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Veado-vermelho

Cervus elaphus

LCPouco preocupante
Veado-vermelho macho adulto com grande chifres ramificados, pelagem castanho-avermelhada e uma pequena crina no pescoço, em pé numa floresta abertaFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Medidas

Peso
67–67 kg
Expectativa de vida
≤ 31,5 anos
Classificação
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Cervidae
Gênero
Cervus
Espécie
Cervus elaphus

O veado-vermelho é o único cervo selvagem nativo da África, sobrevivendo nas montanhas Atlas do Marrocos, da Tunísia e da Argélia, onde a subespécie conhecida como cervo-de-berbéria mantém uma presença isolada no continente.

Pertence à família Cervidae e é classificado pela IUCN como Pouco Preocupante, um estatuto que reflete a recuperação de muitas populações após séculos de caça intensiva. É um dos maiores cervos do mundo, superado apenas pelo alce, pelo uapiti e pelo sambar, e a sua carne, o veado, continua a ser aproveitada como alimento em muitas regiões onde a espécie ocorre.

Identificação e Aparência

O sinal mais distintivo do veado-vermelho são os chifres, presentes apenas nos machos e renovados todos os anos: começam a crescer na primavera, calcificam-se no outono antes da época de acasalamento e são normalmente eliminados no final do inverno. Nas populações europeias, os chifres são relativamente retos e ásperos, formando uma característica "coroa" quando a quarta e a quinta hastes se ramificam nos machos maiores.

Em tamanho, os machos (veados) medem entre 175 e 250 cm de comprimento e pesam entre 160 e 240 kg, enquanto as fêmeas (corças) são visivelmente mais pequenas, com 160 a 210 cm e 120 a 170 kg. A altura ao ombro varia entre 95 e 130 cm, e a cauda acrescenta ainda 12 a 19 cm ao comprimento total.

A pelagem tem tons acastanhados a avermelhados, e os machos de muitas subespécies desenvolvem uma pequena crina no pescoço durante o outono, mais evidente nas populações das Ilhas Britânicas e da Noruega; os machos das subespécies caspiana e espanhola não a possuem. As crias nascem manchadas, um padrão que desaparece até ao final do verão, embora alguns adultos conservem manchas residuais no dorso.

A espécie varia bastante entre subespécies: o veado-da-Corsega, o mais pequeno, pesa apenas 80 a 100 kg, enquanto o veado dos Cárpatos pode atingir 500 kg com chifres comparativamente modestos. Já o veado cáspio (ou maral), da Anatólia e do Cáucaso, desenvolve chifres capazes de rivalizar em tamanho com os do uapiti norte-americano.

Distribuição e Habitat

O veado-vermelho ocorre naturalmente na maior parte da Europa, no Cáucaso, na Anatólia, no Irão e em partes da Ásia Ocidental, além das montanhas Atlas do norte de África, onde é o único cervo nativo do continente. Populações significativas persistem na Escócia, no Distrito dos Lagos e no sudoeste da Inglaterra, muitas vezes com hibridação registada com o veado-sika na Escócia.

A espécie foi amplamente introduzida fora da sua área original, incluindo Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá, Peru, Uruguai, Chile e Argentina. Na Nova Zelândia, entre 1851 e 1926 ocorreram 220 libertações distintas envolvendo mais de 800 animais, dando origem a populações hoje amplamente caçadas em ambas as ilhas. Na Holanda, a reserva de Oostvaardersplassen abrigava cerca de 3.000 indivíduos no final de 2012, enquanto na França a população cresceu de 30.000 animais em 1970 para aproximadamente 160.000 em 2014, expandindo-se inclusive para florestas de maior altitude.

Em termos de habitat, prefere bosques abertos e evita florestas densas e contínuas, ocupando também zonas de matagal, pastagens, áreas ribeirinhas e até ambientes agrícolas e periurbanos. A espécie ocorre desde o nível do mar até cerca de 3.000 metros de altitude, deslocando-se sazonalmente entre zonas mais altas no verão e vales mais baixos no inverno.

Os registos mensais de observações mostram um padrão com pico claro em setembro, período que coincide com o início da época de acasalamento, quando os animais se tornam mais visíveis e ativos. Como estes dados refletem apenas observações de presença, não devem ser interpretados como indicadores de abundância populacional.

Mapa dos registros de ocorrência de Cervus elaphus
Onde foi registrado · GBIF
50.627
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Fora da época de acasalamento, o veado-vermelho vive em grupos separados por sexo, com as fêmeas a formar manadas matriarcais que podem chegar a várias centenas de indivíduos no verão, dominadas por uma corça mais velha. Na primavera, os sexos separam-se por completo: as fêmeas afastam-se para parir, enquanto os machos formam as suas próprias manadas de verão.

A época do cio, ou rutting, ocorre entre agosto e o início do inverno, quando os machos dominantes reúnem haréns de até 20 fêmeas e defendem uma espécie de "território móvel" em torno do grupo. Os rivais desafiam-se bramindo e caminhando em paralelo para avaliar o tamanho das armações e a força do adversário; quando nenhum recua, seguem-se combates de chifres que por vezes causam lesões graves. Manter um harém tem um custo elevado: os machos dominantes raramente se alimentam durante o cio e podem perder até 20% do peso corporal.

A atividade diária é predominantemente crepuscular, com os animais a alimentar-se ao amanhecer e ao anoitecer e a permanecer inativos, ruminando, durante o meio-dia e a meia-noite. As migrações sazonais entre altitudes acompanham a disponibilidade de forragem e a profundidade da neve.

Após o cio, os machos perdem os chifres e voltam a reunir-se em grupos de solteiros, o que lhes permite cooperar entre si; fora desta época, o comportamento entre machos é pouco agressivo. Entre os comportamentos documentados na espécie encontra-se também a exibição de comportamento homossexual.

Comunicação

O som mais característico da espécie é o brame ou roar dos machos durante o cio, um bramido grave e prolongado, audível a longa distância, usado tanto para manter o harém coeso como para intimidar machos rivais e afirmar dominância. É mais frequente ao amanhecer e ao anoitecer, coincidindo com os períodos de maior atividade da espécie.

Além do brame, o veado-vermelho é considerado um dos cervídeos mais ruidosos: as crias emitem chamados e gritos agudos, as fêmeas ladram, grunhem e gritam, e todos estes sinais ajudam a manter o contacto entre mães e crias dentro da manada.

A comunicação inclui ainda sinais químicos e visuais: os machos dominantes urinam sobre o próprio corpo durante o cio para reforçar o seu odor, enquanto a postura corporal e a exibição dos chifres complementam o brame nos confrontos entre machos.

Dieta e Nutrição

O veado-vermelho é essencialmente um herbívoro ruminante, que altera a sua alimentação de forma marcada ao longo do ano. No verão, alimenta-se principalmente de gramíneas, juncos e outras plantas herbáceas, com preferência por espécies como dente-de-leão, aster, violetas e trevo, além de fungos ocasionais.

Com a chegada do inverno, quando a vegetação herbácea escasseia, a dieta desloca-se para material lenhoso mais fibroso, incluindo ramos e cascas de cedro, sumagre, pinheiro e bordo-vermelho, entre outras espécies lenhosas disponíveis.

Como ruminante, regurgita o alimento parcialmente digerido para o remastigar, processo conhecido como ruminação, que permite extrair mais nutrientes de uma dieta rica em fibra.

Reprodução e Criação dos Filhotes

O acasalamento segue um sistema poligínico: no final de setembro e início de outubro, os machos perdem o velludo dos chifres e competem por haréns que reúnem em média um macho para seis fêmeas, acompanhadas das suas crias do ano anterior. Os machos dominantes anunciam o seu território móvel através do brame e defendem-no de intrusos, por vezes em combates intensos.

A gestação dura entre 240 e 262 dias, cerca de oito meses, e resulta quase sempre num único nascimento, sendo gémeos raros. As crias nascem com cerca de 15 a 16 kg, exibindo uma pelagem manchada que desaparece progressivamente até ao final do verão.

Nas primeiras semanas de vida, a mãe mantém a cria escondida e isolada da manada, num período de ocultação que reduz o risco de predação. A cria junta-se ao grupo por volta das duas semanas de idade, e o desmame completa-se dentro de cerca de dois meses.

Apesar do desmame precoce, a cria permanece junto da mãe durante quase um ano completo, afastando-se apenas quando a fêmea está prestes a parir a cria seguinte. As fêmeas atingem a maturidade sexual por volta dos dois anos de idade. Na natureza, o veado-vermelho vive tipicamente entre 10 e 13 anos, podendo chegar aos 15 anos em populações com menor pressão de predadores, enquanto em cativeiro pode superar os 20 anos de vida.

População e Papel Ecológico

Através do pastoreio e da ramoneio, o veado-vermelho tem um papel ativo na modelação das comunidades vegetais onde vive, influenciando a composição e a estrutura da vegetação lenhosa e herbácea. É também uma presa importante para grandes predadores como o lobo-cinzento e, ocasionalmente, o urso-pardo, sobretudo durante certas épocas do ano.

Historicamente, a espécie sofreu declínios drásticos devido à caça excessiva e à alteração de habitats, tendo sido praticamente extirpada de várias regiões durante o século XIX; a subespécie oriental Cervus elaphus canadensis está atualmente extinta. Contudo, medidas de conservação promovidas por cidadãos privados e por agências de gestão da fauna permitiram recuperações populacionais significativas em muitas áreas, revertendo décadas de declínio.

Conservação e Ameaças

O veado-vermelho está classificado pela IUCN como Pouco Preocupante, um estatuto que reflete a recuperação geral da espécie após décadas de exploração intensiva, e não indica ausência de pressões locais.

As principais ameaças históricas foram a caça excessiva e a alteração de habitats, que levaram a extirpações documentadas em várias regiões durante o século XIX, incluindo o desaparecimento completo da subespécie oriental Cervus elaphus canadensis.

Atualmente, a espécie não possui estatuto especial de protecção ao nível federal nem sob a CITES, sendo gerida através de caça esportiva legal e limitada, e criada em regime de exploração pecuária para produção de carne em algumas regiões. Medidas de conservação lideradas por proprietários privados e por agências de gestão da fauna silvestre têm sustentado o crescimento das populações em múltiplas áreas.

Status de conservação

  1. LC
  2. NT
  3. VU
  4. EN
  5. CR

Pouco preocupante

Significado Cultural

O veado-vermelho ocupa um lugar central no folclore europeu: quando textos antigos mencionam simplesmente "o veado", é normalmente a esta espécie que se referem, e não a outras espécies europeias como o corço. Na mitologia irlandesa, aparece frequentemente como criatura mística, associada à força e à nobreza, e de forma mais ampla simboliza o espírito indomável da floresta.

A espécie está representada em arte rupestre encontrada por toda a Europa, com algumas obras a remontar a 40.000 anos, no Paleolítico Superior, e também em pedras pictas da Escócia, datadas entre 550 e 850 d.C., geralmente representada como presa de predadores humanos ou animais.

Na caça medieval, o veado-vermelho era a presa mais prestigiada, sendo o macho adulto conhecido em inglês como "hart"; hoje, a espécie mantém valor económico através da produção de carne, do aproveitamento de peles e chifres, e do ecoturismo.

Curiosidades

  1. Os chifres do veado-vermelho podem crescer até 2,5 cm por dia durante a fase de desenvolvimento, sendo feitos de osso e cobertos por uma pele vascularizada chamada velludo.
  2. É o único cervo selvagem nativo de África, sobrevivendo nas montanhas Atlas do Marrocos, da Tunísia e da Argélia.
  3. Os machos europeus bramam durante o cio, uma adaptação a ambientes florestais, enquanto os uapitis norte-americanos, aparentados próximos, emitem antes um som agudo, adaptado a espaços abertos.
  4. A espécie está entre os mamíferos nos quais foi documentado comportamento homossexual.
  5. A reserva holandesa de Oostvaardersplassen abrigava cerca de 3.000 veados-vermelhos no final de 2012.
  6. A população francesa de veados-vermelhos quintuplicou em meio século, passando de 30.000 animais em 1970 para cerca de 160.000 em 2014.
  7. Representações de veados em arte rupestre europeia remontam a 40.000 anos, tornando esta espécie uma das figuras animais mais antigas registadas pelo ser humano.

Ecologia

Habitat

  • Floresta
  • Bosque
  • Montanha
  • Pradaria

Comportamento

  • Territorial
  • Social
  • Migratório
  • Crepuscular

Dieta

  • Herbívoro

Fotos

20 fotos
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Veado-vermelho macho adulto com grande chifres ramificados, pelagem castanho-avermelhada e uma pequena crina no pescoço, em pé numa floresta abertaFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of LifeAnimal Diversity WebAnAge