A Lutra lutra é a espécie de lontra com a distribuição mais ampla de todas. Esse mamífero semiaquático ocorre na Europa, em grande parte da Ásia e em partes do norte da África, e vive em rios, lagos, canais e costas.
Pertence à família Mustelidae e à subfamília Lutrinae. A UICN a classifica como Quase Ameaçada: a espécie está em perigo em algumas partes da sua área, mas se recupera em outras. Pode viver até , e os adultos pesam em média cerca de .
A espécie atravessou um declínio forte na segunda metade do século XX e, em muitas regiões europeias, voltou a ocupar locais de onde havia desaparecido.
Identificação e Aparência
A lontra-europeia reconhece-se pelo corpo longo e delgado, adaptado à vida na água, com pelagem castanha nas costas e creme no ventre.
Mede de 57 a 95 cm, sem contar uma cauda de 35 a 45 cm. As fêmeas são menores que os machos.
O peso médio dos adultos fica entre 7 e 12 kg, e um macho velho e grande pode chegar a 17 kg.
Em grande parte da sua área, é a única lontra presente, por isso raramente é confundida com outro animal. Comparada à lontra-norte-americana, tem pescoço mais curto, cabeça mais larga, maior distância entre as orelhas e cauda mais longa.
Distribuição e Habitat
A Lutra lutra é a lontra com a distribuição mais ampla. Sua área inclui a Europa, o norte da África e parte da Ásia até a região da Palestina.
Na Europa, é comum na Letônia, na costa da Noruega, no oeste da Espanha e de Portugal e em toda a Grã-Bretanha e Irlanda. Na Itália, vive na parte sul da península. Na Suíça e no Liechtenstein, acredita-se que tenha desaparecido.
A espécie habita corpos de água doce não poluídos, como lagos, riachos, rios, canais e lagoas, desde que haja alimento suficiente. Em Andaluzia, usa lagos artificiais de campos de golfe. Prefere as áreas abertas dos riachos e também vive na costa, em água salgada, mas precisa de acesso regular à água doce para limpar a pelagem.
Na Síria, ocorre em riachos de montanha nas províncias de Latakia e Raqqa e no baixo vale do Eufrates. No oeste do Nepal, há presença em rios a cerca de 1.600 m de altitude. Na Índia, distribui-se pelo sopé do Himalaia, pelo sul dos Ghats Ocidentais e pelo centro do país. As observações mais frequentes se concentram no início do ano e em setembro.

Comportamento e Modo de Vida
A lontra-europeia é fortemente territorial e vive, em geral, sozinha. Os indivíduos só se juntam temporariamente, em pares de acasalamento ou em mãe com filhotes, embora às vezes se formem grupos frouxos de até seis animais.
Os seus territórios variam de 1 a 40 km ao longo de um rio ou da costa, com cerca de 18 km como medida usual. O tamanho depende da oferta de alimento e da largura das áreas de caça. São menores na costa, onde há mais espaço, e maiores em rios estreitos. Os territórios defendem-se apenas contra indivíduos do mesmo sexo, por isso os de machos e fêmeas podem se sobrepor.
A atividade concentra-se ao entardecer e durante a noite. Consegue mergulhar por até dois minutos.
Filhotes e adultos brincam, correm, deslizam e perseguem uns aos outros na água. Acredita-se que essas brincadeiras ajudem os jovens a aperfeiçoar a técnica de caça.
Comunicação
A espécie marca o território com fezes, chamadas spraints, que delimitam fronteiras e organizam o uso dos recursos. As marcas são feitas em vegetação e troncos, e a espécie também espalha o cheiro pela própria pelagem.
O odor provém de glândulas pareadas na base da cauda, com um cheiro forte e almiscarado. Pelo cheiro, outras lontras identificam o limite de um território, a identidade e o estado sexual de cada indivíduo.
A lontra-europeia também emite sons. Tem chamadas de alarme, de saudação e de acasalamento, além de até doze outras vocalizações, como assobios curtos e agudos, latidos curtos, gemidos e gritos agudos de sofrimento.
Caça e Dieta
A Lutra lutra caça na água, onde usa as vibrissas, os bigodes sensoriais, para perceber os movimentos dos peixes e de outras presas, mesmo com pouca visibilidade.
Sua presa principal são os peixes. Também captura crustáceos, moluscos bivalves como as amêijoas, pequenos mamíferos, anfíbios, aves e ovos, insetos e minhocas, além de uma pequena quantidade de vegetação.
Caça e se alimenta várias vezes ao dia e consome cerca de 1 kg de alimento por dia.
Reprodução e Criação dos Filhotes
O ciclo reprodutivo da Lutra lutra é contínuo, e as fêmeas têm ciclo estral contínuo. O acasalamento ocorre na água ou em terra. Os períodos mais importantes são fevereiro, março e julho.
A gestação dura de 60 a 70 dias. Nascem geralmente dois ou três filhotes, com 99 a 122 gramas cada. Os olhos abrem-se após um mês, e os filhotes começam a deixar o ninho com cerca de dois meses. A amamentação termina por volta dos três meses, e os jovens permanecem com a mãe por até 14 meses.
As fêmeas costumam se reproduzir pela primeira vez com cerca de dois anos e meio. O macho não participa diretamente dos cuidados, embora o território da fêmea com os filhotes esteja quase inteiramente dentro do território dele.
Conservação e Ameaças
A Lutra lutra está classificada como Quase Ameaçada pela UICN. A espécie declinou em toda a sua área na segunda metade do século XX, sobretudo pela poluição com bifenilos policlorados e pesticidas organoclorados. A perda de habitat e a caça, legal e ilegal, também pesaram.
Hoje, as populações se recuperam em muitas partes da Europa. No Reino Unido, o número de locais com presença de lontras aumentou 55% entre 1994 e 2002. Em 2011, a Agência do Meio Ambiente anunciou que as lontras haviam voltado a todos os condados da Inglaterra. A recuperação deve-se à proibição dos pesticidas mais nocivos, em vigor na Europa desde 1979, à melhora da qualidade da água, que aumentou as populações de presas, e à proteção legal pela Diretiva Habitats da União Europeia e por legislações nacionais.
Em outros países, a situação é mais grave. Na Alemanha, a espécie está quase extinta na natureza e é considerada criticamente em perigo. Está listada como em perigo no Paquistão, na Índia, em Bangladesh, em Mianmar e na Tailândia, e como criticamente em perigo na Mongólia. Na Coreia do Sul, é monumento natural e espécie ameaçada de primeira classe.
Um estudo de 2001 analisou dentes de crânios de museu, coletados na Dinamarca entre 1883 e 1963. Apesar do declínio, não encontrou perda recente de variabilidade genética, mas detectou gargalos populacionais há cerca de 2.000 anos. Na Península Ibérica, o declínio dos peixes nativos, que são a presa preferida, e a expansão de espécies exóticas como os centrárquidos podem colocar a espécie em risco de extinção.
Significado Cultural
As peles de lontra são consideradas valiosas para as pessoas. Esse valor econômico é um dos aspectos do convívio humano com a espécie.
Curiosidades
- Um exemplar de tamanho recorde teria pesado mais de 24 kg, segundo uma fonte confiável, embora esse peso não tenha sido verificado.
- Os ossos da lontra-europeia são mais densos que o normal, fenômeno chamado osteosclerose, que reduz a flutuabilidade do animal na água.
Fotos
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Ecologia e classificação
Comportamento
- Noturno
- Predador
- Solitário
- Territorial
Dieta
- Piscívoro
Classificação
- Filo
- Chordata
- Classe
- Mammalia
- Ordem
- Carnivora
- Família
- Mustelidae
- Gênero
- Lutra
- Espécie
- Lutra lutra
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
- AnAge Longevity



