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Cornus sanguinea

Cornus sanguinea

Sem nome popular registrado

Arbusto de Cornus sanguinea com ramos vermelho-acastanhados, folhas ovais verdes e cachos de pequenas flores brancas ou frutos negros globosos.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Cornales
Família
Cornaceae
Gênero
Cornus
Espécie
Cornus sanguinea

O nome científico Cornus sanguinea vem do latim sanguineus, "sangrento", numa referência à cor vermelho-intensa que os seus ramos e folhas assumem, sobretudo no outono e inverno. É essa característica que lhe deu também o nome popular de "corniso-sanguíneo" em várias línguas europeias.

Trata-se de um arbusto caducifólio da família Cornaceae, nativo da maior parte da Europa e da Ásia ocidental, distribuindo-se desde a Inglaterra e o centro da Escócia até às margens do mar Cáspio. É amplamente cultivado como planta ornamental fora da sua área natural.

Além do seu valor decorativo, esta espécie desempenha um papel importante para aves e insetos, e a sua madeira excecionalmente dura tem uma longa história de uso humano, o que faz dela muito mais do que um simples arbusto de sebe.

Identificação e Aparência

O traço mais útil para reconhecer Cornus sanguinea são os seus ramos jovens de cor verde-acastanhada escura, que se tornam vermelho-vivo durante o inverno, contrastando com a vegetação nua ao redor. É um arbusto de porte médio a grande, atingindo 2 a 6 metros de altura.

As folhas são opostas, medem 4 a 8 centímetros de comprimento por 2 a 4 centímetros de largura, com forma ovada a oblonga e margem inteira. São verdes na face superior, ligeiramente mais pálidas por baixo, e têm uma textura áspera devido a uma pubescência curta e rígida.

As flores são hermafroditas, pequenas, com 5 a 10 milímetros de diâmetro e quatro pétalas branco-cremosas, reunidas em cachos de 3 a 5 centímetros de diâmetro e polinizadas por insetos. O fruto é uma baga globosa e negra, com 5 a 8 milímetros de diâmetro, contendo uma única semente; estas bagas são por vezes chamadas "dogberries".

Não há registo de diferenças marcantes entre sexos, já que as flores são hermafroditas; a principal variação sazonal está na coloração dos ramos, que se intensifica no inverno, e na tonalidade das folhas, que muda no outono.

Distribuição e Habitat

Cornus sanguinea ocorre naturalmente em quase toda a Europa e na Ásia ocidental, desde a Inglaterra e o centro da Escócia até às margens do mar Cáspio. É especialmente abundante junto a rios, em zonas sombreadas e em ravinas.

A espécie prospera em locais ensolarados com clima moderadamente quente, embora tolere sombra; nas regiões mais meridionais da sua distribuição cresce em zonas montanhosas, enquanto em áreas mais frias, como a Escandinávia, ocorre ao nível do mar. Prefere solos leves, frequentemente alcalinos.

É comum nas margens de florestas ou em áreas não florestadas, como bosques em regeneração e orlas arbustivas espinhosas, associando-se a outras espécies espinhosas como Clematis vitalba, Crataegus monogyna, Malus sylvestris, Prunus spinosa, Rubus idaeus ou Rubus ulmifolius.

Registos de observações mensais mostram uma contagem muito mais elevada entre abril e agosto, com um pico em maio (mais de 122 mil registos), e valores muito mais baixos entre novembro e fevereiro. Esses números refletem apenas a presença de observações, não a abundância real ou a distribuição completa da espécie, mas sugerem maior visibilidade da planta durante a primavera e o início do verão, período em que floresce e as folhas estão totalmente desenvolvidas.

Mapa dos registros de ocorrência de Cornus sanguinea
Onde foi registrado · GBIF
122.586
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

Cornus sanguinea espalha-se tanto por semente como por estolões e rebentos de raiz, o que lhe permite ocupar rapidamente o terreno e formar densos maciços; em certas circunstâncias este comportamento pode torná-la invasora.

A planta associa-se a outras espécies espinhosas nas orlas de bosques e em terrenos em regeneração, contribuindo para comunidades arbustivas complexas que servem de abrigo a diversa fauna. As folhas alimentam alguns lepidópteros, como a traça-de-caixa Coleophora anatipennella.

Os frutos, conhecidos como "dogberries", são consumidos por diversos mamíferos e por muitas aves, sobretudo passeriformes frugívoros, que muitas vezes os preferem a frutos cultivados pelo homem. Por essa razão, a espécie é valorizada na jardinagem orgânica e na permacultura: ao atrair aves frugívoras, estas acabam por caçar insetos-praga durante a época de reprodução, quando as crias precisam de proteína.

Usos e Relação com as Pessoas

A madeira de Cornus sanguinea é excecionalmente dura, densa e resistente, com um acabamento oleoso que facilita a introdução de cavilhas em furos. Por isso, foi historicamente usada na Europa do Norte para fabricar cavilhas de madeira ("dags"), buchas e pinos, antes da Revolução Industrial — uso que deu origem ao nome comum "dogwood" em inglês. Os seus rebentos direitos e lenhosos também serviram para fazer estiletes, espetos e flechas.

Além do uso da madeira, a espécie tem valor ornamental: existem variedades de jardim conhecidas como "winter fire", cujas folhas ficam alaranjadas no outono antes de cair, revelando caules vermelhos vivos durante o inverno.

A planta também tem utilidade ecológica prática para o ser humano: como os seus frutos são muito apreciados por aves frugívoras, é frequentemente plantada em pomares e sistemas de permacultura para desviar as aves das colheitas, beneficiando ao mesmo tempo do controlo natural de insetos-praga.

Curiosidades

  1. Na mitologia celta antiga, a planta feminina de Cornus, chamada Sanguinaria, exibia folhagem vermelha no solstício de verão, associada ao sangue e ao ciclo contínuo da vida, tornando-se um símbolo do coração.
  2. A casca de várias espécies de Cornus é rica em tanino e foi usada na medicina tradicional como substituto da quinina, droga empregada contra a malária e a babesiose; preparava-se uma infusão semelhante a chá contra dores e febres, enquanto as folhas eram usadas em cataplasmas para cobrir feridas.
  3. Cornus sanguinea tem parentes próximos em diferentes continentes: o corniso-europeu partilha família com a cerejeira-de-cornalina (Cornus mas), do sul da Europa, e com o Cornus florida, nativo do leste dos Estados Unidos e do México.

Fotos

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Arbusto de Cornus sanguinea com ramos vermelho-acastanhados, folhas ovais verdes e cachos de pequenas flores brancas ou frutos negros globosos.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipedia