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Mamona

Ricinus communis

Segundo o Guinness World Records, a mamona é considerada a planta comum mais venenosa do mundo, devido à presença da ricina em suas sementes.

A Ricinus communis, conhecida como mamona, é a única espécie do gênero Ricinus, pertencente à família Euphorbiaceae. Trata-se de um arbusto perene de crescimento rápido, que pode assumir porte de pequena árvore, encontrado hoje em regiões tropicais de todo o mundo.

Sua combinação de crescimento vigoroso, aparência decorativa e toxicidade extrema torna a mamona uma espécie de interesse tanto para jardineiros quanto para quem estuda plantas perigosas.

Identificação e Aparência

O traço mais marcante da mamona é a folha grande e palmada, com cinco a doze lóbulos profundos e bordas serrilhadas, medindo entre 15 e 45 centímetros de comprimento e sustentada por um longo pecíolo. Em algumas variedades, as folhas jovens surgem em tom roxo-avermelhado ou bronze, tornando-se verde-escuras com a maturidade; em outras, um pigmento mantém toda a planta em tom púrpura a marrom-avermelhado durante toda a vida.

A planta pode alcançar cerca de 12 metros de altura em condições favoráveis, embora não seja tolerante ao frio. As flores não possuem pétalas e são unissexuais, reunidas na mesma planta em inflorescências terminais: as masculinas, numerosas e amarelo-esverdeadas com estames cremosos proeminentes; as femininas, em menor número, no topo das espigas, com estigmas vermelhos vistosos.

O fruto é uma cápsula espinhosa, verde a roxo-avermelhada, que muitas vezes chama mais atenção do que as próprias flores. Dentro dela ficam as sementes, ovais, brilhantes e de coloração variável com manchas acastanhadas — extremamente venenosas. Cada semente possui um apêndice verrugoso chamado carúncula, um tipo de elaiossoma que favorece sua dispersão por formigas.

O caule e as cápsulas também variam bastante de pigmentação entre plantas, e é comum encontrar indivíduos de folhas escuras crescendo ao lado de outros de folhas verdes, sugerindo que um único gene controle essa variação em algumas variedades.

Distribuição e Habitat

A mamona é originária do sudeste da bacia do Mediterrâneo, da África Oriental e da Índia, mas hoje está amplamente distribuída por regiões tropicais de todo o mundo. Em climas adequados, estabelece-se com facilidade e pode se tornar uma planta invasora.

Ocorre como planta cultivada, como daninha ruderal e, por vezes, naturalizada em margens de rios, geralmente em altitudes abaixo de 100 a 500 metros, podendo alcançar até cerca de 2.300 metros em certas condições. É comum encontrá-la em terrenos baldios e áreas degradadas, onde se instala espontaneamente.

Registros de observação ao longo do ano mostram presença da espécie em todos os meses, com uma leve concentração maior entre março e abril, o que pode sugerir maior atividade ou visibilidade da planta nesse período, embora esses dados reflitam apenas observações de presença, não abundância real ou o alcance completo da espécie.

Mapa dos registros de ocorrência de Ricinus communis
Onde foi registrado · GBIF
13.370
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

A mamona serve de planta hospedeira para diversas lagartas de mariposas e borboletas, incluindo a borboleta-do-castor comum (Ariadne merione), o bicho-da-seda eri (Samia cynthia ricini) e a mariposa semi-loop do castor (Achaea janata), além de espécies como Hypercompe hambletoni e a noctuídea Discestra trifolii.

Uma aranha-saltadora, Evarcha culicivora, também se associa à planta, alimentando-se do néctar de suas flores e utilizando-a preferencialmente como local de corte.

Cada semente traz um nódulo amarelo rico em gorduras, apreciado por formigas jovens. Após levarem as sementes para seus ninhos e consumirem essa parte nutritiva, as formigas descartam o restante em seus depósitos de lixo, onde a semente descartada pode germinar — um mecanismo de dispersão conhecido como mirmecocoria.

Usos e Relação com as Pessoas

A mamona é amplamente cultivada como planta ornamental em parques e jardins, funcionando como planta de destaque em canteiros tradicionais. Diversos cultivares foram desenvolvidos por criadores, tanto para fins decorativos — como 'Carmencita', premiado pela Royal Horticultural Society, ou 'Zanzibarensis', com folhas grandes e nervuras brancas — quanto para produção comercial de óleo de rícino, como 'Brigham', selecionado por apresentar teor reduzido de ricina.

A planta também está presente em tradições culturais e folclóricas, associada em algumas culturas à purificação e à proteção contra espíritos maus, além de figurar historicamente na medicina popular de povos do Mediterrâneo e do Oriente ao longo de séculos.

Curiosidades

  1. No Brasil, a mamona é associada a Omulu, orixá do Candomblé ligado à varíola e a doenças infecciosas, refletindo o peso cultural que a planta carrega em algumas tradições afro-brasileiras.
  2. Textos tradicionais indianos, como o Sharngadhara Samhita do século XII, descrevem o preparo de uma manteiga medicada com sementes de mamona (Arandi Ghrita), usada para estimular o apetite infantil, enquanto textos siddha tâmeis registram o uso das folhas maceradas sobre furúnculos.
  3. O nome popular "mamona", usado no Brasil, deriva de um termo de origem banto, revelando a influência africana na nomenclatura da planta em território brasileiro.

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Qadry Anthony via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Sofia Zvolanek via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Vasco Henrique Oliveira Fonseca via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by 祐 via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., by Sarah Dillion via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Nicole via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Hábito de crescimento

  • Arbusto

Classificação

Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Euphorbiaceae
Gênero
Ricinus
Espécie
Ricinus communis

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract
  5. Encyclopedia of Life Habitat, diet and behavior traits