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Cypripedium calceolus

Cypripedium calceolus

Sem nome popular registrado

LCPouco preocupante
Planta herbácea perene com um ou dois flores grandes, pétalas longas e retorcidas de tom castanho-avermelhado a quase negro, e um labelo amarelo em forma de sapatinho com pontos vermelhos no interior, erguendo-se entre folhas ovais com nervuras paralelas.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
Erva
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Asparagales
Família
Orchidaceae
Gênero
Cypripedium
Espécie
Cypripedium calceolus

Com flores que podem atingir 9 centímetros de largura, Cypripedium calceolus é a orquídea de maior flor entre todas as espécies nativas da Europa.

Pertencente à família Orchidaceae, é a espécie-tipo do género Cypripedium e ocorre naturalmente por toda a Europa e Ásia. Globalmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica-a como "Pouco Preocupante", ainda que essa avaliação esconda declínios acentuados em muitas regiões.

A espécie vale a pena conhecer não só pela sua aparência incomum, mas também pela dependência estrita de fungos micorrízicos específicos e por uma história de quase desaparecimento e recuperação em países como o Reino Unido e a Suíça.

Identificação e Aparência

O traço mais distintivo de Cypripedium calceolus é o seu labelo amarelo em forma de sapatinho, salpicado de pontos vermelhos no interior, contrastando com pétalas longas e frequentemente retorcidas que variam do castanho-avermelhado ao quase negro, sendo raramente verdes.

A planta pode atingir até 60 centímetros de altura, com flores que chegam a 9 centímetros de largura. Cada rebento produz até quatro folhas ovais, que podem medir até 18 centímetros de comprimento por 9 centímetros de largura, exibindo a nervuração paralela típica das orquídeas. O número de flores por planta é geralmente reduzido, normalmente uma ou duas.

Antes da floração, a espécie distingue-se pelo tamanho e largura das suas folhas ovais. É frequentemente confundida, no estado vegetativo, com Allium ursinum, Convallaria majalis ou várias espécies de Epipactis, e sobretudo com Veratrum album, com a qual partilha habitat. A diferença chave está na disposição das folhas: C. calceolus apresenta filotaxia dística, em duas fileiras alternadas, com bases foliares sulcadas que envolvem o caule, enquanto V. album tem filotaxia espiralada em três fileiras, com o caule claramente visível entre as folhas.

É uma planta perene de vida longa, que se propaga por rizomas horizontais subterrâneos, e assemelha-se de forma próxima a outras espécies do género Cypripedium nativas da América do Norte.

Distribuição e Habitat

Cypripedium calceolus tem uma distribuição muito ampla, estendendo-se da Espanha, através de praticamente toda a Europa e da Rússia europeia, até à Sibéria e ao Extremo Oriente russo, alcançando o nordeste da China (Heilongjiang, Jilin, Liaoning, Nei Mongol), a Mongólia, a Coreia e a ilha de Rebun, no Japão.

A espécie ocupa preferencialmente bosques abertos sobre solos calcários húmidos, crescendo também em húmus decomposto de florestas calcárias semisombreadas na Europa continental. No Reino Unido, ocorre em pastagens calcárias e em matagais e bosques abertos sujeitos a um nível intermédio de pastoreio. O seu limite altitudinal superior situa-se nos 2.100 metros.

Os registos de observações mensais mostram um padrão sazonal muito marcado, com um pico acentuado em junho (mais de 33.000 registos) e valores já elevados em maio, seguidos de forte queda a partir de julho. Este padrão reflete, com toda a probabilidade, o período de floração, quando a planta se torna muito mais visível e é registada com maior frequência — não uma medida real de abundância ou do tamanho da população.

A população da espécie sofreu um declínio significativo em grande parte da Europa, o que levou à sua proteção legal em vários países.

Mapa dos registros de ocorrência de Cypripedium calceolus
Onde foi registrado · GBIF
33.908
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Ecologia e Relações

Cypripedium calceolus depende de relações ecológicas específicas para sobreviver, associando-se com frequência a bosques de aveleiras.

A polinização é realizada por um conjunto diversificado de insetos, incluindo pelo menos sete espécies de abelhas mineiras dos géneros Andrena e Colletes, além de pelo menos duas espécies de abelhas-do-sulco do género Lasioglossum. As plantas são, no entanto, muito vulneráveis à herbivoria por lesmas e caracóis, que podem danificar gravemente rebentos e folhas.

