O Tremella mesenterica é um fungo gelatinoso comum da família Tremellaceae, que pertence à subdivisão Agaricomycotina. Seu corpo de frutificação alaranjado-amarelado pode chegar a 7,5 cm de diâmetro e tem superfície lobulada ou sinuosa, oleosa ou viscosa quando úmida.
A espécie ocorre na América do Norte, na América Central, na América do Sul, na África, na Europa, na Ásia e na Austrália. Ela cresce sobre madeira morta, geralmente em ambientes úmidos.
Corpo de Frutificação e Identificação
A forma gelatinosa e lobulada, com cor amarelo-alaranjada, é a característica mais confiável para reconhecer o Tremella mesenterica. O corpo de frutificação tem formato irregular e costuma romper a casca de galhos mortos. Ele mede até 7,5 cm de largura e 2,5 a 5 cm de altura, com lobos translúcidos que podem parecer um cérebro.
Quando úmido, o corpo de frutificação é gelatinoso, mas resistente. Quando seco, fica duro e adquire tons avermelhados ou alaranjados escuros. Os lobos são lisos e, raramente, podem ser brancos ou incolores. As esporas, vistas em massa, são brancas ou amarelo-pálidas.
Ao microscópio, os basídios são elipsoides ou quase esféricos, com 15 a 21 μm de largura, e apresentam de dois a quatro septos. Os esporos medem em média 10 a 16 por 6 a 9,5 μm. Em exemplares jovens, a superfície pode ficar coberta por uma gosma amarela formada por conídios.
A espécie é facilmente confundida com o Tremella aurantia, que costuma crescer sobre o fungo Stereum hirsutum. O T. aurantia tem superfície fosca, lobos mais grossos e mantém a forma quando seco, enquanto o T. mesenterica murcha e se reduz a uma película. Os esporos do T. aurantia são menores, com 8,5 a 10 por 7 a 8,5 μm. Já o Dacrymyces chrysospermus, da família Dacrymycetaceae, tem basídios em forma de Y com dois esporos, é menor e cresce sobre madeira de coníferas.
Distribuição e Habitat
O Tremella mesenterica tem distribuição cosmopolita. Ele ocorre na América do Norte, na América Central, na América do Sul, na África, na Europa, na Ásia e na Austrália. Na Colúmbia Britânica, no Canadá, aparece às vezes sobre bordo, álamo ou pinheiro, mas é mais abundante sobre amieiro (Alnus rubra).
A espécie prefere ambientes de umidade média a úmida. Os corpos de frutificação se formam em períodos chuvosos ao longo do ano, o que torna a presença do fungo possível em diversas estações.
As observações do fungo concentram-se nos meses de inverno e início da primavera no hemisfério norte, com um mínimo no fim do verão. Esses dados indicam presença, não abundância.

Ciclo de Vida
O ciclo de vida do Tremella mesenterica inclui uma fase de levedura, formada pelo brotamento dos basidiósporos. A alternância entre reprodução assexuada e sexuada ocorre quando células haploides de dois tipos de acasalamento compatíveis se encontram. Cada tipo libera um feromônio que induz a célula de tipo oposto a se diferenciar.
Nessa diferenciação, a célula interrompe o crescimento na fase G1 do ciclo celular e forma um tubo de acasalamento alongado. O processo se assemelha à emergência de brotos no brotamento bipolar das leveduras. O feromônio A-10 já foi purificado e tem estrutura química de peptídeo poliisoprenílico.
Os corpos de frutificação surgem de um primórdio localizado sob a casca da madeira. Mais de um corpo de frutificação pode se originar separadamente de um mesmo primórdio.
Usos e História Cultural
Algumas fontes classificam o fungo como não comestível ou apenas "não venenoso", enquanto outras afirmam que ele pode ser consumido, embora sem sabor marcante. Sua consistência gelatinosa a borrachuda dá textura a sopas. Na China, vegetarianos o utilizam em uma sopa de propriedades imunomoduladoras e refrescantes, preparada com semente de lótus, bulbos de lírio e jujuba.
Alguns fungos do gênero Tremella produzem polissacarídeos de interesse médico. Em 1966, Slodki descreveu um polissacarídeo ácido obtido de células haploides de T. mesenterica, muito semelhante ao produzido por Cryptococcus laurentii. Essa semelhança sugeriu uma relação filogenética entre as duas espécies. Depois, pesquisadores sintetizaram o composto e identificaram seus açúcares componentes.
O polissacarídeo, chamado glucuronoxilomanana, tem uma cadeia de manana glicosilada por cadeias de xilana. Em testes de laboratório, ele apresentou atividades imunoestimulantes, antidiabéticas, anti-inflamatórias, hipocolesterolemiantes, hepatoprotetoras e antialérgicas. Há patentes chinesas sobre o uso desses compostos na prevenção do câncer e no reforço do sistema imunológico.
Curiosidades
- O nome popular do fungo em inglês alude à cor de manteiga e à crença de que bruxas o usavam para lançar feitiços sobre pessoas.
- Para forrageadores e naturalistas modernos, a espécie é símbolo da saúde das florestas, pois liga a madeira em decomposição a outros organismos decompositores.
Fotos
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Ecologia e classificação
Classificação
- Filo
- Basidiomycota
- Classe
- Tremellomycetes
- Ordem
- Tremellales
- Família
- Tremellaceae
- Gênero
- Tremella
- Espécie
- Tremella mesenterica
Fontes
- GBIF Species names and classification
- iNaturalist Photos
- Wikidata Common names and conservation status
- Wikipedia Summary extract



