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Vanessa cardui

Sem nome popular registrado

Pouco preocupante

A Vanessa cardui é a borboleta com a distribuição mais ampla de todas as espécies conhecidas, presente em todos os continentes, exceto a Antártida.

Pertence à família Nymphalidae, da ordem Lepidoptera, e a IUCN a classifica como Pouco Preocupante. Ocupa ambientes muito variados, de campos e prados a desertos, florestas e montanhas, e pode ser encontrada desde o nível do mar.

O que a torna especialmente interessante é a capacidade de migrar. Populações inteiras percorrem milhares de quilômetros a cada ano, e várias gerações se sucedem ao longo do caminho.

Identificação e Aparência

A face superior das asas anteriores tem fundo avermelhado-ocre, com uma faixa preta irregular que cruza a célula até a região discal. Perto do ápice há uma pequena listra branca e uma fileira curva de quatro pontos redondos, sendo os dois do meio menores.

As asas posteriores têm uma mancha escura próxima ao corpo, uma faixa discal recurvada e uma fileira de cinco pontos pretos redondos. Em alguns exemplares, esses pontos têm um anel externo pálido e outro escuro.

A face inferior é mais clara. As asas anteriores têm a região apical e a margem externa pálidas, e as posteriores são marmorizadas em tons de ocre-oliváceo e pontilhadas de escamas pretas. Nelas se alinha uma fileira de cinco ocelos, o quarto com centro preto salpicado de azul e anel amarelo, o que ajuda a reconhecê-la.

Machos e fêmeas têm aparência semelhante. O corpo é ocre-oliváceo com faixas ocre no abdômen, e as antenas são pretas na parte superior, com a ponta e a face inferior avermelhadas.

Distribuição e Habitat

A espécie ocorre em todos os continentes, exceto a Antártida. Na América do Sul é rara ou vagante. Na Austrália, sua área limitada fica nos arredores de Bunbury, Fremantle e da Ilha Rottnest. Ali, a espécie próxima Vanessa kershawi, às vezes tratada como subespécie, ocupa cerca de metade do continente.

As habitações preferidas são áreas abertas com vegetação, como campos e prados. Mas ela também aparece em zonas suburbanas, agrícolas, pântanos, turfeiras, tundra, taiga, desertos e dunas, chaparrais, florestas, savanas, montanhas e margens de rios.

Adapta-se bem a todos esses ambientes. Durante a migração pode ser encontrada em qualquer altitude, mas costuma ocorrer ao nível do mar durante o ano todo, inclusive fora das épocas de migração.

As observações conhecidas se concentram entre maio e agosto, com maior número em agosto. Esse padrão indica apenas presença, e não abundância.

Mapa dos registros de ocorrência de Vanessa cardui
Onde foi registrado · GBIF
417.177
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Todo ano, populações desta borboleta realizam grandes migrações de várias gerações, com trechos de até 15.000 km na região paleártica. Na primavera, os indivíduos partem dos locais de inverno na África, cruzam o Mediterrâneo e avançam para o norte da Europa. No outono, retornam em direção ao sul.

A espécie aproveita ventos favoráveis de grande altitude para se deslocar rapidamente por longas distâncias. Durante as migrações, as populações podem percorrer milhares de quilômetros. Nos Estados Unidos, o movimento segue do México para o norte do país e para o Canadá.

A migração permite explorar a disponibilidade de recursos ao longo das estações. Na primavera e no verão, os indivíduos avançam para o norte e fogem do calor africano; no outono, voltam para evitar os invernos rigorosos do norte da Europa. No caminho, acasalam e produzem novas gerações.

A orientação depende da luz do sol. Em experimentos de laboratório, exemplares isolados do sol não conseguiam se orientar, o que indica o uso de uma bússola solar para manter uma trajetória reta. Os movimentos variam muito de um ano para outro, e a migração nem sempre acontece.

Comunicação

A espécie se comunica por meio de sinais visuais, químicos e sonoros. Os adultos têm olhos compostos formados por milhares de omatídeos, que permitem reconhecer parceiros e plantas hospedeiras.

