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Dioneia

Dionaea muscipula

VUVulnerável
Uma planta de dioneia vista de cima, com folhas em roseta terminadas em armadilhas bilobadas verdes, bordas avermelhadas e cílios longos que se entrelaçam nas margens.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
Zona ÚmidaPredadorSavanaTerrenos perturbadosErvaInsetívoro
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Caryophyllales
Família
Droseraceae
Gênero
Dionaea
Espécie
Dionaea muscipula

A Dionaea muscipula consegue fechar sua armadilha foliar em apenas um décimo de segundo depois que um inseto toca os pelos sensores em seu interior — uma das reações mais rápidas conhecidas no reino vegetal.

Conhecida popularmente como dioneia, é uma planta carnívora da família Droseraceae, nativa das áreas úmidas temperadas e subtropicais da Carolina do Norte e da Carolina do Sul, na costa leste dos Estados Unidos. A espécie está classificada como Vulnerável pela IUCN.

A dioneia é a única espécie do gênero monotípico Dionaea, parente próxima da planta aquática roda-d'água e das sundews (Drosera). Sua combinação de velocidade, precisão e um mecanismo digestivo sofisticado faz dela um dos exemplos mais estudados de movimento rápido em plantas.

Identificação e Aparência

O traço mais reconhecível da dioneia é sua armadilha em forma de mandíbula, formada pela porção terminal de cada folha. A planta cresce como uma roseta de quatro a sete folhas que nascem de um caule subterrâneo bulboso, e cada folha mede entre três e dez centímetros, variando conforme a estação — folhas mais longas e armadilhas mais robustas costumam se formar depois da floração. Rosetas com mais de sete folhas geralmente não são uma única planta maior, mas colônias formadas por divisão subterrânea.

Cada folha se divide em duas partes: um pecíolo plano em forma de coração, capaz de fotossíntese, e um par de lóbulos terminais articulados que formam a armadilha propriamente dita. A face superior dos lóbulos exibe pigmentos vermelhos de antocianina e secreta mucilagem nas bordas. Três pelos sensíveis em forma de cerdas ficam na superfície interna de cada lóbulo; quando dois deles são tocados em sequência, um impulso elétrico percorre a armadilha e a faz se fechar. As bordas dos lóbulos têm cílios rígidos que se entrelaçam, retendo presas maiores enquanto pequenos insetos conseguem escapar pelos vãos — e, se isso ocorrer, a armadilha costuma reabrir em até doze horas.

A espécie apresenta quatro formas principais, que podem até ocorrer na mesma planta segundo a estação: 'typica', a mais comum, com pecíolos largos e prostrados; 'erecta', com folhas inclinadas a 45 graus; 'linearis', com pecíolos estreitos também a 45 graus; e 'filiformis', com pecíolos extremamente finos ou lineares. Pecíolos longos tendem a surgir na primavera e curtos no verão, enquanto a largura varia com a intensidade da luz.

Além das armadilhas, a dioneia produz uma flor sobre um caule alto, de cerca de 15 centímetros, polinizada por abelhas-do-suor, besouros longicórneos e besouros tigre.

Distribuição e Habitat

A dioneia ocorre naturalmente apenas na planície costeira das Carolinas do Norte e do Sul, nos Estados Unidos, com todos os sítios conhecidos atualmente dentro de um raio de cerca de 90 a 100 quilômetros de Wilmington, na Carolina do Norte. Um levantamento de 1958 identificou 259 localidades históricas em 21 condados das duas Carolinas, mas a espécie já é considerada extinta em condados como Moore, Robeson e Lenoir, na Carolina do Norte, e Charleston e Georgetown, na Carolina do Sul. Populações ainda existem em condados como Brunswick, Pender, New Hanover e Columbus, na Carolina do Norte, e no condado de Horry, na Carolina do Sul.

Seu habitat típico são savanas de pinheiro, brejos, savanas úmidas e canebrakes, sobre solos arenosos e turfosos pobres em nitrogênio e fósforo. A planta depende de pleno sol, ocorrendo quase sempre em áreas com menos de 10% de cobertura de copas, e precisa de queimadas regulares a cada três a cinco anos para impedir que arbustos e árvores tomem seu espaço.

Fora de sua área nativa, existem populações naturalizadas no norte da Flórida e uma população introduzida no oeste do estado de Washington.

Registros mensais de observação mostram uma concentração acentuada entre março e maio, com pico em maio — um padrão de presença observada, não uma medida de abundância ou do total da população, já que reflete provavelmente a época em que a planta floresce e fica mais visível para observadores.

Mapa dos registros de ocorrência de Dionaea muscipula
Onde foi registrado · GBIF
609
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

A dioneia pertence a um grupo muito pequeno de plantas capazes de movimento rápido, junto com a sensitiva (Mimosa pudica), a aldrovanda e as sundews. O fechamento da armadilha resulta de uma interação entre elasticidade, turgor e crescimento celular: o toque nos pelos sensíveis gera um potencial de ação, conduzido por íons de cálcio, que se propaga pelos lóbulos e pelo nervo central, provocando a mudança repentina de forma que fecha a armadilha.

