Com as asas da frente num laranja intenso quase ardente, a Lycaena phlaeas carrega um nome científico que evoca justamente essa cor: phlaeas vem do grego phlégo, "queimar", ou do latim floreo, "florescer".
É uma borboleta da família Lycaenidae, conhecida por suas asas pequenas e brilhantes. Distribui-se por boa parte do hemisfério norte, sendo encontrada na Europa, Ásia, América do Norte e também no norte da África, estendendo-se até a Etiópia. Não enfrenta preocupações de conservação.
O que torna essa espécie notável é sua presença praticamente cosmopolita, adaptando-se tanto a ambientes naturais remotos quanto a jardins, terrenos baldios e áreas urbanas.
Identificação e Aparência
O traço mais marcante da Lycaena phlaeas é o contraste entre o laranja vivo das asas anteriores e o tom escuro das posteriores. As asas da frente exibem uma borda externa escura e entre oito e nove pontos pretos espalhados pela superfície alaranjada.
As asas posteriores são predominantemente escuras, com uma borda laranja ao redor. Algumas fêmeas apresentam ainda uma fileira de pontos azuis dentro dessa borda laranja, variação conhecida como forma caeruleopunctata.
Na face inferior das asas, o padrão se repete, mas em tons mais claros: os pontos pretos das asas anteriores aparecem contornados de amarelo, e a coloração escura dá lugar a um cinza-acastanhado pálido. As asas posteriores mantêm o mesmo tom acinzentado, com pequenos pontos pretos e uma estreita borda laranja.
As lagartas são geralmente verdes, embora algumas apresentem uma listra púrpura ao longo do dorso e das laterais do corpo.
Distribuição e Habitat
A Lycaena phlaeas é uma espécie holártica, amplamente distribuída e comum pela Europa, Ásia e América do Norte, além de ocorrer no norte da África até a Etiópia. No Reino Unido, pode ser encontrada em quase toda a Inglaterra meridional e central e no País de Gales, embora nunca em grandes números, tornando-se mais esparsa no norte da Inglaterra, na Escócia e na Irlanda.
Ocupa uma variedade notável de habitats: pradarias arenosas, charnecas, clareiras de florestas, cemitérios, terrenos baldios urbanos, campos de altitude e até a tundra ártica. Também é comum em prados montanhosos úmidos, muitas vezes acima da linha das árvores, e em áreas de pedregulhos nas Montanhas Rochosas e nas Serras.
É uma espécie tolerante a ambientes alterados pelo homem, aparecendo em áreas agrícolas, suburbanas e urbanas com a mesma facilidade com que ocupa paisagens naturais.
Os registros de observação ao longo do ano mostram uma concentração clara nos meses de verão do hemisfério norte, com picos entre junho e agosto, sugerindo maior atividade e visibilidade dos adultos nesse período, embora isso reflita apenas presença registrada, não o tamanho real das populações.

Comportamento e Modo de Vida
Os adultos da Lycaena phlaeas são ativos desde o início da manhã até o entardecer, com hábitos diurnos e também alguma atividade crepuscular. Costumam tomar sol pousados sobre flores altas, como margaridas, mil-folhas (Achillea millefolium) e cenoura-selvagem (Daucus carota).
Os machos são conhecidos por sua agressividade territorial, defendendo ativamente pontos de pouso contra outros machos em busca de fêmeas. Essa espécie é móvel e pode ocorrer em pequenas colônias dentro de seus habitats variados.
Comunicação
A comunicação da Lycaena phlaeas ocorre principalmente por meios visuais, com os padrões coloridos das asas desempenhando papel central na identificação entre indivíduos. Durante o cortejo, o contato físico também entra em jogo, complementando os sinais visuais trocados entre macho e fêmea.
Dieta e Nutrição
As lagartas da Lycaena phlaeas alimentam-se de plantas do gênero Rumex (dock), incluindo a azedinha (Rumex acetosella) e o labaça-crespa (Rumex crispus), além de Oxyria digyna e, na Europa, espécies de Polygonum associadas a Rumex alpestris. Entre as plantas usadas como alimento larval, Rumex acetosa, Rumex obtusifolius e Rumex thyrsiflorus se destacam nos registros.
Os adultos se alimentam de néctar de uma grande variedade de flores, incluindo botão-de-ouro (Ranunculus acris), trevos (Trifolium spp.), mil-folhas, margarida-branca (Chrysanthemum leucanthemum), asclépia (Asclepias tuberosa), alfafa (Medicago sativa), morango-silvestre (Fragaria virginiana) e hortelã-da-montanha (Pycnanthemum virginianum).
Entre as plantas visitadas com frequência pelos adultos, destacam-se também o dente-de-leão (Taraxacum officinale), o tomilho (Thymus pulegioides) e o trevo-branco (Trifolium repens).
Reprodução e Ciclo de Vida
O acasalamento da Lycaena phlaeas ocorre entre o início da primavera e o outono. Os machos adotam uma estratégia de espera: pousam no topo de folhas e flores em locais baixos, aguardando a passagem das fêmeas, que reconhecem pelo padrão das asas. Nas populações alpinas, os machos preferem recantos na base de encostas rochosas para essa vigília.
A espécie é ovípara, com fecundação interna e sexos separados. Nas regiões setentrionais de sua distribuição, produz apenas uma geração por ano, enquanto nas regiões mais ao sul pode gerar até três gerações de ovos na mesma estação.
Não há qualquer cuidado parental: uma vez postos os ovos, os adultos não investem mais na prole, que se desenvolve de forma independente.
População e Papel Ecológico
A Lycaena phlaeas provavelmente atua como polinizadora secundária, visitando uma ampla gama de flores em busca de néctar. Além desse papel, serve como presa para diversos predadores, sobretudo aves.
Entre os predadores registrados estão várias espécies de aves de pequeno porte, como pintarroxos, felosas-dos-juncos, rouxinóis-bravos e trepadeiras, o que evidencia sua importância como elo na cadeia alimentar de ambientes campestres e arbustivos.
Conservação e Ameaças
A Lycaena phlaeas é classificada como de nenhuma preocupação especial, mantendo-se estável em toda a sua distribuição. Não possui estatuto especial na Lista Vermelha da IUCN, na legislação federal dos Estados Unidos, na CITES nem em listas estaduais específicas, como a do Michigan.
Essa estabilidade reflete, em parte, a enorme plasticidade da espécie quanto a habitats, que vão de tundras árticas a terrenos urbanos, permitindo-lhe persistir mesmo em paisagens bastante alteradas pelo homem.
Significado Cultural
A Lycaena phlaeas é apreciada por observadores de borboletas, que se encantam com suas cores vivas. Como parte de uma comunidade maior de espécies de borboletas observadas por entusiastas, contribui para o ecoturismo e a geração de receita associada a essa atividade.
Curiosidades
- O nome científico phlaeas tem origem incerta, podendo vir do grego phlégo ("queimar") ou do latim floreo ("florescer"), referência plausível à cor viva de suas asas.
- Algumas fêmeas apresentam uma variação chamada forma caeruleopunctata, com uma fileira de pontos azuis dentro da borda laranja das asas posteriores.
- É considerada uma espécie praticamente cosmopolita, com registros documentados desde o início do século XX em diversas regiões do mundo.
Fotos
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Ecologia e classificação
Comportamento
- Territorial
- Agressivo
- Diurno
- Crepuscular
Dieta
- Herbívoro
Classificação
- Filo
- Arthropoda
- Classe
- Insecta
- Ordem
- Lepidoptera
- Família
- Lycaenidae
- Gênero
- Lycaena
- Espécie
- Lycaena phlaeas
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Encyclopedia of Life Habitat, diet and behavior traits
- Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
- GloBI What it eats, what eats it, parasites and pollinators
- trophiCH
- DoPI
- Schwarz et al. 2021
- EuPPollNet