As larvas têm visão limitada e pouco nítida, mas conseguem perceber cores do espectro ultravioleta. Essa percepção ajuda a localizar as plantas em que se alimentam.

Os sinais químicos também participam das interações entre indivíduos, sobretudo no encontro entre machos e fêmeas.

Dieta e Hábitos Alimentares

A Vanessa cardui se alimenta de néctar de flores compostas, ao contrário do que sugerem outros nomes populares da planta. Os adultos buscam flores de compostas que chegam a cerca de um metro de altura, como áster, cosmos, cardos e trevos-vermelhos, além de arbustos como o ligustro e as asclépias.

Além do néctar, os adultos consomem a melada produzida por pulgões. Ao visitar flores, transportam pólen e contribuem para a polinização de plantas de diversas famílias.

No total, a espécie utiliza mais de 100 espécies de plantas para se alimentar, em variadas fases de vida. Essa amplitude alimentar ajuda a explicar a presença da borboleta em ambientes tão diversos.

Reprodução e Ciclo de Vida

Os machos aguardam em poleiros, colinas ou bordas de florestas até a chegada de uma fêmea. Um mesmo macho pode acasalar com várias fêmeas na mesma estação, o que aumenta o número de descendentes.

A fêmea põe cerca de 500 ovos, um de cada vez, sobre plantas hospedeiras. Assim, as lagartas nascem já próximas de uma fonte de alimento. Os adultos não cuidam dos filhotes, que se tornam independentes logo após a postura.

Tanto machos quanto fêmeas atingem a maturidade sexual cinco a sete dias após deixarem a crisálida. Em clima quente, a reprodução ocorre o ano todo, e em laboratório já foram observadas até oito gerações em um ano.

Em áreas temperadas, a reprodução diminui no outono e no inverno. Durante a migração, os indivíduos continuam a se reproduzir, e as novas gerações seguem viagem.

População e Papel Ecológico

A espécie é um polinizador de plantas e flores de seus habitats. Mais de 100 espécies de plantas servem de hospedeiras para as lagartas, sendo as mais comuns cardos, malvaleias, malvas, asclépias, áster e diversas leguminosas.

A borboleta faz parte da cadeia alimentar, pois é presa de aves, morcegos e outros insetos. Também hospeda diversos parasitas e parasitoides que atacam as fases de lagarta e pupa, como moscas taquinídeas (Exorista segregata e Sturmia bella), vespas icneumonídeas (Cotesia vanessae, Cotesia vestalis, Thyrateles camelinus e Dolichogenidea sicaria) e vespas calcidoides (Pteromalus puparum).

Conservação e Ameaças

A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante, e ela não tem estatuto especial nas listas federais dos Estados Unidos nem na CITES. Não é considerada ameaçada e não precisa de medidas específicas de conservação no momento.

Sua abundância, porém, varia de um ano para outro. Como as migrações são irregulares e dependem de chuvas e de outras condições climáticas, o número de indivíduos em cada região pode oscilar bastante.

Pouco preocupante

Significado Cultural

O gênero Vanessa ganhou o nome de uma musa do escritor Jonathan Swift, e a borboleta costuma simbolizar a efemeridade e o romantismo na arte e no folclore.

No uso humano, a espécie contribui para a polinização de cultivos. A presença das borboletas também indica um ambiente saudável, e variações em suas populações levam cientistas a investigar habitats e ecossistemas.

Escolas criam a espécie para fins educativos, e ela é solta em cerimônias em hospitais, eventos memoriais e casamentos.

Curiosidades

  1. Em outubro de 2019, a Unidade de Entomologia por Radar da Rothamsted Research mostrou que as migrações de outono acontecem em grande altitude, o que explica por que raramente são vistas.
  2. As fêmeas podem suspender o voo temporariamente quando estão prontas para pôr ovos, o que lhes permite se reproduzir durante toda a migração.

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Comportamento

  • Territorial
  • Diurno
  • Migratório

Dieta

  • Nectarívoro

Classificação

Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Nymphalidae
Gênero
Vanessa
Espécie
Vanessa cardui

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract
  5. Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet