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Bombus terrestris

Bombus terrestris

Sem nome popular registrado

Mamangava preta e amarela com a ponta do abdômen esbranquiçada, pousada sobre uma florFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Medidas

Expectativa de vida
≤ 0,27 anos
Classificação
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Apidae
Gênero
Bombus
Espécie
Bombus terrestris

Poucas abelhas mostram tanta diferença de tamanho dentro da mesma colônia quanto Bombus terrestris: as operárias podem pesar de 68 a 754 miligramas, uma variação de mais de dez vezes entre os indivíduos menores e maiores.

Bombus terrestris, conhecida em inglês como buff-tailed bumblebee, é um inseto eusocial da família Apidae, nativo da Europa, mas presente também no Oriente Próximo, em ilhas do Mediterrâneo e no norte da África. É uma das espécies mais usadas na polinização comercial de estufas, o que a levou a se estabelecer, de forma invasora, em regiões distantes de sua origem.

O que torna esta espécie particularmente interessante é a combinação de uma rainha monogâmica com operárias capazes de aprender cores florais e organizar o forrageio de forma altamente eficiente, um sistema social que intriga pesquisadores há décadas.

Identificação e Aparência

O traço mais útil para reconhecer Bombus terrestris é a ponta clara do abdômen: nas rainhas ela é de um tom castanho-claro ("buff"), enquanto nas operárias é branca, como ocorre também em sua espécie próxima, Bombus lucorum.

As rainhas medem entre 20 e 22 mm de comprimento, os machos entre 14 e 16 mm, e as operárias variam bastante, de 11 a 17 mm. Essa variação de tamanho entre operárias é ainda mais evidente quando se olha para o tórax, que vai de 2,3 a 6,9 mm, e para a massa corporal, que oscila entre 68 e 754 mg.

O corpo é robusto e piloso, com faixas amareladas sobre um fundo escuro e a já mencionada ponta clara do abdômen, um padrão típico das mamangavas europeias.

A principal confusão ocorre com Bombus lucorum: as operárias das duas espécies são quase idênticas, mas as faixas amareladas de B. terrestris são visivelmente mais escuras quando comparadas diretamente. Já a rainha de B. terrestris se distingue por ter a

Distribuição e Habitat

Bombus terrestris ocorre naturalmente em climas temperados por toda a Europa, além de populações no Oriente Próximo, em ilhas do Mediterrâneo e no norte da África.

A espécie foi introduzida em diversos países como polinizador de estufas e, a partir de escapes de cativeiro, tornou-se invasora em locais como Japão, Chile, Argentina e Tasmânia.

Os ninhos costumam ser subterrâneos, muitas vezes instalados em tocas abandonadas de roedores. Dentro deles, a colônia constrói estruturas em forma de favo, com células de ovos sobrepostas pela rainha; em média, cada colônia chega a produzir entre 300 e 400 indivíduos, embora esse número varie bastante.

Registros de observação ao longo do ano mostram um padrão sazonal claro: os números são baixos entre dezembro e março, sobem fortemente na primavera e atingem o pico em junho, com mais de 146 mil registros naquele mês, antes de declinar no outono. Esse padrão reflete a presença sazonal de indivíduos em atividade e não deve ser interpretado como medida de abundância ou de área de distribuição completa da espécie.

Mapa dos registros de ocorrência de Bombus terrestris
Onde foi registrado · GBIF
146.747
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Bombus terrestris é uma espécie de acasalamento único: a rainha se acasala apenas uma vez na vida, e o macho sela o trato reprodutivo dela com uma secreção pegajosa que reduz, por vários dias, a chance de novos acasalamentos — uma estratégia que, ao contrário do que ocorre em abelhas melíferas, funciona de fato para impedir a poliandria.

Além da rainha, as operárias também podem colocar ovos, embora, por não terem se acasalado, esses ovos sejam sempre haploides e originem apenas machos. Operárias nascidas no início da colônia, maiores e mais velhas, têm mais chances de se tornar ovopositoras, geralmente a partir de 30 dias de idade, sobretudo se passam mais tempo perto da rainha do que forrageando. Com o tempo, a competição se intensifica: operárias mais velhas chegam a atacar e zumbir agressivamente contra a rainha, um comportamento que marca o chamado

Dieta e Hábitos Alimentares

Bombus terrestris forrageia numa grande variedade de espécies florais, com pico de atividade entre 7h e 8h da manhã, período em que a temperatura ambiente costuma ficar próxima dos 25 °C, considerada ideal para a coleta de néctar e pólen.

Uma característica notável da espécie é a alloetismo: operárias de tamanhos diferentes assumem tarefas diferentes. As maiores tendem a forragear fora do ninho e trazem cargas maiores de néctar e pólen, provavelmente porque suportam melhor variações de temperatura, evitam predadores com mais eficiência e conseguem viajar distâncias maiores. As operárias menores, mais baratas de criar, ficam encarregadas de tarefas dentro do ninho.

O alcance de retorno ao ninho é impressionante: já foram registradas abelhas capazes de encontrar o caminho de volta a partir de até 13 km de distância, embora a maioria forrageie num raio de até 5 km, com distância média de forrageio em torno de 663 metros. Ao voltarem de um forrageio bem-sucedido, as operárias não fazem uma dança ritualizada como as abelhas melíferas; em vez disso, correm de forma aparentemente desordenada pelo ninho, provavelmente liberando um feromônio que estimula outras operárias a saírem em busca de alimento, comportamento mais intenso quando as reservas da colônia estão baixas.

Assim como outras abelhas, Bombus terrestris tem preferência inata por flores azuis e amarelas, mas aprende com a experiência a visitar preferencialmente as flores que oferecem mais recompensa, otimizando o próprio forrageio e, com isso, contribuindo para a polinização das plantas visitadas.

População e Papel Ecológico

Bombus terrestris serve de hospedeira a abelhas parasitas de ninhada, como Bombus bohemicus e Bombus vestalis: ambas invadem colônias, assumem o controle reprodutivo no lugar da rainha original e fazem com que as operárias hospedeiras cuidem de sua prole. Enquanto B. bohemicus parasita várias espécies de mamangava, B. vestalis parasita exclusivamente B. terrestris.

A espécie também é hospedeira do microsporídio Nosema bombi, que provoca uma infecção intestinal debilitante cuja prevalência varia ao longo do tempo e está associada a diferentes genótipos mitocondriais, segundo um estudo de Manlik e colaboradores (2017). Operárias forrageadoras parecem ainda mais vulneráveis a moscas parasitas da família Conopidae na Europa Central, possivelmente porque o esforço metabólico do voo compromete sua capacidade imunológica.

Em 2004, o vírus da ala deformada (DWV), normalmente associado a abelhas melíferas, foi encontrado em até 10% das rainhas de B. terrestris criadas comercialmente na Europa, causando alas deformadas e inviabilizando os indivíduos afetados. Os ninhos também podem ser destruídos por larvas da mariposa-das-abelhas, Aphomia sociella, que se alimentam de ovos, larvas e pupas deixados sem proteção.

Curiosidades

  1. Em diversas culturas antigas, a abelha simbolizava diligência, trabalho e ordem, sendo associada a deusas como Demêter, ligada à agricultura, e Ártemis, símbolo de pureza.
  2. Um dos espécimes de Bombus terrestris mais antigos preservados em coleções foi coletado em 1910 perto de Kaneá, na região de Chania, em Creta (Grécia).
  3. Pesquisas recentes têm levantado a possibilidade de que as abelhas sejam capazes de sentir dor, um tema que só começou a ganhar atenção científica a partir de 2022.

Ecologia

Comportamento

  • Escavador
  • Social
  • Diurno

Dieta

  • Nectarívoro

Fotos

20 fotos
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Mamangava preta e amarela com a ponta do abdômen esbranquiçada, pousada sobre uma florFoto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaAnAge