Poucas abelhas mostram tanta diferença de tamanho dentro da mesma colônia quanto Bombus terrestris: as operárias podem pesar de 68 a 754 miligramas, uma variação de mais de dez vezes entre os indivíduos menores e maiores.
Bombus terrestris, conhecida em inglês como buff-tailed bumblebee, é um inseto eusocial da família Apidae, nativo da Europa, mas presente também no Oriente Próximo, em ilhas do Mediterrâneo e no norte da África. É uma das espécies mais usadas na polinização comercial de estufas, o que a levou a se estabelecer, de forma invasora, em regiões distantes de sua origem.
O que torna esta espécie particularmente interessante é a combinação de uma rainha monogâmica com operárias capazes de aprender cores florais e organizar o forrageio de forma altamente eficiente, um sistema social que intriga pesquisadores há décadas.
Identificação e Aparência
O traço mais útil para reconhecer Bombus terrestris é a ponta clara do abdômen: nas rainhas ela é de um tom castanho-claro ("buff"), enquanto nas operárias é branca, como ocorre também em sua espécie próxima, Bombus lucorum.
As rainhas medem entre 20 e 22 mm de comprimento, os machos entre 14 e 16 mm, e as operárias variam bastante, de 11 a 17 mm. Essa variação de tamanho entre operárias é ainda mais evidente quando se olha para o tórax, que vai de 2,3 a 6,9 mm, e para a massa corporal, que oscila entre 68 e 754 mg.
O corpo é robusto e piloso, com faixas amareladas sobre um fundo escuro e a já mencionada ponta clara do abdômen, um padrão típico das mamangavas europeias.
A principal confusão ocorre com Bombus lucorum: as operárias das duas espécies são quase idênticas, mas as faixas amareladas de B. terrestris são visivelmente mais escuras quando comparadas diretamente. Já a rainha de B. terrestris se distingue por ter a
Distribuição e Habitat
Bombus terrestris ocorre naturalmente em climas temperados por toda a Europa, além de populações no Oriente Próximo, em ilhas do Mediterrâneo e no norte da África.
A espécie foi introduzida em diversos países como polinizador de estufas e, a partir de escapes de cativeiro, tornou-se invasora em locais como Japão, Chile, Argentina e Tasmânia.
Os ninhos costumam ser subterrâneos, muitas vezes instalados em tocas abandonadas de roedores. Dentro deles, a colônia constrói estruturas em forma de favo, com células de ovos sobrepostas pela rainha; em média, cada colônia chega a produzir entre 300 e 400 indivíduos, embora esse número varie bastante.
Registros de observação ao longo do ano mostram um padrão sazonal claro: os números são baixos entre dezembro e março, sobem fortemente na primavera e atingem o pico em junho, com mais de 146 mil registros naquele mês, antes de declinar no outono. Esse padrão reflete a presença sazonal de indivíduos em atividade e não deve ser interpretado como medida de abundância ou de área de distribuição completa da espécie.

Comportamento e Modo de Vida
Bombus terrestris é uma espécie de acasalamento único: a rainha se acasala apenas uma vez na vida, e o macho sela o trato reprodutivo dela com uma secreção pegajosa que reduz, por vários dias, a chance de novos acasalamentos — uma estratégia que, ao contrário do que ocorre em abelhas melíferas, funciona de fato para impedir a poliandria.
Além da rainha, as operárias também podem colocar ovos, embora, por não terem se acasalado, esses ovos sejam sempre haploides e originem apenas machos. Operárias nascidas no início da colônia, maiores e mais velhas, têm mais chances de se tornar ovopositoras, geralmente a partir de 30 dias de idade, sobretudo se passam mais tempo perto da rainha do que forrageando. Com o tempo, a competição se intensifica: operárias mais velhas chegam a atacar e zumbir agressivamente contra a rainha, um comportamento que marca o chamado
Dieta e Hábitos Alimentares
Bombus terrestris forrageia numa grande variedade de espécies florais, com pico de atividade entre 7h e 8h da manhã, período em que a temperatura ambiente costuma ficar próxima dos 25 °C, considerada ideal para a coleta de néctar e pólen.
Uma característica notável da espécie é a alloetismo: operárias de tamanhos diferentes assumem tarefas diferentes. As maiores tendem a forragear fora do ninho e trazem cargas maiores de néctar e pólen, provavelmente porque suportam melhor variações de temperatura, evitam predadores com mais eficiência e conseguem viajar distâncias maiores. As operárias menores, mais baratas de criar, ficam encarregadas de tarefas dentro do ninho.
O alcance de retorno ao ninho é impressionante: já foram registradas abelhas capazes de encontrar o caminho de volta a partir de até 13 km de distância, embora a maioria forrageie num raio de até 5 km, com distância média de forrageio em torno de 663 metros. Ao voltarem de um forrageio bem-sucedido, as operárias não fazem uma dança ritualizada como as abelhas melíferas; em vez disso, correm de forma aparentemente desordenada pelo ninho, provavelmente liberando um feromônio que estimula outras operárias a saírem em busca de alimento, comportamento mais intenso quando as reservas da colônia estão baixas.
Assim como outras abelhas, Bombus terrestris tem preferência inata por flores azuis e amarelas, mas aprende com a experiência a visitar preferencialmente as flores que oferecem mais recompensa, otimizando o próprio forrageio e, com isso, contribuindo para a polinização das plantas visitadas.
População e Papel Ecológico
Bombus terrestris serve de hospedeira a abelhas parasitas de ninhada, como Bombus bohemicus e Bombus vestalis: ambas invadem colônias, assumem o controle reprodutivo no lugar da rainha original e fazem com que as operárias hospedeiras cuidem de sua prole. Enquanto B. bohemicus parasita várias espécies de mamangava, B. vestalis parasita exclusivamente B. terrestris.
A espécie também é hospedeira do microsporídio Nosema bombi, que provoca uma infecção intestinal debilitante cuja prevalência varia ao longo do tempo e está associada a diferentes genótipos mitocondriais, segundo um estudo de Manlik e colaboradores (2017). Operárias forrageadoras parecem ainda mais vulneráveis a moscas parasitas da família Conopidae na Europa Central, possivelmente porque o esforço metabólico do voo compromete sua capacidade imunológica.
Em 2004, o vírus da ala deformada (DWV), normalmente associado a abelhas melíferas, foi encontrado em até 10% das rainhas de B. terrestris criadas comercialmente na Europa, causando alas deformadas e inviabilizando os indivíduos afetados. Os ninhos também podem ser destruídos por larvas da mariposa-das-abelhas, Aphomia sociella, que se alimentam de ovos, larvas e pupas deixados sem proteção.
Curiosidades
- Em diversas culturas antigas, a abelha simbolizava diligência, trabalho e ordem, sendo associada a deusas como Demêter, ligada à agricultura, e Ártemis, símbolo de pureza.
- Um dos espécimes de Bombus terrestris mais antigos preservados em coleções foi coletado em 1910 perto de Kaneá, na região de Chania, em Creta (Grécia).
- Pesquisas recentes têm levantado a possibilidade de que as abelhas sejam capazes de sentir dor, um tema que só começou a ganhar atenção científica a partir de 2022.
Ecologia
Comportamento
- Escavador
- Social
- Diurno
Dieta
- Nectarívoro



