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Encephalartos woodii

Encephalartos woodii

Sem nome popular registrado

EWExtinta na Natureza
Uma cica de tronco robusto e coroa de folhas verde-escuras brilhantes, com um cone cilíndrico alaranjado emergindo do centro.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

Em resumo

Conhecido por
FlorestaÁrvore
Classificação
Filo
Tracheophyta
Classe
Cycadopsida
Ordem
Cycadales
Família
Zamiaceae
Gênero
Encephalartos
Espécie
Encephalartos woodii

Todos os exemplares vivos de Encephalartos woodii — cerca de 500 no mundo todo — são clones geneticamente idênticos de uma única planta macho. Nenhuma fêmea desta espécie jamais foi encontrada, o que torna sua reprodução natural impossível.

Esta cica pertence à família Zamiaceae, no grupo antigo das Cycadopsida, e é endêmica da Floresta de oNgoye, em KwaZulu-Natal, na África do Sul. Classificada como Extinta na Natureza pela IUCN, sobrevive apenas em jardins botânicos e coleções privadas ao redor do mundo. Sua história — descoberta, exploração e desaparecimento do habitat original — faz dela um dos casos mais emblemáticos de extinção silenciosa entre as plantas.

Identificação e Aparência

O traço mais marcante de Encephalartos woodii é seu porte semelhante a uma palmeira, com um tronco grosso coroado por uma densa roseta de folhas. A planta pode atingir 6 metros de altura, com o tronco medindo entre 30 e 50 centímetros de diâmetro, mais espesso na base, sustentando uma coroa de 50 a 150 folhas.

As folhas são brilhantes, de um verde-escuro intenso, medindo entre 150 e 250 centímetros de comprimento, com formato quilhado. Cada folha carrega de 70 a 150 folíolos falcados (em forma de foice), com 13 a 15 centímetros de comprimento e 20 a 30 milímetros de largura.

Encephalartos woodii é dioica, ou seja, deveria existir em plantas macho e fêmea separadas — mas nenhuma fêmea jamais foi descoberta. Os estróbilos masculinos são cilíndricos, medindo entre 20 e 40 centímetros de comprimento (excepcionalmente até 120 centímetros) e 15 a 25 centímetros de diâmetro, com uma coloração vívida entre amarelo e laranja. Um único exemplar pode produzir de seis a oito desses cones simultaneamente.

Distribuição e Habitat

O único registro histórico de Encephalartos woodii na natureza vem de um grupo de quatro troncos de uma mesma planta, descoberto por John Medley Wood em 1895 numa pequena área da Floresta de oNgoye, em KwaZulu-Natal, África do Sul. O local ficava numa encosta íngreme voltada para o sul, na margem da floresta, sob clima de verões quentes e invernos amenos, com precipitação anual entre 750 e 1.000 milímetros.

A história da espécie na natureza é uma sequência de remoções: um broto basal foi enviado aos Kew Gardens em 1899; três outros foram coletados em 1903 para os Jardins Botânicos de Durban; e um exemplar chegou aos Jardins Botânicos Nacionais da Irlanda, em Glasnevin, em 1905. Em 1907, dois dos maiores troncos remanescentes foram removidos, e por volta de 1912 restava apenas um único tronco de 3 metros de altura. Esse último exemplar silvestre foi retirado em 1916 e levado a Pretória, onde teria morrido em 1964, encerrando a presença da espécie em seu habitat original.

Hoje, todos os cerca de 500 exemplares conhecidos são clones cultivados em jardins botânicos e coleções — entre eles os Jardins Botânicos de Durban (onde dois dos troncos históricos ainda podem ser vistos), Kirstenbosch, o Hortus Botanicus de Amsterdã, o Orto Botanico di Napoli, os Longwood Gardens na Pensilvânia e o Lotusland na Califórnia. O exemplar de Kew, recebido em 1899, produziu seu primeiro cone masculino apenas em 2004. Diversos híbridos com outras espécies de Encephalartos, como E. natalensis, E. gratus e E. transvenosus, foram criados em coleções na África do Sul e nos Estados Unidos.

Registros de observação mostram picos de presença em abril e outubro, mas esses dados refletem apenas avistamentos de exemplares cultivados em coleções, não uma distribuição natural ou populacional — a espécie não possui mais população silvestre.

