O líquen Ramalina sinensis é um fungo que vive em simbiose com algas, formando um talo arbustivo e ereto. Pertence à família Ramalinaceae e está distribuído amplamente pelo Hemisfério Norte, com registos na América do Norte, na China e na Rússia.
O talo cresce preso a uma base estreita e ramifica-se em lobos largos e achatados, frequentemente divididos em forma de leque. Sobre a casca de diversas árvores, ele se destaca pela aparência de dupla face, com a superfície superior mais verde e a inferior mais pálida.
A espécie interessa tanto a quem estuda a diversidade de líquenes quanto a quem observa a flora de florestas de montanha, onde costuma aparecer em populações pequenas e dispersas.
Corpo de Frutificação e Identificação
O traço mais fiável para identificar Ramalina sinensis é a aparência achatada e bicolor do talo. Os lobos são largos, planos e muitas vezes divididos de forma palmada, com a face superior verde e a face inferior branco-amarelada.
Os ramos são sólidos, e não ocos. Na face inferior, veem-se pseudocifelas, pequenas depressões em forma de rede que afundam no tecido. Quando a espécie produz apotécios, eles surgem com frequência perto das pontas dos ramos.
Os ascósporos são pequenos, com cerca de 5 μm de comprimento e 2,5 μm de largura, com forma de fuso e ligeiramente curvados. Em exemplares antigos, o talo pode ficar mais escuro e mais rígido, mas a organização dos lobos e a rede de pseudocifelas continuam a ser as referências principais.
Distribuição e Habitat
Ramalina sinensis está amplamente presente no Hemisfério Norte, mas costuma formar pequenas populações locais e dispersas. Nas pradarias do Canadá é descrita como pouco comum, sobretudo em habitats secos e arenosos.
No sul de Manitoba, exemplares estudados em 2012 foram recolhidos nas florestas provinciais de Sandilands e nas áreas protegidas de Spruce Woods e Whiteshell. Ali o líquen cresce sobre freixo, álamo, carvalho, abeto e arbustos de cerejeira-brava.
No sudoeste da China, a espécie foi registada nas províncias de Sichuan, Tibete e Yunnan, onde vive sobre a casca em habitats de montanha, entre cerca de 1.800 e 4.300 m de altitude. Também é comum nas florestas montanhosas do norte da China.
Na região do Altai, na Rússia, a espécie é considerada bastante rara na serra de Salair. Ali ocorre sobretudo em florestas de salgueiros de vale, em florestas de Picea obovata e em comunidades dominadas por Abies sibirica e Tilia sibirica. Cresce na casca de álamos, salgueiros, tílias, abetos e espruces, geralmente entre 1 e 5 m do solo.

Ecologia e Relações
Ramalina sinensis vive apoiada sobre a casca de árvores, em especial de álamos, salgueiros, tílias, abetos e espruces. Por não formar propágulos vegetativos, dispersa-se sobretudo por esporos sexuais, que precisam depois de se associar a uma alga compatível para formar um novo talo.
Essa forma de dispersão ajuda a explicar a ampla área geográfica da espécie e o padrão geográfico fraco das suas populações. A mesma ausência de propágulos pode contribuir para a sua raridade local, como acontece em Manitoba.
Nas montanhas de Qinling, na província de Shaanxi, o líquen serve de alimento sazonal aos macacos da espécie Rhinopithecus roxellana. Junto com líquenes do género Parmelia, Ramalina sinensis faz parte importante da dieta de inverno desses animais, que nessa estação comem líquenes em quantidade muito maior do que no verão.
Usos e História Cultural
Em Yunnan, Ramalina sinensis é usada como líquen comestível por comunidades locais, entre elas os povos yi, dai e han. Nos mercados, as amostras aparecem muitas vezes misturadas com Ramalina conduplicans, e os vendedores em geral não distinguem as duas espécies.
Conservação e Ameaças
Ramalina sinensis não tem o seu estado de conservação indicado nas fontes disponíveis para este perfil. Na Rússia é considerada bastante rara na serra de Salair, e nas pradarias canadianas é descrita como pouco comum, o que aponta para populações pequenas e dispersas.
Um estudo de 2012 analisou 23 exemplares do sul de Manitoba, sequenciando a região ITS tanto do fungo como da sua alga parceira. As sequências do fungo não mostraram separação geográfica clara entre as regiões amostradas, e a alga também não seguiu um padrão regional consistente.
A alga associada ao líquen é mais semelhante a espécies do género Trebouxia, sobretudo T. impressa e T. potteri. Entre os exemplares de Manitoba foram reconhecidos 12 haplótipos de alga.
Curiosidades
- A espécie foi descrita em 1902 pelo botânico italiano Jatta, a partir de material recolhido em colinas baixas da região de Fu-Kio, na China.
- O talo costuma ter menos de 6 cm de altura e apresenta tons que vão do palha ao verde, o que o torna discreto entre os ramos das árvores onde cresce.
Fotos
Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by W Rao via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Tanner Barnharst via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Dave Eslinger via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by wolfhowl3 via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Norma Malinowski via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Michelle Orcutt via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Indio Brown via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.
Ecologia e classificação
Classificação
- Filo
- Ascomycota
- Classe
- Lecanoromycetes
- Ordem
- Lecanorales
- Família
- Ramalinaceae
- Gênero
- Ramalina
- Espécie
- Ramalina sinensis
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract



