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Acer pseudoplatanus

Acer pseudoplatanus

Sem nome popular registrado

LCPouco preocupante
Árvore de grande porte com copa ampla e arredondada, tronco de casca acinzentada e folhas verdes de cinco lóbulos pontiagudos, com pares de sementes aladas pendentes, típica de Acer pseudoplatanus.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
FlorestaÁrvore
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Sapindaceae
Gênero
Acer
Espécie
Acer pseudoplatanus

Poucas árvores europeias conseguem crescer tanto em florestas de montanha quanto em passeios urbanos açoitados pelo vento salgado do mar como Acer pseudoplatanus. Essa tolerância extrema ao vento, à poluição e à maresia tornou-a uma das árvores mais plantadas — e mais controversas — da Europa.

Pertencente à família Sapindaceae e à ordem Sapindales, Acer pseudoplatanus é uma árvore decídua de folhas largas, nativa da Europa Central e Oriental e da Ásia Ocidental. Seu estado de conservação, segundo a IUCN, é Pouco Preocupante, refletindo sua ampla distribuição natural e sua notável capacidade de se adaptar a novos ambientes.

O que torna esta espécie particularmente interessante é justamente essa dualidade: uma árvore valorizada por sua madeira, sua sombra e sua resistência ao clima costeiro, mas também vista com preocupação por ecologistas em regiões onde suas sementes aladas se espalham sem controle.

Identificação e Aparência

O traço mais confiável para reconhecer Acer pseudoplatanus são suas sementes aladas emparelhadas, as sâmaras, cujas duas asas se projetam em um ângulo de quase 90 graus entre si — disposição diferente da observada em Acer platanoides e Acer campestre, cujas asas ficam quase opostas, e de Acer saccharum, em que são quase paralelas.

Trata-se de uma árvore de grande porte, atingindo entre 20 e 35 metros de altura na maturidade, com copa ampla e arredondada, em forma de domo. A casca dos exemplares jovens é lisa e acinzentada, tornando-se progressivamente mais áspera com a idade, quando se fragmenta em placas que expõem uma casca interna castanho-clara a rosada.

As folhas, opostas e de textura coriácea, medem de 10 a 25 cm de comprimento e largura, com cinco lóbulos pontiagudos e bordas grosseiramente serrilhadas. São verde-escuras na face superior e mais pálidas por baixo, com nervuras grossas e salientes; o pecíolo, de 5 a 15 cm, costuma ter tom avermelhado, e algumas cultivares exibem folhagem arroxeada ou amarelada. Os brotos, dispostos em pares opostos, são ovoides e pontiagudos, com escamas verdes bordadas de castanho-escuro. As flores amarelo-esverdeadas surgem depois das folhas, em maio ou junho nas Ilhas Britânicas, reunidas em panículas pendentes de 10 a 20 cm com 60 a 100 flores cada.

Acer pseudoplatanus é tetraploide (2n=52), ao contrário de A. campestre e A. platanoides, que são diploides (2n=26). Suas flores são funcionalmente unissexuadas, embora morfologicamente muitas sejam bissexuadas: em cada árvore, as flores masculinas e femininas abrem em momentos diferentes, estratégia que reduz a autopolinização e favorece o cruzamento entre indivíduos.

Distribuição e Habitat

Acer pseudoplatanus é nativo da Europa central e oriental e da Ásia ocidental, ocorrendo naturalmente em países como Albânia, Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Lituânia, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, sul da Rússia, Espanha, Suíça e nos Bálcãs. Registros antigos no leste da Turquia foram posteriormente atribuídos a A. heldreichii subsp. trautvetteri.

Em seu território de origem, cresce em bosques e sebes, associada a florestas de bétula, faia e abeto. É uma espécie extremamente resistente, capaz de prosperar em ambientes muito diversos, de parques urbanos a litorais expostos, onde árvores nativas costumam ficar atrofiadas pelo vento e pela maresia.

Foi provavelmente introduzida na Grã-Bretanha até o ano 1500, com primeiro registro silvestre em 1632, em Kent; hoje está presente em quase 90% dos quadrantes de 10 km do Reino Unido, mais do que qualquer árvore nativa. Também foi levada à Irlanda, à Suécia (por volta de 1770) e, fora da Europa, aos Estados Unidos (a partir de 1870), ao Canadá, à Austrália, ao Chile, à Nova Zelândia e à Patagônia, além das florestas de louro da Madeira e dos Açores. Em várias dessas regiões, como Nova Zelândia, Noruega e certas áreas dos Estados Unidos e da Austrália, passou a ser considerada espécie invasora, competindo com a vegetação nativa.

