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Rosa canina

Sem nome popular registrado

Poucas plantas selvagens deram nome a um símbolo tão duradouro como a Rosa canina, a roseira-brava, cujos frutos vermelho-alaranjados persistem nos ramos durante meses depois das flores desaparecerem.

É um arbusto trepador da família das rosáceas, nativo da Europa, do noroeste da África e da Ásia ocidental. Cresce espontaneamente em sebes, bordas de bosques e terrenos incultos.

A sua combinação de espinhos protetores, flores perfumadas e frutos duradouros faz desta roseira selvagem uma presença marcante nas paisagens europeias ao longo de todo o ano.

Identificação e Aparência

O traço mais distintivo da roseira-brava são os seus caules arqueados, cobertos de pequenos espinhos curvos em forma de gancho, que a ajudam a trepar por sebes e árvores. É um arbusto caducifólio que normalmente atinge entre 1 e 5 metros de altura, podendo alongar-se ainda mais quando se apoia na copa de árvores maiores.

As folhas são pinadas, com 5 a 7 folíolos, e libertam um aroma agradável quando esmagadas. As flores, perfumadas, surgem entre junho e julho, medem entre 4 e 6 centímetros de diâmetro e têm cinco pétalas, geralmente rosa-claras, mas podendo variar entre um rosa intenso e o branco.

Um pormenor curioso permite identificar a espécie com precisão: dos cinco sépalos, dois apresentam pelos em ambos os lados, dois são completamente lisos e um tem pelos apenas de um lado. A flor tem geralmente dez ou mais pistilos e numerosos estames. Entre setembro e outubro, as flores transformam-se em frutos ovais, de 1,5 a 2 centímetros, de cor vermelho-alaranjada, que podem persistir na planta durante cerca de 64 dias, escurecendo até ao negro se não forem consumidos por animais.

A sua forma e flores podem confundir-se com as de Rosa agrestis e Rosa rubiginosa, espécies próximas com aparência semelhante.

Distribuição e Habitat

A roseira-brava ocorre naturalmente na Europa, no noroeste da África e na Ásia ocidental, sendo comum em sebes, bordas de bosques, matagais e pastagens. Cresce frequentemente a trepar por outras plantas, aproveitando os seus espinhos ganchudos para se fixar.

Os registos de observação ao longo do ano mostram uma presença claramente mais elevada entre maio e agosto, o que coincide com o período de floração e o início da frutificação, sugerindo maior visibilidade da planta nessa fase em vez de uma variação real na sua distribuição geográfica.

Mapa dos registros de ocorrência de Rosa canina
Onde foi registrado · GBIF
68.659
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

A roseira-brava sustenta uma rede variada de insetos e outros animais, sendo atacada por afídeos, cigarrinhas, ácaros-aranha, cochonilhas, lagartas e larvas de serra-folhas. Uma vespa-das-galhas pode induzir, ao depositar ovos nas gemas, uma deformação conhecida como "almofada-de-robin". Coelhos e cervos comem os seus botões e folhas, apesar dos espinhos, e a planta pode ainda ser afetada por ferrugem, oídio, míldio e é particularmente vulnerável ao fungo-do-mel.

As aves e outros animais frugívoros são os principais responsáveis pela dispersão das suas semente, que também podem viajar em cascos ou pelagem de gado e através de cursos de água.

Fora da sua área nativa, a espécie tornou-se invasiva em vários locais. Na Nova Zelândia desloca vegetação nativa desde finais do século XIX, e na Austrália é classificada como planta infestante, competindo com espécies nativas, servindo de abrigo a raposas e coelhos, e representando um risco de biossegurança por hospedar a mosca-da-fruta. Nos Estados Unidos é igualmente considerada invasiva em algumas regiões, dificultando a passagem de gado, fauna selvagem e veículos.

Usos e Relação com as Pessoas

Os frutos da roseira-brava, colhidos maduros no outono, podem ser comidos diretamente do arbusto, desde que se evitem os pelos existentes no interior. São também usados para fazer xarope, chá, compotas e conservas, além de entrarem em tartes, guisados e vinho. As flores, por sua vez, podem ser transformadas em xarope, comidas em saladas, cristalizadas ou conservadas em vinagre, mel ou aguardente.

Em países como a Bulgária, os frutos servem para produzir vinho doce e chá, enquanto na Eslovénia dão origem a uma bebida popular. Na Polónia, as pétalas são usadas numa compota típica para rechear doces tradicionais. Durante a Segunda Guerra Mundial, a espécie foi plantada em hortas de guerra nos Estados Unidos, onde ainda hoje se encontra em bermas de estradas e pastagens.

A roseira-brava foi também a rosa estilizada da heráldica medieval europeia, é a flor-símbolo do condado inglês de Hampshire e dá nome ao apelido do condado irlandês de Leitrim, "o condado da rosa selvagem". Desde a Idade Média que aparece associada à literatura e à poesia, com menções célebres em obras de William Shakespeare, e figura em selos postais de vários países europeus.

Curiosidades

  1. O nome científico Rosa canina deriva da antiga crença grega de que as raízes da planta podiam curar a mordida de um cão raivoso, crença depois adotada pelos romanos.
  2. É uma das poucas roseiras verdadeiramente nativas da Grã-Bretanha.

Fotos

Fotografias de via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., by Jose Gutierrez Higa via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0. e by Ксения Волянская via iNaturalist, licensed under CC BY 4.0., com os créditos em cada foto.

Ecologia e classificação

Hábito de crescimento

  • Arbusto

Classificação

Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Rosaceae
Gênero
Rosa
Espécie
Rosa canina

Fontes

  1. GBIF Species names and classification
  2. iNaturalist Photos
  3. Wikidata Common names and conservation status
  4. Wikipedia Summary extract