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Crocodilo-do-nilo

Crocodylus niloticus

Pouco preocupante

O crocodilo-do-nilo é o crocodiliano mais comum de África e um dos maiores predadores de água doce do continente. Pode atingir cerca de de comprimento e viver até , segundo o registo de maior longevidade conhecida para a espécie.

A espécie é nativa de águas doces de África, onde está presente em 26 países. Distribui-se sobretudo pelas regiões oriental, austral e central do continente, em lagos, rios, pântanos e lagoas. Ocasionalmente ocupa deltas, lagos salobros e, raramente, água salgada.

O seu estatuto de conservação na IUCN é Pouco Preocupante. Ao longo do Nilo, a sua área de ocorrência já se estendeu do delta do Nilo até ao curso do rio, e o lago Turkana, no Quénia, abriga uma das maiores populações intactas da espécie.

Identificação e Aparência

A marca mais útil para reconhecer o crocodilo-do-nilo é a quarta presa inferior, visível mesmo com a boca fechada, e o focinho relativamente longo, cerca de 1,6 a 2,0 vezes mais comprido do que largo ao nível da frente dos olhos.

Os adultos têm dorso bronze escuro, com manchas e listras acinzentadas pouco nítidas, e ventre amarelado sujo. Os flancos são verde-amarelados, com manchas escuras em listras oblíquas de padrão muito variável. A cor varia com o habitat: os exemplares de rios de corrente rápida são mais claros do que os de lagos e pântanos mais turvos. Os olhos são verdes. Os juvenis são cinzentos, multicolores ou castanhos, com faixas transversais escuras no corpo e na cauda, e o ventre é verde-amarelado. Com a idade, escurecem e as faixas desaparecem, sobretudo no dorso.

A boca tem entre 64 e 68 dentes cónicos e pontiagudos. Os dentes partidos são substituídos ao longo da maior parte da vida. Os recém-nascidos perdem rapidamente o chamado dente de ovo, que usam para romper a casca.

Distribuição e Habitat

O crocodilo-do-nilo ocorre desde o Sudão e o lago Nasser, no Egito, até ao rio Cunene, em Angola, ao delta do Okavango, no Botsuana, e ao rio Olifants, na África do Sul. É o crocodiliano mais comum de África e está presente em países como Somália, Etiópia, Uganda, Quénia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué, Moçambique, Namíbia e Camarões.

No passado, a sua área estendia-se pela costa mediterrânica da Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos, e para lá do mar Vermelho, na região da Palestina e na Síria. Heródoto observou-o no lago Moeris, no Egito. Em Zanzibar e nas Comores é raro.

Em Madagáscar existe uma população isolada, no oeste e no sul da ilha, do rio Sambirano a Tôlanaro. Terá colonizado a ilha depois da extinção do crocodilo endémico Voay, há menos de 2.000 anos. Na ilha, os restos da população sobrevivem em grutas.

A espécie tolera uma grande variedade de habitats, de riachos salobros a rios de corrente rápida, pântanos, barragens, lagos e estuários. Na África Oriental prefere rios, lagos, pântanos e barragens, sobretudo corpos de água amplos e abertos. Também ocupa margens de savana e semidesértos, pântanos arborizados e os limites das florestas. A espécie possui glândulas de sal e entra ocasionalmente em águas costeiras e até marinhas.

Mapa dos registros de ocorrência de Crocodylus niloticus
Onde foi registrado · GBIF
1.507
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

O crocodilo-do-nilo é sobretudo noturno. Durante o dia, quando não é perturbado, passa muito tempo parado, sobretudo a aquecer-se ao sol. Num estudo clássico de Cott, mais de metade dos animais observados passou das 9h às 16h a aquecer-se de boca aberta, em dias de sol. Esta postura ajuda a regular a temperatura, mas também pode servir de ameaça a outros crocodilos, e há exemplares que abrem a boca à noite, quando não há risco de sobreaquecimento. No lago Turkana, os crocodilos quase não se aquecem ao sol e ficam parados em águas pouco profundas, com a superfície à vista.