Os registros mensais de observações, que indicam presença e não abundância, mostram um pico acentuado entre maio e agosto, com o ápice em julho, período que coincide com a floração e o desenvolvimento pleno da folhagem, quando a árvore é mais facilmente identificada em campo, seguido de queda acentuada nos meses de inverno.

Mapa dos registros de ocorrência de Acer pseudoplatanus
Onde foi registrado · GBIF
180.113
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

Na sua área de distribuição natural, Acer pseudoplatanus integra florestas de bétula, faia e abeto, mas também coloniza com facilidade ambientes perturbados, como plantações florestais, terrenos agrícolas abandonados, margens de ferrovias e estradas e sebes. Na Nova Zelândia, invade pastagens de touceiras de altitude, e, na Madeira e em Portugal, pode degradar a floresta de louro (laurissilva), ameaçando espécies endêmicas raras como a orquídea Dactylorhiza foliosa.

A espécie tolera ampla variedade de solos e valores de pH, exceto argilas pesadas, apresentando melhor desenvolvimento em solos férteis e levemente calcários. Suas raízes formam associações micorrízicas específicas com o fungo Glomus hoi, que favorece a absorção de fósforo do solo.

As folhas alimentam larvas de várias mariposas, como Acronicta aceris, Ptilodon cucullina e Ptilophora plumigera, além de atraírem pulgões que servem de alimento a joaninhas e sirfídeos. As flores, ricas em néctar e pólen, são visitadas por abelhas e outros insetos, enquanto as sementes alimentam pequenos mamíferos e aves. A árvore também hospeda ácaros que provocam galhas nas folhas e é suscetível a doenças fúngicas, como a doença da casca fuliginosa, causada por Cryptostroma corticale, e a mancha de alcatrão, causada por Rhytisma acerinum, embora esta última afete pouco o vigor geral da planta.

Usos e Relação com as Pessoas

A madeira de Acer pseudoplatanus é dura, de coloração branca a creme, que se torna dourada com o tempo, e pode ser serrada e trabalhada em qualquer direção. É usada na fabricação de instrumentos musicais, móveis, marcenaria, pisos e parquete; por não manchar os alimentos, também serve para utensílios de cozinha, como colheres, tigelas e tábuas de corte. Quando apresenta veios ondulados, valorizada como 'sicômoro ondulado', a madeira é procurada para folheados decorativos e para as costas, os braços e as cabeças de violinos e violões flamencos. Na Escócia, foi tradicionalmente empregada na confecção de caixas finas, muitas vezes combinada com a madeira escura do laburno.

Sua tolerância ao vento, à poluição urbana e à maresia tornou-a escolha popular para arborização de parques, ruas e quebra-ventos em regiões costeiras. Cultivares como 'Brilliantissimum', de folhagem jovem rosa-salmão e única a receber o Prêmio de Mérito Jardinístico da Royal Horticultural Society, são propagadas por enxertia, e a espécie também é usada em bonsai na Europa. Por rebrotar vigorosamente do toco, pode ser manejada em talhadia para produção de madeira e estacas de pequeno porte, crescendo até 1,3 metro no primeiro ano após o corte.

A seiva, que sobe intensamente na primavera, pode ser extraída para consumo como bebida refrescante ou para produção de xarope e cerveja, de forma semelhante à do bordo-açucareiro. O néctar das flores é coletado por abelhas e origina um mel claro e perfumado. Na Cornualha, galhos jovens são usados para fazer apitos em celebrações tradicionais de maio, e, na Escócia, os galhos baixos e resistentes da árvore foram historicamente utilizados em enforcamentos. Cavalos que ingerem as sementes ou plântulas emergentes podem desenvolver miopatia atípica, condição frequentemente fatal.

Curiosidades

  1. Na mitologia nórdica, Acer pseudoplatanus era associado a Freya, deusa do amor, da fertilidade e da guerra.
  2. Na Grécia Antiga, a árvore era ligada à deusa Hera, símbolo do casamento e da maternidade.
  3. Os antigos gregos também associavam os bordos, incluindo esta espécie, a Ares, deus da guerra, possivelmente por causa das pontas afiadas de suas folhas, e a Fobos, deus do medo, talvez pela coloração avermelhada da folhagem.

Status de conservação

  1. LC
  2. NT
  3. VU
  4. EN
  5. CR

Pouco preocupante

Ecologia

Habitat

  • Floresta

Hábito de crescimento

  • Árvore

Fotos

20 fotos
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Árvore de grande porte com copa ampla e arredondada, tronco de casca acinzentada e folhas verdes de cinco lóbulos pontiagudos, com pares de sementes aladas pendentes, típica de Acer pseudoplatanus.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of Life