Mapa dos registros de ocorrência de Encephalartos woodii
Onde foi registrado · GBIF
5
jan.fev.mar.abr.mai.jun.jul.ago.set.out.nov.dez.
Contagens mensais de ocorrências · GBIF

Reprodução e Ciclo de Vida

Sem uma fêmea conhecida, Encephalartos woodii nunca poderá se reproduzir de forma sexuada e natural. Toda a propagação da espécie depende de rebentos (suckers) que crescem rapidamente na base do tronco e são separados para formar novas plantas — um processo puramente vegetativo e clonal.

Para tentar contornar essa limitação, pesquisadores recorrem à hibridização com Encephalartos natalensis, espécie que forma híbridos férteis com E. woodii. Uma técnica de cruzamento retrógrado (backcrossing) tenta, ao longo de várias gerações, aproximar a descendência do que seria uma fêmea pura de E. woodii.

Essa estratégia, porém, tem um limite genético: análises do DNA cloroplastidial dos híbridos de primeira geração mostraram que os cloroplastos são sempre herdados da fêmea de E. natalensis. Isso significa que, mesmo depois de sucessivos retrocruzamentos, a descendência jamais será geneticamente idêntica a uma Encephalartos woodii pura.

Usos e Relação com as Pessoas

Encephalartos woodii conquistou um lugar na cultura popular como símbolo de solidão e singularidade, sendo citada em diversos meios como exemplo de uma existência isolada — a de uma espécie reduzida a clones de um único indivíduo macho, sem par fértil possível. Sua aparência marcante, com coroa de folhas verdes brilhantes e cones alaranjados, também a tornou um item valorizado em paisagismo e coleções ornamentais de cicas ao redor do mundo.

Conservação e Ameaças

Encephalartos woodii é classificada como Extinta na Natureza pela IUCN: apesar de numerosas expedições pela região de oNgoye-Mtunzini, nenhum outro exemplar além do descoberto em 1895 foi jamais encontrado. Todos os indivíduos conhecidos hoje são clones do único macho removido de seu habitat original, o que torna a extinção silvestre da espécie um fato consumado, e não apenas uma ameaça futura.

A principal causa de seu desaparecimento na natureza foi a remoção sistemática de todos os troncos conhecidos entre 1899 e 1916, para jardins botânicos e coleções — restando, ao final, nenhum indivíduo em seu habitat de origem. Como toda cica, a espécie enfrenta ainda a pressão histórica da coleta ilegal que afeta o gênero Encephalartos como um todo.

A proteção legal é rigorosa: na África do Sul, é necessária autorização das autoridades de conservação da natureza para mover, vender, comprar, doar, receber, cultivar ou possuir exemplares adultos desta flora ameaçada. No plano internacional, todas as espécies e híbridos de Encephalartos constam do Apêndice I da CITES, o que proíbe o comércio de material coletado na natureza e exige permissões de exportação e importação para qualquer transporte de plantas, cones, pólen ou sementes entre países.

Status de conservação

  1. EW

Extinta na Natureza

Curiosidades

  1. John Medley Wood, que descobriu a planta em 1895, descreveu-a como "a mais bela de todas" as espécies de Encephalartos.
  2. Todos os exemplares hoje existentes descendem de um único tronco macho encontrado na margem da Floresta de oNgoye, na África do Sul.
  3. Estima-se que existam cerca de 500 indivíduos de Encephalartos woodii no mundo, todos geneticamente idênticos entre si.
  4. O exemplar levado aos Kew Gardens em 1899 só produziu seu primeiro cone masculino em setembro de 2004, mais de um século depois.
  5. A espécie já foi cruzada com outras cicas do gênero Encephalartos, como E. natalensis, E. gratus, E. transvenosus, E. arenarius e E. horridus, gerando híbridos em coleções ao redor do mundo.
  6. Por não existir nenhuma fêmea conhecida, Encephalartos woodii tornou-se um símbolo cultural de solidão e singularidade.

Ecologia

Habitat

  • Floresta

Hábito de crescimento

  • Árvore

Fotos

10 fotos
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Uma cica de tronco robusto e coroa de folhas verde-escuras brilhantes, com um cone cilíndrico alaranjado emergindo do centro.Foto: via iNaturalist, licensed under CC0 1.0., CC0

FontesGBIFiNaturalistWikidataWikipedia