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Tartaruga-das-galápagos

Chelonoidis niger

EXExtinta
Uma tartaruga-das-galápagos adulta, com casco grande e escuro, patas grossas e escamosas, caminhando sobre vegetação rasteira nas ilhas Galápagos.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
CosteiraMontanhaTerritorialPradariaSocialDiurno
Classificação
Filo
Chordata
Classe
Testudines
Família
Testudinidae
Gênero
Chelonoidis
Espécie
Chelonoidis niger

Um único exemplar da tartaruga-das-galápagos (Chelonoidis niger) pode pesar até 417 kg, o que a torna a maior espécie de tartaruga viva do planeta e o maior animal terrestre de sangue frio (ectotérmico) ainda existente.

Nativa exclusivamente do arquipélago de Galápagos, no Oceano Pacífico, a espécie reúne quinze subespécies e pertence à família Testudinidae, dentro da ordem Testudines. O estatuto de conservação registrado para o conjunto da espécie aparece como 'Extinta', reflexo da complexa história taxonômica e das extinções já ocorridas entre suas subespécies, mesmo havendo milhares de indivíduos ainda vivos nas ilhas.

Símbolo do arquipélago que ajudou Charles Darwin a formular a teoria da evolução, a tartaruga-das-galápagos combina longevidade extrema, tamanho descomunal e uma história marcada tanto pela exploração humana quanto pela recuperação por meio de programas de conservação — um enredo que vale a pena conhecer em detalhe.

Identificação e Aparência

O traço mais confiável para identificar a espécie é o formato do casco, que varia de 'em sela' a 'em cúpula' conforme a subespécie e a ilha de origem. Tartarugas de sela têm a borda frontal do casco erguida, lembrando uma sela de cavalo, o que libera o pescoço para se estender mais alto; as de cúpula têm um casco arredondado e convexo, sem essa abertura frontal.

É a maior tartaruga viva: os maiores registros já feitos ultrapassam 400 kg de massa e 1,87 metro de comprimento de casco. Machos adultos das subespécies de maior porte pesam entre 272 e 317 kg, enquanto as fêmeas variam de 136 a 181 kg. O tamanho, porém, muda drasticamente entre populações — os indivíduos da Ilha Pinzón não passam de 76 kg e 61 cm de casco, contra cascos de 75 a 150 cm nos animais da Ilha Santa Cruz.

O casco é ósseo, de cor marrom-acinzentada opaca, com as placas fundidas às costelas formando uma estrutura rígida integrada ao esqueleto; líquens costumam crescer sobre essa superfície nos animais mais sedentários. Cada indivíduo mantém o mesmo padrão de escudos (as placas do casco) por toda a vida, embora as bandas de crescimento anuais se desgastem e não sirvam para estimar idade. As pernas são grossas e curtas, com pele seca e escamosa; as patas dianteiras têm cinco garras e as traseiras, quatro. Diante de uma ameaça, o animal recolhe cabeça, pescoço e patas dianteiras para dentro do casco.

As tartarugas de cúpula, mais pesadas e com pescoço e patas mais curtos, vêm de ilhas maiores e úmidas, com terras altas acima de 800 m onde a vegetação rasteira é abundante — caso de Santa Cruz. Já as de sela, mais leves e de pescoço longo, evoluíram em ilhas pequenas e secas, com menos de 500 m de altitude e recursos escassos, como Española e Pinzón; nelas, ao recolher a cabeça, sobra um vão desprotegido sobre o pescoço, sinal de que a ausência histórica de predadores tornou essa proteção desnecessária. Nas populações onde as duas linhagens coexistem, como em Santa Cruz, machos e fêmeas também podem ser diferenciados por características específicas do casco.

Distribuição e Habitat

A tartaruga-das-galápagos ocorre exclusivamente no arquipélago de Galápagos, distribuída por ilhas como Santa Cruz, Española, Pinzón e Isabela — onde se destaca a população do vulcão Alcedo —, cada uma abrigando linhagens com características próprias de casco e tamanho.

Nas ilhas maiores e mais úmidas, os animais ocupam tanto as planícies costeiras, que se tornam campos gramíneos na estação chuvosa, quanto as áreas de altitude, com pastagens que chegam a 610 metros nas terras altas usadas na estação seca — um gradiente de habitat que molda a distribuição sazonal da espécie dentro de cada ilha.

Registros de observação mensal (dados de presença, não de abundância) mostram contagens que variam de 78 ocorrências em setembro a 248 em junho, com valores elevados também em maio, julho e agosto. Esse padrão sugere maior atividade de observação durante os meses mais úmidos, mas não permite estimar o tamanho populacional nem o alcance completo da espécie, já que os dados refletem apenas onde e quando houve registros.

Mapa dos registros de ocorrência de Chelonoidis niger
Onde foi registrado · GBIF
248
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Comportamento e Modo de Vida

Por serem ectotérmicas, essas tartarugas dependem do sol para aquecer o corpo: passam de uma a duas horas tomando sol logo após o amanhecer, absorvendo calor através do casco escuro, antes de forragear ativamente por oito a nove horas ao longo do dia. Os deslocamentos entre as áreas de descanso e de alimentação ocorrem principalmente no início da manhã e no final da tarde, num passo lento — cerca de 0,3 km/h.

Nas ilhas maiores e mais úmidas, os animais migram sazonalmente entre as planícies baixas, que ficam gramíneas na estação chuvosa, e as pastagens de até 610 metros de altitude usadas na estação seca. Gerações sucessivas seguem exatamente as mesmas rotas, esculpindo trilhas bem definidas na vegetação, conhecidas como 'rodovias das tartarugas'. Nessas ilhas, as tartarugas de cúpula formam grandes grupos gregários, enquanto as de sela mantêm um comportamento solitário e territorial.

Para se refrescar e se livrar de parasitas como mosquitos e carrapatos, os animais descansam em poças de lama ou em piscinas formadas pela chuva, além de tomarem banhos de terra solta. Algumas se abrigam à noite sob rochas salientes; outras dormem em pequenas depressões no solo chamadas 'pallets', que, quando reutilizadas geração após geração — como no vulcão Alcedo —, acabam formando covas arenosas visíveis na paisagem.

Apesar de não serem surdas, como já observara Darwin, essas tartarugas dependem muito mais da visão e do olfato do que da audição. Elas mantêm ainda uma relação de mutualismo com tentilhões e sabiás-das-galápagos: os pássaros saltam de forma exagerada diante do animal, que responde erguendo o corpo e estendendo pescoço e patas, permitindo que as aves removam ectoparasitas de áreas de difícil acesso, como o pescoço e a região entre o casco e o plastrão. Em alguns casos, porém, a tartaruga explora essa confiança: depois de se erguer, pode recolher repentinamente os membros, esmagando o pássaro contra o chão para devorá-lo como fonte extra de proteína.

Dieta e Nutrição

A dieta é totalmente herbívora e bastante variada: inclui cactos, gramíneas, ervas, folhas, líquens, frutinhas, melões, laranjas, erva-leiteira e urtiga. Já foram registrados indivíduos se alimentando até da tóxica maçã-de-praia (Hippomane mancinella), além da goiaba endêmica Psidium galapageium, da samambaia aquática Azolla microphylla, da bromélia Tillandsia insularis e do tomate-das-galápagos (Solanum cheesmaniae).

Filhotes consomem, em média, 16,7% do próprio peso corporal em matéria seca por dia, com uma eficiência digestiva comparável à de mamíferos herbívoros fermentadores no intestino posterior, como cavalos e rinocerontes.

A maior parte da água vem do orvalho e da seiva das plantas, sobretudo do cacto Opuntia, o que permite às tartarugas passar mais de seis meses sem beber água diretamente. Em condições extremas, sobrevivem até um ano sem comida nem água, quebrando as reservas de gordura corporal para gerar água como subproduto do metabolismo, que é extremamente lento. Quando encontram água, bebem grandes quantidades de uma só vez, armazenando-a na bexiga e numa bolsa na base do pescoço, o pericárdio.

Em ilhas mais áridas, o hábito de lamber o orvalho da manhã sobre as rochas, repetido por gerações, chegou a esculpir depressões em forma de meia-esfera na pedra — um registro físico de um comportamento acumulado ao longo do tempo.

Nidificação e Reprodução

O acasalamento pode ocorrer em qualquer época do ano, com picos entre fevereiro e junho nas terras altas úmidas, durante a estação das chuvas. Nessa época, os machos adultos disputam a preferência das fêmeas em confrontos ritualizados: ficam de frente um para o outro, erguem-se sobre as patas, esticam o pescoço ao máximo e abrem a boca — às vezes mordendo a cabeça do rival — até que o mais baixo recue e conceda a vitória. Esse ritual é mais intenso nas subespécies de sela, mais agressivas e de pescoço mais longo.

O acasalamento em si costuma ser abrupto: o macho bate o casco contra o da fêmea e morde suas patas antes de montá-la, numa posição inclinada e desequilibrada que só consegue manter graças à parte inferior curva de seu próprio casco. Durante a cópula, ele emite grunhidos roucos e rítmicos — uma das poucas vocalizações conhecidas da espécie.