No subsolo, a espécie associa-se principalmente a fungos micorrízicos do género Tulasnellaceae, uma relação essencial para o acesso da orquídea a nutrientes do solo. Outros parceiros fúngicos sugeridos incluem géneros como Alternaria, Ceratorhiza, Chaetomium, Cylindrocarpon, Epicoccum, Epulorhiza, Moniliopsis, Mycelium radicis atrovirens, Phoma e Rhizoctonia.

Usos e Relação com as Pessoas

Desde o século XVIII, Cypripedium calceolus é apreciada pela sua morfologia floral incomum, sendo cultivada em jardins de sombra e em ambientes naturalizados por causa da sua aparência exótica, prosperando em solos calcários bem drenados sob dosséis arbóreos.

A espécie tem também um lugar significativo na cultura popular: no romance russo In the Forests, de Pavel Ivanovich Melnikov, uma znakharka (mulher sábia tradicional russa) refere-se à planta como "cabeça de Adão", "erva de Adão" ou "chinelos do cuco", afirmando que serviria para curar todo o tipo de males e para afastar espíritos malignos.

A planta figura em selos postais de numerosos países, incluindo Áustria, República Checa, Dinamarca, França, Granadinas, Hungria, Itália, Letónia, Madagáscar, Moldova, Moçambique, Noruega, Roménia, Rússia, Eslovénia, Suécia, Uganda, Ucrânia e Reino Unido, e aparece ainda no brasão de armas do município norueguês de Snåsa.

Conservação e Ameaças

Apesar do estatuto global de "Pouco Preocupante" atribuído pela IUCN, Cypripedium calceolus tornou-se rara em muitos países, onde recebe proteção legal — é o caso do Reino Unido e da Dinamarca. Em contraste, mantém-se comum na Polónia e na Áustria, mas foi considerada extinta na Grécia.

O caso britânico ilustra bem a gravidade do declínio: outrora razoavelmente comum no norte da Inglaterra, sobretudo nas zonas calcárias dos Yorkshire Dales, a espécie foi reduzida, no final do século XX, a uma única planta num único local. Embora a extração por jardineiros e botânicos seja frequentemente apontada como principal causa, o encolhimento do seu habitat — devido à desflorestação das paisagens calcárias e ao pastoreio ovino subsequente — foi decisivo para o quase desaparecimento da espécie no território.

Desde 1975, a espécie é legalmente protegida no Reino Unido pela Conservation of Wild Creatures and Wild Plants Act. Um programa de reintrodução conseguiu elevar a população para centenas de plantas até 2003, e em junho de 2024 foi encontrada a primeira planta germinada espontaneamente na natureza desde 1930. Na Suíça, o viveirista neerlandês Anthura, em colaboração com a Fundação Suíça de Orquídeas, utilizou semente da população suíça para produzir três mil plantas viáveis, reintroduzidas em vários locais mantidos em segredo e monitorizados regularmente.

Status de conservação

  1. LC
  2. NT
  3. VU
  4. EN
  5. CR

Pouco preocupante

Curiosidades

  1. As flores de Cypripedium calceolus podem atingir 9 centímetros de largura, tornando-a a orquídea de maior flor entre as espécies selvagens da Europa.
  2. É a espécie-tipo do género Cypripedium, que reúne cerca de 50 espécies conhecidas como orquídeas-sapatinho, numa referência ao labelo inchado em forma de sapato.
  3. O número de cromossomas da espécie tem sido registado tanto como 2n=20 como 2n=22, consoante as populações estudadas.
  4. A planta já apareceu em selos postais de quase vinte países, de Madagáscar à Rússia.
  5. Figura no brasão de armas do município de Snåsa, na Noruega.
  6. No folclore russo, era conhecida como "cabeça de Adão" e considerada capaz de curar todo o tipo de doenças e afastar espíritos malignos.
  7. No Reino Unido, a população selvagem chegou a reduzir-se a uma única planta, mas em junho de 2024 foi encontrado o primeiro exemplar germinado de forma espontânea desde 1930.

Ecologia

Hábito de crescimento

  • Erva

Fotos

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Planta herbácea perene com um ou dois flores grandes, pétalas longas e retorcidas de tom castanho-avermelhado a quase negro, e um labelo amarelo em forma de sapatinho com pontos vermelhos no interior, erguendo-se entre folhas ovais com nervuras paralelas.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipediaEncyclopedia of Life