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Hera

Hedera helix

Trepadeira de folhas verdes brilhantes, lobadas nos ramos jovens e em forma de coração nos ramos floridos, agarrada a um tronco de árvore por meio de pequenas raízes aéreasFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
Zona ÚmidaFlorestaBosqueÁrea urbanaTrepadeira
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Apiales
Família
Araliaceae
Gênero
Hedera
Espécie
Hedera helix

A Hedera helix, conhecida como hera, é capaz de trepar até 20 a 30 metros de altura em troncos de árvores, muros e rochedos, agarrando-se com pequenas raízes aéreas que formam almofadas aderentes sobre a superfície.

É uma planta trepadeira perene da família Araliaceae, nativa da maior parte da Europa e de partes da Ásia ocidental, onde cresce em florestas, muros, cercas e terrenos baldios. Fora dessa área de origem, plantas escapadas de cultivo tornaram-se naturalizadas em várias regiões do mundo.

Além de ser uma das trepadeiras ornamentais mais cultivadas, a hera carrega um peso cultural que atravessa séculos, do Egito Antigo à simbologia de casamentos modernos, o que a torna uma planta tão familiar quanto pouco compreendida.

Identificação e Aparência

O traço mais fácil de reconhecer na hera é a diferença marcante entre suas folhas jovens e adultas: nos ramos rasteiros ou trepadores ela apresenta folhas palmadas com cinco lóbulos, enquanto nos ramos férteis expostos ao sol pleno, geralmente no topo das copas das árvores ou de paredões rochosos, as folhas se tornam inteiras e em forma de coração.

As folhas medem de 50 a 100 mm de comprimento, com um pecíolo de 15 a 20 mm, e são dispostas de forma alternada ao longo do caule. A planta fixa-se ao substrato por meio de raízes aéreas com almofadas aderentes, um mecanismo que funciona melhor em superfícies escuras, ásperas e não reflexivas, com pH próximo do neutro.

As flores, produzidas do fim do verão até o fim do outono, são pequenas, verde-amareladas e reunidas em umbelas de 3 a 5 cm de diâmetro. Os frutos que se seguem são bagas de 6 a 8 mm de diâmetro, variando de roxo-escuro a amarelo-alaranjado, amadurecendo no fim do inverno e contendo de uma a cinco sementes cada.

A planta evita a luz solar direta, que favorece o ressecamento no inverno, preferindo locais úmidos e sombreados; essa preferência ecológica ajuda a distingui-la de outras trepadeiras de folhagem semelhante que toleram sol pleno em todas as fases de vida.

Distribuição e Habitat

A área de ocorrência nativa da hera estende-se da Irlanda, a nordeste até o sul da Escandinávia, ao sul até Portugal e a leste até a Ucrânia, o Irã e o norte da Turquia. Na Grã-Bretanha é muito comum e amplamente distribuída, mas está ausente da Ilha de Man e das Ilhas do Canal.

Os limites norte e leste de sua distribuição coincidem aproximadamente com a isoterma de inverno de −2 °C, além da qual a espécie é substituída por outras espécies de hera. A própria Hedera helix é bastante resistente ao frio, suportando temperaturas de até −23,3 °C.

Fora de seu alcance nativo, a hera tornou-se naturalizada em florestas decíduas e mistas da América do Norte, ocorrendo tanto em florestas de terras altas quanto ripárias, em savanas de coníferas, em matagais e, com frequência, em florestas urbanas e perturbadas do noroeste do Pacífico, do Atlântico Médio e do sudeste dos Estados Unidos. Tolera uma ampla gama de solos e regimes de umidade, de terrenos secos a planícies de inundação, embora cresça mais lentamente em solos encharcados.

Registros de observações mensais mostram uma concentração nítida entre abril e julho, com pico em maio, o que sugere maior visibilidade ou atividade de observadores nesse período; esses números refletem apenas presença registrada, não abundância real ou o alcance completo da espécie.

Mapa dos registros de ocorrência de Hedera helix
Onde foi registrado · GBIF
142.308
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Usos e Relação com as Pessoas

A hera é amplamente cultivada como planta ornamental, valorizada tanto por sua folhagem decorativa quanto por seu valor para a fauna: as flores atraem mais de 70 espécies de insetos nectívoros e as bagas alimentam pelo menos 16 espécies de aves, além de servir de abrigo evergreen denso e ser ramoneada por veados.

Na Europa, é frequentemente plantada para cobrir paredes; o governo da Baviera recomenda seu cultivo em edifícios por sua capacidade de resfriar o interior no verão, isolar termicamente no inverno e proteger a construção da umidade do solo e das variações de temperatura. Também é usada para suprimir ervas daninhas em plantações e embelezar fachadas. Por outro lado, seu crescimento vigoroso e autoaderente pode danificar alvenaria e calhas, esconder falhas estruturais e abrigar pragas indesejadas, exigindo planejamento cuidadoso no plantio.

Mais de 30 cultivares foram selecionadas por características como folhas amarelas, brancas ou variegadas, folhas profundamente lobadas, caules roxos e crescimento anão, e dezesseis delas receberam o Prêmio de Mérito de Jardim da Royal Horticultural Society. Extratos das folhas integram xaropes atuais para tosse, usados tradicionalmente desde pelo menos o século XVI para tratar tosse e bronquite, embora as bagas sejam levemente tóxicas para humanos e as folhas possam causar dermatite de contato em pessoas alérgicas ao falcarinol, um composto também presente em cenouras e outras Apiaceae.

Curiosidades

  1. No Egito Antigo, a hera era considerada sagrada para Osíris, deus da fertilidade e governante do submundo.
  2. Na mitologia grega e romana, a hera era um atributo dos deuses do vinho, Dionísio e Baco, associada ao lado selvagem e festivo dessas divindades.
  3. Apesar de sua longa história cultural, a hera não carrega um repertório mitológico tão extenso quanto outras plantas sagradas, mas permanece um elemento visual constante em jardins há séculos.
  4. No passado, suas folhas eram usadas para tratar afecções de pele e produzir corantes.
  5. Hoje, sua presença em buquês de noiva remete a um simbolismo de fidelidade.
  6. Extratos de Hedera helix mostraram-se eficazes contra o fogo bacteriano causado por Erwinia amylovora, inibindo o patógeno por até sete dias.
  7. Aves que se alimentam das bagas limitam a quantidade ingerida enquanto elas ainda estão pouco maduras e moderadamente tóxicas, consumindo-as em maior quantidade na primavera, quando já perderam parte dessa toxicidade.

Ecologia

Habitat

  • Zona Úmida
  • Floresta
  • Bosque
  • Área urbana

Hábito de crescimento

  • Trepadeira

Fotos

20 fotos
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Trepadeira de folhas verdes brilhantes, lobadas nos ramos jovens e em forma de coração nos ramos floridos, agarrada a um tronco de árvore por meio de pequenas raízes aéreasFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of Life