A planta também exibe algo parecido com memória de curto prazo: registra o primeiro toque e só fecha se um segundo estímulo ocorrer em poucos segundos. Depois de fechada, ela continua contando estímulos até cinco, momento em que passa a produzir enzimas digestivas sob controle do hormônio ácido jasmônico — o mesmo que, em plantas não carnívoras, dispara defesas contra herbívoros. Entre essas enzimas está uma quitinase que decompõe o exoesqueleto de quitina dos insetos capturados. A digestão leva cerca de dez dias, ao fim dos quais a armadilha reabre, pronta para uma nova presa.

Essa complexa maquinaria existe porque a dioneia vive em solos extremamente pobres em nitrogênio e fósforo: os insetos capturados fornecem os nutrientes que o solo não pode oferecer. Por depender de savanas abertas e ensolaradas, a espécie também depende indiretamente do fogo, que suprime a vegetação concorrente e mantém as condições de luz de que precisa para sobreviver.

Usos e Relação com as Pessoas

O nome científico da dioneia mistura mitologia e biologia: Dionaea homenageia a deusa Dione, mãe de Afrodite na mitologia grega, enquanto muscipula significa "ratoeira" ou "pega-moscas", numa referência direta à ação de fechamento da armadilha, comparada a uma armadilha de roedores.

A espécie é a planta carnívora mais cultivada e reconhecida do mundo, vendida amplamente como planta de interior. Pode ser propagada por semente, levando de quatro a cinco anos até atingir a maturidade, ou, mais comumente, por divisão clonal na primavera ou no verão; a maior parte das plantas vendidas em floriculturas é produzida por cultura de tecidos, o método mais barato para produção em larga escala. Cultivares como 'Akai Ryu' e 'South West Giant' já receberam o Prêmio de Mérito de Jardim da Royal Horticultural Society, e, em condições adequadas, uma dioneia pode viver de 20 a 30 anos.

Extratos da planta também são vendidos como remédio fitoterápico, muitas vezes como ingrediente principal de um produto chamado "Carnivora", promovido em contextos de medicina alternativa para tratar doenças como HIV, doença de Crohn e câncer de pele. Segundo a American Cancer Society, não há evidência científica que sustente essas alegações de saúde.

Conservação e Ameaças

A dioneia está classificada como Vulnerável pela IUCN, e sua situação na natureza é mais grave do que esse rótulo sugere isoladamente: um levantamento de 2019 do North Carolina Natural Heritage Program contou 163.951 indivíduos na Carolina do Norte e 4.876 na Carolina do Sul, totalizando cerca de 302.000 plantas selvagens — uma queda de mais de 93% em relação à estimativa de 4,5 milhões de indivíduos feita em 1979. Dos 259 sítios históricos registrados em 1958, apenas 71 ainda abrigavam a espécie em 2016, e somente 20 deles apresentavam boa viabilidade de longo prazo.

A principal ameaça é a perda de habitat: a expansão urbana e agrícola nas Carolinas costeiras, a construção de estradas e as obras de drenagem destroem ou secam os brejos onde a planta vive — o condado de Brunswick, que concentra o maior número de populações, teve crescimento populacional humano de 27% entre 2010 e 2018. A supressão de incêndios é outra ameaça séria, pois permite que arbustos e árvores invadam as savanas abertas de que a espécie depende, levando a extinções locais. Completam a lista de ameaças a coleta ilegal de plantas silvestres, atividades de exploração madeireira e a poluição por fertilizantes agrícolas.

A espécie está protegida pelo Apêndice II da CITES, que regula seu comércio internacional, e passa por revisão desde 2018 para possível listagem sob a lei norte-americana de espécies ameaçadas (Endangered Species Act). O estado da Carolina do Norte a classifica como "Espécie de Preocupação Especial – Vulnerável", e a NatureServe a avaliou como "Em Perigo" (G2) em 2018.

Status de conservação

  1. LC
  2. NT
  3. VU
  4. EN
  5. CR

Vulnerável

Curiosidades

  1. O nome científico mistura mitologia e linguagem cotidiana: Dionaea homenageia a deusa Dione, mãe de Afrodite, enquanto muscipula significa "ratoeira".
  2. Apesar de inspirar imagens populares de plantas monstruosas capazes de engolir pessoas, a dioneia real é uma planta pequena, com folhas de poucos centímetros.
  3. Rosetas com mais de sete folhas normalmente não são uma planta única e maior, mas colônias formadas por divisões subterrâneas do mesmo indivíduo original.
  4. Depois de fechada, a armadilha só começa a produzir enzimas digestivas após contar até cinco estímulos dos pelos sensíveis, uma espécie de contagem interna antes de iniciar a digestão.
  5. Se a presa capturada for pequena demais e conseguir escapar pelas frestas dos cílios, a armadilha costuma reabrir sozinha em até doze horas, pronta para tentar de novo.

Ecologia

Habitat

  • Zona Úmida
  • Savana
  • Terrenos perturbados

Comportamento

  • Predador

Hábito de crescimento

  • Erva

Dieta

  • Insetívoro

Fotos

20 fotos
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Uma planta de dioneia vista de cima, com folhas em roseta terminadas em armadilhas bilobadas verdes, bordas avermelhadas e cílios longos que se entrelaçam nas margens.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of Life