Eulophidae e Braconidae e moscas da família Phoridae atacam suas larvas. As mais conhecidas são a vespa braconídea Perilitus coccinellae, que sincroniza seu desenvolvimento — inclusive a diapausa — com o do hospedeiro, e Dinocampus coccinellae, cujos ovos são depositados na cavidade corporal de fêmeas adultas; a larva devora os próprios ovos da hospedeira, pupa dentro de uma das patas do besouro e emerge como adulta cerca de nove dias depois. Alguns hospedeiros conseguem, ainda assim, se recuperar e retomar o ciclo de vida.

Conservação e Ameaças

Coccinella septempunctata não tem avaliação formal de risco: não aparece na Lista Vermelha da IUCN, na CITES nem em listas federais ou estaduais de proteção. Em áreas onde foi introduzida, é tratada como espécie invasora.

A principal ameaça à espécie, sobretudo na Europa, vem de outra joaninha: a asiática Harmonia axyridis, mais resistente a doenças, que compete por recursos e também preda a própria C. septempunctata. Introduzida como agente de controle biológico na Holanda, na Bélgica e na França, a harlequin se multiplicou sem controle e chegou ao sul da Inglaterra em 2004; o UK Ladybird Survey monitora seu avanço e já alertou para o risco de a espécie invasora eliminar as populações nativas de joaninhas-de-sete-pontos no país.

Um episódio histórico ilustra como as flutuações de alimento podem afetar a população local: durante a onda de calor de 1976 no Reino Unido, uma primavera quente fez os pulgões se multiplicarem, alimentando um crescimento explosivo de C. septempunctata — a British Entomological and Natural History Society estimou 23,65 bilhões de indivíduos na costa leste e sul do país até o final de julho. Quando o calor secou as plantas e os pulgões desapareceram, os besouros famintos migraram em massa até o litoral; incapazes de atravessar o mar, formaram enxames tão densos que cobriam o solo e chegaram a morder banhistas em busca de hidratação. Em condições normais, um besouro saudável consegue voar até 120 km a 1.000 m de altitude, mas os exemplares daquele verão estavam demasiado exaustos e famintos para continuar.

Significado Cultural

Em boa parte da Europa, Coccinella septempunctata está associada à Virgem Maria — uma ligação que, segundo estudiosos, substituiu antigas referências à deusa nórdica da fertilidade Freyja: nomes como Freyjuhaena e Frouehenge deram lugar a Marienvoglein, ou 'passarinho de Nossa Senhora'. Uma lenda medieval conta que fazendeiros pediam à Virgem que protegesse suas colheitas de insetos, e besouros vermelhos de pontos negros apareciam para devorar as pragas; o vermelho das élitros seria o manto de Maria, e os sete pontos, suas sete alegrias e sete dores.

Variações regionais dessa mesma associação aparecem por toda a Europa: em Malta, conta-se que a joaninha nasceu quando Maria feriu o dedo com um espinho de rosa e sete de suas lágrimas deixaram sete manchas sobre um besouro tingido de vermelho por seu sangue — hoje o inseto é chamado ali de nannakola, em referência a uma cantiga infantil popular no início do século 20. Na Suécia, o nome nyckelpiga ('ajudante das chaves') remete à crença de que os sete pontos representam as sete virtudes e que o inseto guardaria as chaves do reino celeste; na Espanha, os nomes mariquita e marieta derivam diretamente de 'Maria'.

Além do simbolismo religioso, a espécie tem reconhecimento oficial: é o inseto nacional da Finlândia e o inseto-símbolo de cinco estados americanos — Massachusetts, New Hampshire, Delaware, Ohio e Tennessee (o estado de Nova York adotou outra espécie, a joaninha-de-nove-pontos, Coccinella novemnotata). Já apareceu em selos postais de países como Suíça, Finlândia, Malta, Croácia, Argélia, Israel, Iraque, China e Índia, e seu papel prático como predadora de pulgões a tornou um dos agentes de controle biológico mais usados na agricultura, inclusive nos Estados Unidos, para proteger colheitas contra pragas que sugam a seiva das plantas e transmitem doenças.

Curiosidades

  1. O número sete que enfeita seus élitros ecoa um simbolismo cultural mais amplo: assim como as sete cores do arco-íris ou as sete notas da escala musical, o sete é visto em muitas culturas como um número especial — o que ajuda a explicar por que a espécie recebeu tantos apelidos ligados a esse número.
  2. Cada substrato — uma folha ou caule — recebe no máximo cerca de 15 ovos por vez; ao espalhar as posturas por vários locais em vez de concentrá-las, as fêmeas reduzem a concorrência entre as larvas que vão eclodir.

Ecologia

Habitat

  • Zona Úmida
  • Floresta
  • Pradaria
  • Área urbana

Comportamento

  • Predador
  • Hibernante
  • Social
  • Diurno

Dieta

  • Insetívoro

Fotos

20 fotos
1 / 20
Besouro oval de cor vermelho-alaranjada com sete pontos negros nas élitros, pernas e parte inferior pretas, pousado sobre uma folha verde.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of LifeAnimal Diversity Web