Entre julho e novembro, as fêmeas percorrem vários quilômetros até áreas de nidificação em costas secas e arenosas. A escavação do ninho, feita apenas com as patas traseiras e sem qualquer visão do buraco, pode levar várias horas por dia ao longo de muitos dias, até formar uma cavidade cilíndrica de 30 cm de profundidade. Ali são depositados até 16 ovos esféricos e duros, do tamanho de uma bola de bilhar, pesando entre 82 e 157 gramas cada. Populações de casco em cúpula tendem a por ninhadas maiores — em média 9,6 ovos em C. porteri, de Santa Cruz — do que as de sela, como C. duncanensis, de Pinzón, com média de 4,6 ovos; cada fêmea pode produzir de uma a quatro ninhadas por temporada. Depois de selar o ninho com uma mistura de terra e urina compactada com o próprio plastrão, ela abandona os ovos à incubação solar; ninhos mais frios geram mais machos, e os mais quentes, mais fêmeas.

Como parte dos programas de conservação, ovos de ninhos ameaçados são coletados e os filhotes recém-nascidos recebem um impulso inicial: permanecem em cativeiro por quatro a cinco anos, até atingirem um tamanho com chance real de sobrevivência, antes de serem soltos em seu território de origem. Foi assim que a população da subespécie de Española (C. n. hoodensis), reduzida a apenas 3 machos e 12 fêmeas dispersas demais para se reproduzir na natureza, gerou mais de 1.200 descendentes a partir de 1971 — muitos deles frutos de um único macho, batizado Diego, ao qual se atribuem entre 350 e 800 filhotes.

Conservação e Ameaças

A avaliação de conservação registrada para a espécie aparece como 'Extinta', reflexo direto de sua intricada história taxonômica: a subespécie nominal, C. n. niger, foi extinta por exploração humana ainda no século XIX, e C. n. abingdonii desapareceu em 24 de junho de 2012, com a morte em cativeiro de seu último indivíduo. Todas as demais subespécies sobreviventes são classificadas individualmente pela IUCN como, no mínimo, 'vulneráveis'.

A maior ameaça histórica foi a exploração direta por marinheiros, baleeiros e piratas: estima-se que mais de 200.000 animais tenham sido retirados das ilhas antes do século XX, mantidos vivos a bordo dos navios por até um ano sem comida nem água como fonte de carne fresca e de água armazenada no próprio organismo. Essa pressão fez a população total cair de cerca de 250.000 indivíduos, quando as ilhas foram descobertas no século XVI, para um mínimo de apenas 3.060 exemplares registrados num censo de 1974.

A criação do Parque Nacional Galápagos e da Fundação Charles Darwin, em 1959, deu início a um levantamento sistemático das populações remanescentes — na época, apenas 11 das 14 populações originais ainda existiam, várias à beira da extinção. Programas de reprodução e soltura, iniciados em 1965, elevaram o número total de tartarugas para uma estimativa de 19.317 indivíduos entre 1995 e 2009, recuperando sete das oito subespécies então ameaçadas para níveis populacionais menos críticos.

Status de conservação

  1. EX

Extinta

Curiosidades

  1. Em 1535, o bispo do Panamá, frei Tomás de Berlanga, primeiro a descrever as ilhas Galápagos, escreveu sobre tartarugas 'tão grandes que cada uma poderia carregar um homem sobre si'.
  2. Ao visitar as ilhas em 1835, Charles Darwin registrou que os maiores exemplares exigiam de seis a oito homens para serem levantados do solo.
  3. Marinheiros dos séculos XVIII e XIX chamavam essas tartarugas de 'barris vivos' de carne e água, mantidas por meses no convés dos navios como reserva de alimento fresco.
  4. Estudos genéticos anteriores a 2021, comparando a radiação de Chelonoidis do Oceano Índico com a de Galápagos, sugeriram que a divergência entre as linhagens havia sido superestimada, reforçando a classificação de todas as tartarugas-das-galápagos como subespécies de uma única espécie, C. niger.
  5. Lonesome George, último indivíduo de C. n. abingdonii, foi conhecido como 'a criatura viva mais rara do mundo' até sua morte em 2012.

Ecologia

Habitat

  • Costeira
  • Montanha
  • Pradaria
  • Deserto

Comportamento

  • Territorial
  • Social
  • Diurno
  • Migratório

Dieta

  • Herbívoro

Fotos

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Uma tartaruga-das-galápagos adulta, com casco grande e escuro, patas grossas e escamosas, caminhando sobre vegetação rasteira nas ilhas Galápagos.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipedia