Poucas aves da América do Norte são tão familiares quanto o Turdus migratorius. Ele é um tordo migratório que se reproduz em quase toda a América do Norte e passa o inverno do sul do Canadá até o México central e ao longo da costa do Pacífico. Sua população é considerada estável, e a IUCN o classifica como Pouco Preocupante.
A espécie pertence à família Turdidae, dos verdadeiros tordos, e à ordem dos Passeriformes. Pode chegar a de vida, em geral em cativeiro, e pesa em torno de .
O tordo-americano convive bem com pessoas, o que explica sua presença comum em jardins, parques e pomares.
Identificação e Aparência
O peito vermelho-alaranjado é a marca mais útil para reconhecer o adulto, combinado com a cabeça escura e o bico amarelo. A subespécie oriental (T. m. migratorius) mede cerca de 23 a 28 cm de comprimento e tem envergadura de 31 a 41 cm.
A cabeça varia do preto ao cinza, com arcos brancos ao redor dos olhos e sobrancelhas brancas. A garganta é branca com estrias pretas, e a barriga e as cobertas caudais inferiores são brancas. O dorso é pardo, e o peito vai do vinho intenso ao laranja mais claro. O bico é predominantemente amarelo, com ponta escura que se amplia no inverno. As pernas e os pés são pardos.
As fêmeas são menos vivas que os machos, com cabeça parda, dorso pardo e partes inferiores mais opacas. Nem sempre é possível determinar o sexo só pela plumagem. Os juvenis são mais claros que os machos adultos, com manchas escuras no peito e coberteiras das asas esbranquiçadas. Os de primeiro ano lembram as fêmeas adultas, mas são mais opacos, e alguns mantêm penas juvenis.
Distribuição e Habitat
O tordo-americano se reproduz em quase toda a América do Norte, do Alasca e do Canadá até o norte da Flórida e o México. A maioria deixa a área de reprodução até o fim de agosto e volta ao norte entre fevereiro e março, com datas que variam conforme a latitude e o clima.
A distância percorrida na migração varia muito conforme o local de origem. Aves marcadas no Alasca podem percorrer até 3,5 vezes mais que as marcadas em Massachusetts ao longo das estações.
Na Europa ocidental, a espécie é visitante rara, com a maioria dos registros na Grã-Bretanha, onde somam 30 até o fim de 2024. Também já apareceu na Groenlândia, na Suécia, na Jamaica, em Hispaniola, em Porto Rico e em Belize.
No período reprodutivo, ocupa florestas e áreas mais abertas de fazendas e cidades, e prefere grandes árvores de sombra em gramados. No inverno, o habitat é semelhante, mas inclui mais áreas abertas. Usa gramados, campos e pomares para forragear, e arbustos densos e pequenas árvores para nidificar e pernoitar. Os registros de presença atingem o pico em maio.

Comportamento e Modo de Vida
O tordo-americano é ativo sobretudo durante o dia. No inverno, é uma ave gregária: reúne-se em grandes bandos que dormem nas árvores de pântanos isolados ou de vegetação densa. Durante o dia, esses bandos se separam em grupos menores para se alimentar de frutos e bagas.
No verão, os machos defendem territórios de reprodução e tornam-se menos sociais. Os jovens permanecem na área do ninho nos primeiros quatro meses de vida. Ao partir para os quarteis de inverno, formam bandos com indivíduos de idades diferentes.
Quase todas as populações são migratórias, o que faz da migração parte central do ciclo anual da espécie.
Comunicação
O canto do macho é quase contínuo e forma uma sequência de unidades distintas, muitas vezes repetidas e unidas por pausas curtas. É descrito como um canto alegre. O canto varia de uma região para outra e muda conforme a hora do dia.
O período de canto vai do fim de fevereiro ou início de março até o fim de julho ou início de agosto. No leste, algumas aves cantam de forma ocasional até setembro. O tordo está entre as primeiras aves a cantar ao amanhecer e entre as últimas ao anoitecer, geralmente de um poleiro alto em uma árvore. O canto da subespécie de San Lucas (T. m. confinis) é mais fraco e não tem notas claras.
Além do canto, a espécie usa chamados específicos para avisar sobre a aproximação de um predador terrestre e sobre ameaças diretas ao ninho ou a outro tordo. Mesmo na época de nidificação, quando se mostra territorial, as aves podem se unir para afastar um predador. Os filhotes piam para pedir comida logo após a eclosão, e os adultos emitem piados ou chamados de alarme para avisar da presença de predadores.
Dieta e Nutrição
O tordo-americano se alimenta de uma mistura de frutos silvestres e cultivados, bagas, minhocas e insetos, como larvas de besouros, lagartas e gafanhotos. A dieta gira em torno de 60% de frutos e bagas e 40% de invertebrados. Ele aproveita o que estiver mais acessível.
Por ser onívoro, come ovos, insetos, outros artrópodes terrestres e minhocas, além de frutos. Os filhotes recebem minhocas, insetos e bagas dos pais.
No inverno, os bandos diurnos se alimentam de frutos e bagas em grupos menores, enquanto o restante do ano combina o consumo de invertebrados com frutos.
Nidificação e Reprodução
Os pares se formam durante a estação reprodutiva e permanecem juntos enquanto criam os filhotes. A espécie é monogâmica. A reprodução começa logo depois da chegada ao território de verão. O tordo-americano está entre as primeiras aves norte-americanas a pôr ovos e, em geral, cria duas ou três ninhadas entre abril e julho.
A fêmea constrói sozinha o ninho, com uma base de capim grosso, gravetos, papel e penas. Ela forra o interior com lama alisada com o peito e acrescenta capim fino ou outro material macio. O ninho fica a cerca de 1,5 a 4,5 m do chão, em arbusto denso, em bifurcação de galhos ou em construções humanas. Cada ninhada exige um ninho novo. No norte, a primeira postura costuma ficar em conífera, e as seguintes em árvores de folha caduca.
Cada postura tem de três a cinco ovos azul-ciano, chocados só pela fêmea por cerca de 14 dias. Os filhotes nascem nus e de olhos fechados, e deixam o ninho cerca de duas semanas depois. Todos os filhotes de uma ninhada saem em até dois dias de diferença. Continuam perto dos pais e pedem comida, escondidos sob a cobertura do chão.
Os jovens voam de forma sustentada cerca de duas semanas após deixar o ninho e atingem a maturidade sexual com um ano. Segundo anilhadores, apenas 25% dos filhotes sobrevivem ao primeiro ano.
População e Papel Ecológico
A população é estimada em cerca de 370 milhões de indivíduos, o que faz do tordo-americano uma das aves mais abundantes da América do Norte. Muitos predadores dependem dele como presa, o que o torna uma peça importante na cadeia alimentar.
Ao consumir insetos, a espécie ajuda a controlar algumas populações de invertebrados. Ao comer frutos, também dispersa sementes, contribuindo para a regeneração de plantas em diferentes áreas.
Conservação e Ameaças
A IUCN classifica o tordo-americano como Pouco Preocupante. A espécie se adaptou bem às transformações da paisagem causadas pelo ser humano. A população parece estável, e a subespécie ocidental (T. m. propinquus) no centro da Califórnia parece estar se expandindo.
A maior pressão de predação vem provavelmente de aves de rapina, e pelo menos 28 espécies de aves de rapina caçam o tordo-americano. Gaviões do gênero Accipiter e gatos capturam adultos, e cobras grandes também os caçam. Ovos e filhotes são atacados por esquilos, cobras, algumas aves e guaxinins. Os adultos ficam mais vulneráveis durante a reprodução, enquanto os bandos de alimentação permanecem atentos a predadores. A espécie também enfrenta ameaças das mudanças climáticas e de tempestades severas.
No passado, o tordo-americano era caçado para consumo de carne em alguns estados do sul dos Estados Unidos. Hoje é protegido em toda a sua área de ocorrência nos Estados Unidos pela Lei do Tratado de Aves Migratórias.
Significado Cultural
O tordo-americano é um símbolo da primavera na cultura norte-americana. Um dos exemplos mais conhecidos é um poema de Emily Dickinson sobre o primeiro tordo do ano. Outros poemas do século XIX também tratam dessa ave, e uma superstição do Quebec diz que quem vê o primeiro tordo da primavera terá boa sorte.
A ave é símbolo oficial dos estados de Connecticut, Michigan e Wisconsin. Também aparece na mitologia de povos nativos norte-americanos. Entre os tlingit, do noroeste da América do Norte, é considerado um herói cultural criado pelo Corvo para alegrar as pessoas com seu canto. Em um estudo com 209 estudantes da Universidade da Califórnia em Berkeley, o tordo foi considerado o exemplo mais típico de ave, e a cor azul dos seus ovos deu nome ao azul-ovo-de-tordo.
Curiosidades
- O gênero Turdus recebeu esse nome porque turdus é a palavra latina para tordo, e o epíteto migratorius significa migrante ou errante.
- Linnaeus descreveu o gênero Turdus na décima edição de Systema Naturae, publicada em 1758.
- Em uma ponte entre Buffalo, Nova York, e Fort Erie, Ontário, uma família de tordos ganhou atenção da imprensa em meados da década de 1930 por ter feito seu ninho em um lugar muito visível.
Fotos
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Ecologia e classificação
Comportamento
- Territorial
- Social
- Diurno
- Migratório
Dieta
- Onívora
Classificação
- Filo
- Chordata
- Classe
- Aves
- Ordem
- Passeriformes
- Família
- Turdidae
- Gênero
- Turdus
- Espécie
- Turdus migratorius
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract
- Encyclopedia of Life Habitat, diet and behavior traits
- Animal Diversity Web Animal habitat, behavior and diet
- AnAge Longevity