No sul de África, o inverno é a época em que são mais fáceis de observar, porque passam mais tempo ao sol. Em zonas secas e frias, onde não conseguem sobreviver ao ar livre, cavam túneis e entram em estivação, entre maio e agosto. Num estudo no Royal Natal National Park, os jovens com 60 a 90 cm cavaram túneis de 1,2 a 1,8 m de profundidade, e o mais longo tinha 3,65 m. Nesse estado, ficam letárgicos, e só os maiores saem do túnel nos dias mais quentes.

Na água, mergulham durante poucos minutos, mas, se estiverem ameaçados, podem nadar submersos até 30 minutos. Em repouso total, prendem a respiração até 2 horas, graças ao elevado nível de ácido láctico no sangue. Em terra, andam de barriga para o chão, mas também se erguem sobre as patas. Os mais pequenos galopam, e os maiores atingem, em curtas explosões, cerca de 14 km/h. Na água, nadam em ondulação, a uma velocidade máxima conhecida de 30 a 35 km/h, e mantêm esse ritmo muito mais tempo do que em terra.

Engolem pedras, os chamados gastrólitos. Não existem nos recém-nascidos, aumentam nos exemplares de 2 a 3,1 m e tornam-se raros nos exemplares muito grandes. Um animal de 3,84 m e 239 kg tinha 5,1 kg de pedras no estômago, possivelmente um recorde para a espécie. A função exata não é conhecida.

Caça e Dieta

O crocodilo-do-nilo é um predador de topo em toda a sua área. Quase toda a alimentação depende da emboscada: fica quase totalmente submerso e agarra a presa em poucos segundos, quando ela se aproxima da margem ou atravessa a água. Os sensores de pressão da pele ajudam-no a detetar os movimentos das presas dentro e perto da água. Fora de água, persegue as presas a galope curto em terra firme.

Caça sobretudo animais que chegam à água para beber ou atravessar. Aproxima-se com os olhos e as narinas à superfície, ataca de repente, lança o corpo para fora da água e agarra a presa. Os dentes não servem para rasgar, mas para segurar. A mordida pode chegar a 22.000 newtons em grandes adultos. Presas pequenas são engolidas inteiras. Presas grandes são puxadas para a água e afogadas ou partidas em pedaços, por vezes com a ajuda de outros crocodilos. Os subadultos e adultos mais pequenos usam o corpo e a cauda para empurrar cardumes para a margem e apanhá-los com movimentos laterais da cabeça. Também podem cortar a passagem de peixes em migração, formando um semicírculo no rio. O dominante come primeiro.

O estômago é pequeno para o tamanho do animal, e os crocodilos podem passar meses sem comer. No lago Turkana, 48,4% dos exemplares tinham o estômago vazio. As fêmeas que chocam não se alimentam, e os estômagos das fêmeas em choco estão sempre vazios. Os jovens alimentam-se com mais frequência do que os adultos, segundo estudos no Uganda e na Zâmbia. Também roubam presas a outros predadores, como leões e leopardos (Panthera pardus), e grupos de crocodilos podem percorrer centenas de metros para chegar a uma carcaça.

Nidificação e Reprodução

A maturidade sexual surge, em média, entre os 12 e os 16 anos. Os machos amadurecem quando medem cerca de 3,3 m e pesam 155 kg. A maturidade das fêmeas é mais variável e surge, em média, entre 2,2 e 3 m de comprimento. Em populações muito exploradas ou sobrelotadas, as fêmeas podem pôr ovos com apenas 1,5 m, embora estas posturas dificilmente produzam crias saudáveis.

Na época de acasalamento, os machos atraem as fêmeas com bramidos, batendo com o focinho na água e expelindo água pelo nariz. Os machos grandes disputam território, e os combates entre machos de tamanho semelhante podem ser violentos, mas os vencidos costumam sobreviver. Após a aceitação da fêmea, o casal emite sons e esfrega a parte inferior das mandíbulas. A cópula é brusca: o macho prende a fêmea debaixo de água. Em algumas regiões, um macho acasala com várias fêmeas, mas na maioria das áreas a monogamia anual é a mais comum.

As fêmeas põem os ovos cerca de um a dois meses depois do acasalamento. A época de postura varia com a latitude: no norte da área, na Somália e no Egito, decorre de dezembro a fevereiro; no sul, na África do Sul e na Tanzânia, de agosto a dezembro; e entre estas zonas, sobretudo de abril a julho. As posturas costumam ocorrer um a dois meses após o início da estação seca. As ninhadas têm entre 25 e 95 ovos. Uma fêmeas de 2,75 m põe no máximo 35 ovos, enquanto uma de 3,64 m pode pôr até 95. A maioria das fêmeas nidifica apenas a cada dois ou três anos, enquanto os machos maduros podem acasalar todos os anos.

População e Papel Ecológico

Estima-se que existam entre 250.000 e 500.000 indivíduos na natureza. A população já foi muito reduzida pela caça para o comércio de couro, mas recupera lentamente, e poucas áreas têm agora populações capazes de produzir crias em número sustentável.

Na cadeia alimentar, o crocodilo-do-nilo é um predador de topo. Ao caçar e aproveitar carcaças, controla as populações de animais que visitam as margens dos rios e dos lagos, e a sua presença afeta a distribuição de outros animais nos cursos de água.

Os principais parasitas são nematódeos, micoplasmas, tripanossomas e trematódeos. Entre eles destacam-se Mycoplasma crocodyli e Trichinella zimbabwensis.

Conservação e Ameaças

A IUCN classifica o crocodilo-do-nilo como Pouco Preocupante. A espécie continua ampla e tem populações fortes em vários países do leste e do sul de África, como a Somália, a Etiópia, o Quénia, a Zâmbia e o Zimbabué.

As principais ameaças são a perda de habitat, a poluição, a caça e as capturas acidentais em redes de pesca. A caça em grande escala começou nas décadas de 1940 a 1960, sobretudo pelo couro, e a população ficou gravemente reduzida. Entre os anos 1950 e 1980, estima-se que três milhões de animais tenham sido mortos pelo couro. A perseguição continua, e, no lago Sibaya, na África do Sul, impede a recuperação da população. As leis nacionais e as regras internacionais de comércio permitiram uma recuperação em muitas áreas.

O CITES inclui a espécie no Anexo I, que protege as espécies ameaçadas, na maior parte da área de distribuição, e no Anexo II, para o restante, que permite o comércio controlado, com criação em cativeiro ou quotas anuais de peles. Em 1993, foram produzidas 80.000 peles, sobretudo em criadouros do Zimbabué e da África do Sul. A situação é mais preocupante na África Central e Ocidental, onde a população é muito dispersa e pouco estudada, e a espécie pode ter desaparecido como reprodutora no Egito, no século XX, antes de se restabelecer em algumas áreas, como na barragem de Assuão.

Pouco preocupante

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Luis G Restrepo via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Cindy Bell via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Patrick Jackson via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Timothy Whitehead via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Stefan Wolmarans via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Dieta

  • Carnívoro

Comportamento

  • Predador
  • Territorial
  • Semiaquático

Classificação

Filo
Chordata
Classe
Crocodylia
Família
Crocodylidae
Gênero
Crocodylus
Espécie
Crocodylus niloticus

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract
  5. AnAge Longevity
  6. The Reptile Database Reptile distribution and common names
  7. ReptTraits Reptile size, lifespan, clutches or litters, habitat and habits
  8. GloBI What it eats, what eats it, parasites and pollinators
  9. Wardeh et al. 2015 (EID2)
  10. HWML Parasite Collection