Ao contrário da maioria dos sapos, que avançam a saltos, o sapo-corredor desloca-se com passadas curtas e rápidas, quase uma corrida — um comportamento que lhe deu o nome comum e o distingue de outras espécies de sapos europeus.
Epidalea calamita é um anfíbio da família Bufonidae, nativo de áreas arenosas e de charneca da Europa. A espécie está classificada como Pouco Preocupante pela IUCN a nível global, embora enfrente pressões sérias em partes do seu território, como as Ilhas Britânicas e a Irlanda.
Além do seu modo de locomoção pouco comum, o sapo-corredor destaca-se pela dependência de habitats frágeis e temporários para a reprodução, o que faz da sua história de vida um exemplo claro de adaptação a ambientes instáveis.
Identificação e Aparência
O traço mais fiável para identificar o sapo-corredor é a linha amarela que percorre o meio do dorso, ausente no sapo-comum e em outras espécies semelhantes. Esta marca, combinada com as glândulas paratoides paralelas situadas atrás dos olhos, permite distinguir a espécie mesmo à distância.
Os adultos medem entre 60 e 70 mm de comprimento, um tamanho moderado dentro da família Bufonidae. O corpo é robusto, com pele verrugosa típica dos sapos verdadeiros.
As patas curtas em relação ao corpo conferem-lhe um andar distintivo, mais parecido com uma corrida do que com o salto característico da maioria dos sapos, o que constitui, por si só, uma pista comportamental útil para a identificação em campo.
Distribuição e Habitat
O sapo-corredor está presente em 17 países europeus, ocupando principalmente áreas arenosas e de charneca. No Reino Unido, encontra-se hoje quase exclusivamente confinado a sítios costeiros, um recuo significativo em relação à distribuição histórica da espécie.
Na Irlanda, é a única espécie de sapo nativa do país, restrita à Península de Dingle e a Derrynane, no Condado de Kerry, além de uma população introduzida numa área de dunas no Condado de Wexford.
Na Europa continental, sobretudo na parte sul da sua área de distribuição, a espécie ocupa uma variedade maior de habitats no interior, não se limitando às zonas costeiras.
Registos de observações mensais mostram uma concentração acentuada entre março e julho, com um pico em maio, seguido de um declínio gradual até ao inverno. Este padrão está provavelmente associado à maior atividade da espécie durante a época de reprodução, e não a uma medida de abundância ou de área de distribuição completa.

Reprodução e Ciclo de Vida
A reprodução do sapo-corredor ocorre entre o final de abril e julho, período em que os adultos depositam cordões de ovos em poças pouco profundas e aquecidas pelo sol. Como a espécie costuma existir em densidades baixas, os cantos de acasalamento, bastante altos, são essenciais para que machos e fêmeas se encontrem.
A desova só é possível em poças com fundo ligeiramente inclinado e vegetação escassa nas margens e na água — condições que tornam estes locais frequentemente temporários. Quando as poças secam antes do tempo, os girinos podem morrer antes de completar o desenvolvimento.
Para compensar esse risco, o sapo-corredor reproduz-se ao longo de um período prolongado durante o verão. Por isso, em setembro é possível encontrar juvenis com idades que variam entre um e três meses, resultado de várias vagas de desova.
Os indivíduos que se reproduzem mais cedo na estação raramente voltam a acasalar depois, embora algumas fêmeas consigam desovar duas vezes no mesmo ano.
Conservação e Ameaças
O sapo-corredor está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN a nível global, mas isso esconde declínios acentuados em partes da sua área de distribuição, sobretudo nas Ilhas Britânicas e na Irlanda, onde é considerado ameaçado.
As principais causas do declínio incluem a perda de habitat provocada pela expansão humana, a deterioração e desaparecimento de charnecas de baixada, a redução da costa habitável devido à construção de diques e paredões marítimos, e a acidificação dos habitats aquáticos causada por chuva ácida e outras formas de poluição.
No Reino Unido, a espécie foi incluída num Plano Nacional de Ação para a Biodiversidade como uma das três espécies de anfíbios protegidas, e o seu habitat de dunas está protegido em várias reservas naturais nacionais, incluindo Hoylake, Ainsdale Sand Dunes, North Walney e Sandscale Haws, na Inglaterra, e Caerlaverock, na Escócia, onde a população está confinada ao Solway Firth. No País de Gales, a espécie extinguiu-se durante o século XX, mas foi reintroduzida como parte do plano de biodiversidade.
Na Irlanda, onde é considerado ameaçado, o Serviço Nacional de Parques e Vida Selvagem criou charcos artificiais para a espécie, com apoio financeiro do Heritage Council. Em julho de 2021, um projeto envolvendo o Fota Wildlife Park e este serviço libertou 6.000 jovens sapos-corredores na sua área natural no Condado de Kerry.
Status de conservação
- LC
- NT
- VU
- EN
- CR
Pouco preocupante
Curiosidades
- Em vez de saltar como a maioria dos sapos, o sapo-corredor desloca-se com um andar rápido, quase uma corrida, característica que lhe deu o nome comum.
- É a única espécie de sapo nativa da Irlanda, com populações restritas ao Condado de Kerry e uma população introduzida no Condado de Wexford.
- Em partes da Europa, existiam antigas crenças populares segundo as quais a presença do sapo-corredor perto de uma casa era um presságio relacionado com o tempo, a sorte ou a proteção do lar, associado aos seus hábitos noturnos e ao aparecimento súbito após a chuva.
- A espécie é usada como símbolo do clube de golfe Dooks, no Condado de Kerry.
- Como costuma viver em densidades populacionais baixas, depende de cantos de acasalamento muito altos para que machos e fêmeas se localizem uns aos outros.
- A reprodução estende-se por vários meses, entre abril e julho, uma estratégia que reduz o risco de perda total das crias caso as poças temporárias sequem demasiado rápido.
Ecologia
Habitat
- Zona Úmida
- Costeira
- Matagal
- Água doce
Comportamento
- Noturno



